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Tarifas dos EUA ameaçam mercado premium do etanol brasileiro
Publicado 03/06/2026 • 21:43 | Atualizado há 4 dias
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Publicado 03/06/2026 • 21:43 | Atualizado há 4 dias
KEY POINTS
A possível imposição de tarifas pelos Estados Unidos sobre o etanol brasileiro pode afetar um mercado estratégico para o setor sucroenergético e reacender discussões sobre reciprocidade comercial entre os dois países. Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o fundador da Ledo Consultoria, Marcos Delia, afirmou que o principal ponto de atrito está na tarifa de importação de 18% aplicada pelo Brasil ao etanol americano.
Segundo Delia, a cobrança foi retomada entre o fim de 2023 e o início de 2024, após o encerramento de um sistema de cotas que permitia a entrada de determinado volume de etanol sem incidência de imposto. Para ele, essa mudança passou a ser o principal argumento utilizado por Washington nas discussões comerciais envolvendo o combustível.
O consultor avalia que uma eventual tarifa de 25%, ou mesmo uma alíquota combinada de até 37,5%, teria impacto relevante sobre as exportações brasileiras para os Estados Unidos. Isso porque o produto enviado ao mercado americano atende principalmente a demanda da costa oeste, especialmente da Califórnia, onde há preferência por etanol certificado com baixa pegada de carbono. “É um produto muito nichado. Na medida em que você coloca uma tarifa de 25% ou 37,5%, isso vai prejudicar fortemente a venda desse produto no mercado americano”, afirmou.
Apesar disso, Delia destaca que o volume exportado aos Estados Unidos representa uma parcela relativamente pequena da produção nacional. Segundo ele, o Brasil exporta cerca de 4% de todo o etanol produzido e o volume direcionado ao mercado americano gira em torno de 250 mil metros cúbicos por ano. Na avaliação do especialista, essa quantidade poderia ser absorvida por outros mercados internacionais. O desafio estaria justamente em encontrar compradores para o etanol certificado de baixo carbono, segmento mais restrito e competitivo.
O consultor também observa que o mercado global de etanol é significativamente menor do que o de combustíveis como petróleo e diesel. Brasil e Estados Unidos concentram tanto a produção quanto o consumo mundial do biocombustível e figuram entre os poucos países com excedentes relevantes para exportação. Enquanto o Brasil consome cerca de 31 milhões de metros cúbicos por ano, a União Europeia, por exemplo, utiliza aproximadamente 7 milhões de metros cúbicos e ainda mantém produção própria.
Delia lembra que os dois países já discutiram a possibilidade de atuar conjuntamente para ampliar o uso do etanol no mercado internacional. No entanto, ele avalia que a principal barreira para essa estratégia continua sendo a demanda limitada. “Poucos países utilizam o etanol como o mercado americano usa e o mercado brasileiro usa”, afirmou. Segundo ele, a expansão do consumo global seria o principal caminho para ampliar oportunidades comerciais e reduzir disputas tarifárias entre os maiores produtores do mundo.
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