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Juros altos no mundo reduzem espaço para cortes no Brasil e elevam risco de desaceleração global; entenda
Publicado 27/05/2026 • 10:18 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 27/05/2026 • 10:18 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
A persistência da inflação global, a alta do petróleo e a pressão sobre os títulos públicos americanos reduziram significativamente o espaço para cortes de juros no Brasil e aumentaram o risco de desaceleração econômica, afirmou o economista especialista em macroeconomia Wagner de Moraes. Em entrevista nesta quarta-feira (27) ao Pré-Market, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o mercado financeiro global passou a rever as expectativas para 2026 diante do ambiente de maior instabilidade e da resistência inflacionária nas principais economias.
“Mudou muita coisa e o cenário atual não é muito inspirador”, disse Moraes ao comentar os impactos da crise internacional sobre os Estados Unidos. De acordo com o economista, o cenário atual afeta principalmente os preços da energia, dos serviços e dos salários, além de manter elevada a taxa de juros americana.
Moraes destacou que o Federal Reserve (Fed) passou a adotar um discurso mais duro, trabalhando com juros entre 3,6% e 3,75%, enquanto o índice de inflação PCE segue em torno de 3,5%, acima da meta de 2%. “Isso reduz a possibilidade de corte de juros e aumenta a pressão nos títulos do tesouro americano”, afirmou.
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Os chamados Treasuries também atingiram níveis historicamente elevados. O título de 10 anos já opera em torno de 4,5% ao ano, enquanto o de 30 anos chegou a 5%. Segundo o economista, mesmo um eventual encerramento imediato dos conflitos no Oriente Médio não produziria efeitos rápidos sobre a inflação. “A amenização dos preços levaria meses para recuar os índices inflacionários”, afirmou.
No Brasil, Moraes avalia que o ambiente ficou ainda mais restritivo para a política monetária. Para ele, a expectativa de um ciclo consistente de redução da Selic praticamente desapareceu nas últimas semanas. Embora o Banco Central ainda projete juros próximos de 10,5%, o avanço do IPCA, atualmente em 5,04%, limita qualquer possibilidade de flexibilização relevante no curto prazo.
O economista também apontou o impacto do cenário internacional sobre o fluxo de capital estrangeiro para mercados emergentes. Segundo ele, a recente entrada recorde de recursos no Brasil foi puxada majoritariamente por operações especulativas de curto prazo, conhecidas como carry trade.
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Siga o Times | CNBC“Da mesma forma que entra rápido, esse capital sai rápido”, alertou Moraes. Na avaliação dele, uma eventual retirada mais intensa de recursos até o fim do ano pode gerar forte pressão sobre o câmbio e ampliar os efeitos inflacionários.
A expectativa atual do Banco Central para o dólar está em torno de R$ 5,17, mas, segundo o economista, uma revisão para cima dificultaria ainda mais qualquer tentativa de redução dos juros. “Estamos em um cenário de muita imprevisibilidade e risco”, afirmou.
Para Moraes, o impacto dos juros elevados e da inflação persistente já começa a comprometer as perspectivas de crescimento econômico do Brasil. A projeção atual para o PIB gira entre 1,7% e 1,89%, patamar considerado insuficiente diante da inflação acumulada.
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“Com um PIB projetado em 1,89% e uma inflação em 5,04%, na prática já temos um crescimento negativo”, afirmou. Segundo ele, o ambiente de negócios também sofre com o elevado custo tributário e com a perda de capacidade de investimento das empresas.
O economista destacou que a carga tributária brasileira, atualmente em torno de 32,7% do PIB, compromete a competitividade da economia. Ele comparou o cenário brasileiro ao dos Estados Unidos, onde a carga estaria entre 14% e 15% do PIB, e à Europa, com cerca de 18%.
“Isso encarece o dinheiro, achata o lucro dos empresários e diminui a capacidade de giro econômico”, afirmou Moraes. Para o economista, a combinação entre juros elevados, inflação resistente e baixa capacidade de investimento mantém o Brasil em um ambiente de crescimento fraco e elevada instabilidade econômica.
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