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Pausa nos cortes da Selic pode criar alerta para pressão persistente nos juros

Publicado 24/06/2026 • 07:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • O economista projeta apenas mais uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros antes de uma pausa no ciclo de flexibilização.
  • A queda recente do petróleo pode aliviar parte das pressões inflacionárias, mas o ex-ministro ressalta que a commodity influencia toda a cadeia produtiva, de combustíveis a fertilizantes.
  • Na avaliação de Mailson, a curva de juros deve permanecer elevada devido às preocupações com o quadro fiscal e à dificuldade de implementar reformas estruturais capazes de equilibrar as contas públicas.

A ata da mais recente reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) não foi suficiente para encerrar as dúvidas do mercado sobre os próximos passos da taxa Selic. Para o ex-ministro da Fazenda, Mailson da Nóbrega, o documento buscou reduzir a confusão provocada pelo comunicado divulgado após a decisão de cortar os juros em 0,25 ponto porcentual, mas ainda deixou indefinido o rumo da política monetária.

Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Mailson afirmou que a ata trouxe elementos que não estavam presentes no comunicado original, especialmente a preocupação com a desancoragem das expectativas de inflação e com o aumento dos riscos para a trajetória dos preços.

“Ficou ainda indefinido o que vai acontecer, mas o Copom deixou claro que está incomodado com a desancoragem das expectativas”, afirmou. Segundo ele, as referências recorrentes à inflação acima da meta indicam que o Banco Central pode interromper em breve o ciclo de flexibilização monetária.

Na avaliação do economista, a autoridade monetária deve realizar mais um corte de 0,25 ponto percentual antes de pausar a redução dos juros. A projeção da Tendências Consultoria para a Selic no fim de 2026 foi revisada de 13,5% para 14%.

“Temos apenas mais uma queda de 0,25 ponto percentual na próxima reunião e depois uma pausa”, disse.

Mailson também criticou a falta de clareza na justificativa para o corte da Selic para 14,25%, apesar do diagnóstico de uma economia aquecida, mercado de trabalho forte e aumento das incertezas externas.

“O texto sinalizava uma interrupção do ciclo, mas o Copom acabou reduzindo os juros. Foi isso que gerou a confusão”, afirmou.

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O economista destacou ainda que uma eventual redução das tensões no Oriente Médio pode contribuir para aliviar parte das pressões inflacionárias globais. Segundo ele, a queda recente do petróleo já reflete essa percepção.

“Se o acordo de cessar-fogo for consolidado, a tendência é de queda dos preços do petróleo”, avaliou.

Para Mailson, o impacto da commodity sobre a inflação vai muito além dos combustíveis. “O petróleo influencia fertilizantes, transporte e processos industriais. Ele está presente praticamente em todas as atividades econômicas”, disse.

Ao comentar a forte alta das taxas futuras de juros no Brasil, o ex-ministro afirmou que o mercado passou a incorporar uma visão mais pessimista sobre a situação fiscal do país. Segundo ele, a percepção é de que o ajuste das contas públicas exigirá reformas estruturais de difícil implementação política.

“Cada vez mais o mercado vai se dar conta de que a situação fiscal é mais grave do que se pensa”, afirmou.

Na avaliação do economista, medidas capazes de promover um ajuste fiscal consistente exigiriam mudanças profundas, incluindo novas regras para a Previdência, revisão da vinculação entre aposentadorias e salário mínimo e alterações nos pisos constitucionais de saúde e educação.

Mailson acredita que, sem sinalizações claras de reformas dessa magnitude, a curva de juros deve permanecer pressionada nos próximos meses. “Eu não acho que ela vai cair. A tendência é que continue elevada”, concluiu.

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