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Maior El Niño da história pode pressionar conta de luz e prejudicar safra de café
Publicado 22/06/2026 • 14:20 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 22/06/2026 • 14:20 | Atualizado há 1 hora
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O inverno começou no último domingo (21) no Hemisfério Sul. A estação mais fria do ano, no entanto, deve ser afetada pela força do maior El Niño da história, e registrar picos de frio mais curtos este ano.
Relatórios de diversas consultorias apontam que os produtores devem ficar atentos a geadas, umidade do solo e ondas de calor fora de época, fatores que podem interferir de forma decisiva nas culturas do Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país.
Culturas como a do café podem ser prejudicadas pelo aumento da umidade decorrente de chuvas fora de época, que podem ocorrer já a partir de agosto. Por outro lado, especialistas indicam que o veranico pode antecipar o início da semeadura da soja no Centro-Oeste para o começo de setembro, logo após o fim do chamado vazio sanitário.
O inverno mais curto também pode pressionar a conta de luz, já que o calor elevado em agosto impulsionará o uso de ar-condicionado e pode acionar a bandeira vermelha antes do tempo.
O fenômeno El Niño ocorre devido ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico. A temperatura alta fora de época pode interferir na produção de diversos produtos agrícolas importantes para a economia nacional, como a soja e o café. Combinado com o aquecimento global, esse deve ser o maior El Niño da história, com a alta nas temperaturas podendo superar os 2,5°c.
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Na Região Sul, o principal ponto de atenção reside no comportamento das temperaturas e da umidade. A previsão indica que a consolidação do El Niño poderá reduzir o número de horas de frio necessárias para o desenvolvimento pleno de culturas de clima temperado, tais como o trigo e frutas típicas de mesa (como pêssego e maçã), cultivadas nas áreas mais elevadas das serras gaúcha e catarinense.
Somado a isso, o aumento esperado na umidade e na frequência de precipitações volumosas deve impor desafios logísticos acrescidos à colheita e ao escoamento de grãos, além de acender o alerta para riscos de inundações em áreas urbanas e rurais. O meteorologista e sócio-fundador da Notus, Alexandre Nascimento, afirma que os próximos três meses na região não devem ser “extremamente críticos”.
“Pensando na Região Sul, especificamente no Rio Grande do Sul durante o inverno, eu acho que ainda não estamos diante de uma condição crítica, pelo menos ao longo dos próximos três meses. Aquela condição típica de El Niño que as pessoas sempre lembram exaustivamente, associada a eventos extremos de chuva muito forte, não deve acontecer com essa intensidade durante o inverno”, afirmou.
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Para a Região Sudeste, o início do inverno mantém o padrão climatológico de tempo firme e seco. Contudo, a distribuição irregular de chuvas acende um sinal de alerta para a umidade do solo.
Nascimento afirma que modelos preditivos da Notus apontam para uma maior frequência de ondas de calor severas a partir do final do inverno e ao longo de todo o segundo semestre, com chances acentuadas de afetar diretamente o estado de São Paulo, o que pode interferir na safra do café.
“Englobando as principais áreas produtoras de São Paulo e do Sul de Minas Gerais, a nossa grande preocupação está voltada para a ocorrência de episódios de chuva fora de época ao longo do inverno. Com o café em pleno período de colheita e secagem, esses eventos de umidade excessiva que quebram o padrão da estação tendem a atrapalhar diretamente o ritmo das atividades de campo, gerando atrasos operacionais e potencialmente comprometendo a qualidade final do produto colhido”, apontou.
Se o El Niño gera incertezas para alguns, para os produtores de grãos do Centro-Norte ele pode trazer uma vantagem estratégica. Historicamente, em anos sob a égide deste fenômeno, as chuvas de primavera tendem a chegar mais cedo.
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“A grande oportunidade para o produtor de soja é a possibilidade real de antecipar o plantio. Historicamente, o fenômeno faz com que as chuvas da primavera cheguem mais cedo ao Centro-Oeste e ao Centro-Norte. Estimamos que já em meados de setembro haja umidade no solo suficiente para iniciar a semeadura logo após o término do vazio sanitário, o que também beneficia diretamente a janela da segunda safra lá na frente”, afirmou.
O avanço e a consolidação do El Niño este ano trazem um cenário complexo para o setor de geração e distribuição de energia elétrica no Brasil. Se, por um lado, o fenômeno ajuda a adiar preocupações imediatas com a escassez de água, por outro, desafia a operação do Sistema Interligado Nacional (SIN) e projeta recordes de consumo.
A previsão de chuvas acima da média, principalmente na Região Sul, vai ajudar a retardar a queda do nível dos reservatórios das principais hidrelétricas do país. Em contrapartida, as temperaturas atipicamente elevadas a partir de agosto podem elevar o consumo de energia em sistemas de refrigeração, como aparelhos de ar-condicionado.
“O fenômeno tende a encurtar o inverno, abrindo espaço para fortes ondas de calor e veranicos prolongados a partir de agosto. Com as temperaturas atipicamente elevadas, haverá uma disparada inevitável e massiva no uso de ar-condicionado e sistemas de refrigeração. Isso testará os limites das redes de distribuição e elevará sensivelmente o risco de acionamento de bandeiras tarifárias mais caras, como a vermelha, pesando no bolso do consumidor”, encerrou.
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