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Firjan se posiciona contra o governo federal e vê risco a empregos e à política industrial em cota que beneficia somente a BYD
Publicado 26/06/2026 • 21:50 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 26/06/2026 • 21:50 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) entrou na lista das entidades que se posicionaram contra a decisão do governo de renovar cotas de importação para veículos eletrificados desmontados e semidesmontados, os chamados CKD e SKD. A medida, aprovada pelo Gecex, beneficia o modelo defendido pela BYD e ampliou a pressão da indústria nacional sobre o governo.
Em nota divulgada nesta sexta-feira (26), a Firjan afirmou ver com “profunda preocupação” a decisão do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior. Para a entidade, a renovação das cotas pode representar um desafio às políticas industriais propostas pela Nova Indústria Brasil (NIB), programa lançado pelo próprio governo federal para estimular produção local, inovação e desenvolvimento tecnológico.
A manifestação da Firjan amplia o movimento de entidades industriais contra a decisão do Gecex. Antes, Anfavea e Fiesp já haviam criticado a retomada das cotas, sob o argumento de que o governo alterou de surpresa regras que haviam sido pactuadas com o setor e que serviram de base para planos de investimento no país.
Leia também: Anfavea reage à cota que beneficia BYD e diz que decisão do governo põe em xeque confiança da indústria
No caso da Firjan, a crítica mira especialmente o impacto sobre a indústria automotiva fluminense. O setor é um dos principais da economia do Rio de Janeiro e responde por cerca de 11 mil empregos diretos na fabricação e manutenção de veículos e caminhões. Ao longo de toda a cadeia produtiva, são 24 mil postos de trabalho.
A entidade também destacou o peso do Cluster Automotivo do Sul Fluminense, considerado o segundo maior polo industrial automotivo do país. O grupo reúne 28 empresas, incluindo cinco montadoras.
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Siga o Times | CNBCPara a Firjan, o aumento das importações nos últimos anos já impacta diretamente as indústrias do setor automotivo que investem, operam e geram empregos no Brasil. A federação afirma que a renovação das cotas vai na direção oposta à tendência adotada por grandes mercados, como Estados Unidos, União Europeia e Canadá, que elevaram barreiras tarifárias para proteger suas cadeias industriais.
A decisão do Gecex foi tomada na terça-feira (23). O colegiado manteve o cronograma de elevação tarifária para veículos eletrificados importados, mas recriou cotas com alíquota zero para CKD e SKD por seis meses. O governo preservou a tarifa cheia, mas devolveu uma janela de benefício fiscal justamente para os kits importados que a indústria nacional tentava barrar.
Leia também: Governo mantém tarifa de elétricos, mas cede à pressão da BYD com nova cota de importação
Para as entidades industriais, o ponto central não é a transição energética, mas o modelo de desenvolvimento que o Brasil pretende estimular. A crítica é que benefícios à importação, quando prolongados, reduzem o incentivo à produção local, à nacionalização da cadeia e à geração de empregos qualificados.
A Firjan afirma que seguirá atuando em defesa da competitividade empresarial e do desenvolvimento econômico da indústria fluminense. A entidade diz que a renovação das cotas preocupa porque pode afetar investimentos previstos pelo setor no país, a geração de empregos e a adoção de novas tecnologias em território nacional.
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