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Economia Brasileira

Negociações entre Irã, Israel e EUA reduzem preço do petróleo no mercado internacional, mas efeitos no Brasil devem demorar

Publicado 22/06/2026 • 20:21 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Apesar do alívio internacional, o impacto positivo na inflação brasileira deve demorar a aparecer devido aos custos acumulados e à dependência de diesel importado.
  • O mercado tem precificado bem todo este cenário do fim da guerra, diz economista
  • O ambiente de juros elevados no Brasil e nos EUA limita o otimismo imediato na Bolsa e reduz as chances de cortes na Selic no curto prazo.

O avanço das negociações de paz entre Irã, Israel e Estados Unidos reduziu a tensão nos mercados globais e provocou uma queda nos preços do petróleo nos últimos dias. Entretanto, apesar do alívio para os ativos de risco, economistas avaliam que os efeitos positivos sobre a inflação brasileira devem demorar a aparecer.

Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o economista e sócio da Boa Brasil Capital, Marcelo Bassani, afirmou que o mercado tem reagido de forma otimista ao acordo em discussão, embora ainda existam pontos pendentes envolvendo Israel. Segundo ele, os investidores já passaram a precificar um cenário de redução dos conflitos no Oriente Médio.

“O mercado tem precificado bem todo este cenário do fim da guerra”, disse. Bassani destacou que a queda do petróleo Brent, referência internacional usada pela Petrobras, reflete a expectativa de normalização gradual da oferta global da commodity.

De acordo com o economista, ainda há espaço para novas quedas nos preços do petróleo. Ele explicou que a disparada observada durante o conflito foi causada por um choque de oferta provocado pelas restrições no estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte do petróleo na região. Com a retomada gradual do fluxo, o mercado passou a antecipar uma volta dos preços a níveis mais próximos dos observados antes da guerra.

“Estamos vendo o preço cair já nos primeiros dias”, afirmou. Para Bassani, embora a normalização completa da cadeia de produção e distribuição possa levar meses, os investidores costumam reagir antes que os efeitos concretos apareçam na economia real.

Apesar da melhora no cenário internacional, o economista considera improvável uma redução significativa das projeções de inflação no Brasil ainda em 2026. Ele lembrou que o relatório Focus divulgado nesta segunda-feira (22) mostrou a 15ª revisão consecutiva para cima da expectativa de inflação, que chegou a 5,33%, acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central.

Segundo Bassani, a queda do petróleo demora a ser transmitida aos preços domésticos porque parte relevante do diesel consumido no país é importada. Além disso, os efeitos acumulados dos meses de conflito continuam pressionando custos de transporte, alimentos e serviços. “A expectativa é que a inflação possa arrefecer a médio prazo, mas agora de imediato é um pouco difícil”, afirmou.

O economista também destacou que as perspectivas para os juros seguem deterioradas. Conforme o Focus, a projeção para a taxa Selic ao fim do ano subiu para 14%, na terceira semana consecutiva de alta. Para ele, o cenário reduz as chances de novos cortes relevantes nos juros ao longo dos próximos meses.

Sobre a Bolsa brasileira, Bassani evitou apontar vencedores claros caso o acordo de paz seja consolidado. Ele observou que a trajetória dos juros nos Estados Unidos continua sendo um fator decisivo para o fluxo de capital aos mercados emergentes. Ainda assim, avaliou que empresas ligadas a commodities podem apresentar maior sensibilidade positiva em um eventual movimento de recuperação do mercado acionário brasileiro.

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