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Preocupação fiscal pesa sobre Bolsa e pode limitar novos cortes da Selic
Publicado 16/06/2026 • 22:26 | Atualizado há 2 horas
Publicado 16/06/2026 • 22:26 | Atualizado há 2 horas
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A queda do Ibovespa nesta terça-feira não pode ser explicada apenas pelo desempenho das ações da Petrobras, segundo Marcos Breda, economista-chefe da AORIS Partners. Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, ele afirmou que a pressão sobre a Bolsa reflete uma preocupação crescente dos investidores com o cenário fiscal brasileiro e com as perspectivas para os próximos anos.
De acordo com Breda, a relação observada nos últimos meses entre os preços do petróleo e os juros futuros brasileiros perdeu força recentemente. “Nos últimos 20 dias, pouco mais ou pouco menos, essa correlação se quebrou e a taxa de juros aqui no Brasil se manteve alta, apesar da queda do barril do petróleo”, afirmou.
O economista destacou que a taxa de juros futura para 2029 estaria próxima de 13% caso acompanhasse a trajetória da commodity, mas permanece em torno de 14,4%. Para ele, o movimento reflete uma percepção de deterioração fiscal. “Tem entrado em cena uma precificação de que a situação fiscal do Brasil está bem descontrolada”, disse.
Sobre a recente queda do petróleo para abaixo de US$ 80 por barril, Breda avaliou que os efeitos sobre a inflação tendem a ocorrer de forma lenta. Segundo ele, a redução da oferta global da commodity nos últimos meses ainda continua pressionando diversos segmentos da economia. “Tende a normalizar, mas é um negócio muito lento”, afirmou.
Na avaliação do economista, fatores domésticos seguem tendo peso relevante sobre as expectativas de inflação. “A medida que o ciclo eleitoral vai avançando, o presidente pode continuar lançando mão de novas medidas fiscais, e isso tem surtido efeito”, disse.
Em relação à reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a expectativa da AORIS Partners é de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic. “Nossa aposta é que ocorra esse ajuste, com a Selic caindo para 14,25%”, afirmou Breda. A projeção da consultoria é que a taxa permaneça nesse nível até o fim do ano.
Apesar da expectativa de redução dos juros, o economista acredita que o Banco Central deverá adotar um tom mais cauteloso em sua comunicação. Segundo ele, os modelos da autoridade monetária continuam apontando deterioração das expectativas de inflação para os próximos anos. “Existem mais riscos altistas do que baixistas para a inflação”, afirmou.
Para Breda, o Copom dificilmente encerrará formalmente a possibilidade de novos cortes, mas deverá elevar o grau de exigência para novas reduções. “Fechar a porta, acho que ele não fecha, mas tem como sinalizar que a barra vai ficar bem mais alta”, disse. Segundo ele, a combinação entre atividade econômica aquecida, inflação persistente e preocupações fiscais tende a limitar o espaço para uma continuidade do ciclo de flexibilização monetária.
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