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Tarifaço: setor plástico alerta para impactos em pelo menos sete grandes cadeias produtivas; pequenas exportadoras também serão afetadas

Publicado 20/07/2026 • 06:00 | Atualizado há 20 horas

KEY POINTS

  • A tarifa adicional de 25% imposta pelos EUA sobre produtos brasileiros deve atingir de forma severa pequenas e médias empresas da indústria do plástico.
  • Impactos devem se estender para diversas cadeias produtivas que dependem do material.
  • O setor de plásticos está entre os mais afetados pela medida anunciada pelo governo norte-americano

A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros exportados ao país deve atingir de forma severa pequenas e médias empresas da indústria do plástico e provocar reflexos em diversas cadeias produtivas que dependem do material.

O setor alerta para perda de competitividade, redução das exportações, risco aos investimentos e impactos sobre segmentos que utilizam embalagens, peças e componentes plásticos em seus produtos.

O tema ganhou destaque após o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Marcio Elias, afirmar que o setor de plásticos está entre os mais afetados pela medida anunciada pelo governo norte-americano.

A sobretaxa entra em vigor em 22 de julho e faz parte de uma série de ações comerciais adotadas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros.

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Pequenas exportadoras estão na linha de frente dos impactos

A principal preocupação da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST) recai sobre as pequenas e médias empresas que dependem do mercado norte-americano para escoar parte significativa de sua produção.

Com a tarifa adicional, os produtos brasileiros chegam aos Estados Unidos com preços mais elevados, reduzindo sua competitividade em relação a concorrentes de outros países.

Para empresas de menor porte, que possuem margens mais estreitas e menor capacidade de absorver custos extras, a medida pode significar perda de contratos, redução de receitas e dificuldades para manter operações e empregos.

Segundo a entidade, a nova barreira comercial pode resultar em perdas entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões em exportações ligadas direta ou indiretamente ao setor plástico.

Exportações do setor podem perder espaço

A indústria avalia que a sobretaxa tende a reduzir as vendas de transformados plásticos ao mercado norte-americano, além de prejudicar produtos que utilizam o plástico como embalagem, componente ou insumo industrial.

A preocupação ocorre em um momento em que os efeitos das restrições comerciais já são percebidos. Dados citados pela ABIPLAST mostram que as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 13% desde o início de 2025, com impacto relevante sobre os bens industriais.

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Plástico conecta diferentes setores da economia

Os impactos da tarifa não se limitam aos fabricantes de produtos plásticos. Por ser um insumo presente em embalagens, componentes e processos industriais, o material integra uma ampla rede de atividades econômicas e pode transmitir os efeitos da medida para diferentes segmentos produtivos.

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Segundo a ABIPLAST, sete grandes cadeias produtivas globais dependem diretamente do plástico. Entre as mais expostas estão as indústrias de alimentos, bebidas, saúde e farmacêutica, que utilizam embalagens técnicas e materiais específicos para armazenamento e transporte de produtos.

O agronegócio também figura entre os setores mais vulneráveis, devido ao uso de silos, lonas e outros insumos plásticos. A lista inclui ainda os segmentos automotivo e da construção civil, que empregam o material na fabricação de peças, tubos, conexões e componentes estruturais.

Na avaliação da entidade, a elevação dos custos ao longo da cadeia pode alcançar desde produtos de consumo cotidiano até setores como os de têxteis e calçados, ampliando os reflexos da medida para além da indústria de transformação do plástico.

Impacto indireto pode alcançar milhares de empresas

Para a ABIPLAST, mesmo companhias que não fazem parte da indústria de transformação plástica podem sofrer consequências da medida. A redução das exportações para os Estados Unidos tende a afetar toda a cadeia de fornecimento associada à produção industrial.

Isso inclui fabricantes de matérias-primas, recicladores, produtores de máquinas e equipamentos, transportadoras e empresas de logística que dependem da movimentação de mercadorias destinadas ao mercado externo.

Risco para investimentos e empregos

A entidade também alerta para possíveis reflexos sobre investimentos programados pelo setor. Apenas no primeiro semestre, a indústria do plástico investiu cerca de R$ 5 bilhões em modernização industrial, ampliação da capacidade produtiva e incorporação de tecnologias sustentáveis.

Uma queda prolongada das exportações pode levar empresas a rever planos de expansão e afetar empregos em uma cadeia que reúne mais de 14,9 mil empresas e emprega aproximadamente 409,4 mil trabalhadores em todo o país.

Leia também: Tarifa de 25% reduz competitividade e exige negociação para preservar comércio bilateral, diz coordenadora da FIEMG

Mercado interno pode enfrentar maior concorrência

Outro efeito esperado é o redirecionamento para o mercado doméstico de parte da produção que deixaria de ser exportada. Esse movimento tende a aumentar a oferta de produtos no Brasil, pressionando preços e margens de lucro em diversos segmentos industriais.

Ao mesmo tempo, exportadores brasileiros precisarão buscar mercados alternativos em um ambiente de concorrência mais intensa, já que outros países afetados por restrições comerciais norte-americanas também devem disputar novos destinos para suas vendas.

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