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Durigan critica Selic a 13,75% e diz que governo prepara medidas para criar condições de redução dos juros
Publicado 05/11/2026 • 10:03 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 05/11/2026 • 10:03 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, criticou a manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano, e afirmou que o governo federal pretende adotar medidas para criar condições estruturais que permitam a redução dos juros no Brasil. A declaração foi feita após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa nesse patamar.
Segundo Durigan, os juros elevados afetam diferentes atividades econômicas, incluindo o setor produtivo e o financeiro. O ministro defendeu a adoção de medidas capazes de sustentar uma trajetória de redução da Selic, sem estabelecer um prazo para que isso ocorra.
“É uma taxa de juros bastante alta e muito ruim para a economia e para todos os setores”, afirmou.
O ministro ressaltou que a prioridade da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é estabelecer condições econômicas que favoreçam a diminuição da taxa básica de juros. “O esforço que nós temos que fazer no governo Lula 4 é dar as condições corretas, estruturais, os corretos estímulos para que a gente diminua a taxa de juros”, declarou.
Leia também: No primeiro Copom após eleição, Selic é mantida em 13,75% ao ano e interrompe ciclo de cortes
Durigan afirmou que o Ministério da Fazenda continuará trabalhando em propostas para melhorar a situação fiscal do país. Entre as iniciativas mencionadas estão a revisão de benefícios, a análise de despesas primárias e medidas voltadas à redução de privilégios.
A estratégia apresentada pelo ministro envolve a realização de ajustes graduais para permitir que o orçamento federal alcance um resultado superavitário a partir do próximo ano, quando as receitas superarem as despesas consideradas no resultado fiscal.
Segundo ele, a reorganização das contas públicas faz parte dos esforços para estabelecer um ambiente mais favorável à redução sustentável dos juros.
Durigan também afirmou que as propostas deverão considerar os compromissos sociais do governo, com a intenção de evitar medidas que prejudiquem a população de menor renda.
Sobre a possibilidade de novas medidas fiscais, o ministro informou que não há previsão de anúncios nos próximos dias. As discussões com o presidente devem continuar, mas novos encaminhamentos poderão ocorrer após a viagem presidencial para a COP.
Além da política de juros, Durigan detalhou o planejamento do governo para a implementação da reforma tributária sobre o consumo. A previsão é iniciar, em janeiro de 2027, a transição do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para o Imposto Seletivo em determinados setores.
O novo tributo deverá alcançar atividades específicas, enquanto o fim do IPI permitirá desonerar a indústria de forma mais ampla. Na proposta apresentada pela Fazenda, a parte referente a minerais terá alíquota zero. O ministro explicou que o governo negociou com representantes das indústrias de veículos, bebidas, refrigerantes e tabaco uma transição que preserve, em 2027, uma carga tributária equivalente à aplicada atualmente pelo IPI.
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Siga o Times | CNBC“Essa medida provisória foi editada em acordo com os setores para que a gente tenha, em 2027, uma correspondência da carga do IPI que existe hoje”, explicou. A intenção é discutir, ao longo desse período, as regras permanentes do Imposto Seletivo, previstas para entrar em vigor em 2028.
Questionado sobre os impactos da criação do Imposto Seletivo e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), Durigan afirmou que a reforma tributária não foi estruturada para elevar a carga de impostos sobre o consumo.
Segundo o ministro, a reorganização do sistema prevê a extinção de cinco tributos e a adoção de regras unificadas para simplificar a cobrança. “A gente tem que considerar, porque são dois impostos novos, enquanto a gente acaba com cinco”, disse.
Durigan explicou que a neutralidade tributária está prevista na reforma aprovada pelo Congresso Nacional. “Não haverá aumento de carga. Pelo contrário, nós vamos ter ganho de transparência e racionalidade na tributação de consumo”, declarou.
O ministro também esclareceu que as alíquotas do Imposto Seletivo não podem ser comparadas diretamente às do IPI, porque os dois tributos possuem bases de cálculo diferentes. No modelo atual, o ICMS integra a base de cálculo do IPI. Com a mudança, essa composição será alterada, o que pode exigir percentuais nominais maiores para manter uma tributação equivalente.
Durigan afirmou que as alíquotas previstas para a fase de transição foram negociadas com representantes das atividades que serão afetadas pelo Imposto Seletivo.
As discussões começaram em julho, durante uma reunião com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e representantes empresariais. Posteriormente, foram realizados encontros técnicos para definir os percentuais e os critérios de cobrança.
O ministro também relatou uma reunião com o senador Eduardo Braga (MDB-AM) para tratar da regulamentação da reforma e apresentar estudos elaborados pela Fazenda. Segundo Durigan, como as principais mudanças tributárias já foram aprovadas pelo Congresso, a expectativa do governo é que a medida provisória avance com rapidez no Legislativo.
Outro assunto abordado pelo ministro foi a retirada das receitas relacionadas às apostas online das previsões orçamentárias. Durigan reconheceu que a mudança reduz a arrecadação esperada especificamente com essa atividade, mas avaliou que parte dos recursos antes destinados às apostas poderá circular em outros setores da economia.
Segundo ele, aproximadamente R$ 60 bilhões anuais deixam de ser direcionados às apostas, com reflexos em atividades como o varejo e o atacado. O ministro informou que a arrecadação anual vinculada às apostas está próxima de R$ 10 bilhões e afirmou que o governo poderá acomodar a alteração no orçamento.
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