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Economia Brasileira

Veja os setores brasileiros que seriam poupados e os que podem ser atingidos pela tarifa dos EUA

Publicado 02/06/2026 • 09:16 | Atualizado há 25 minutos

KEY POINTS

  • A proposta dos Estados Unidos de impor uma tarifa extra de 25% sobre produtos brasileiros pode afetar uma ampla parcela das exportações do país.
  • O plano prevê a cobrança da sobretaxa sobre praticamente todas as mercadorias originárias do Brasil, mas estabelece uma extensa lista de exceções.
  • Entre os setores citados pelo USTR estão o de etanol e cadeias ligadas a produtos associados ao desmatamento, como soja, milho, madeira e pecuária.

Reuters

A proposta dos Estados Unidos de impor uma tarifa extra de 25% sobre produtos brasileiros pode afetar uma ampla parcela das exportações do país, caso seja implementada como foi apresentada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR).

O plano prevê a cobrança da sobretaxa sobre praticamente todas as mercadorias originárias do Brasil, mas estabelece uma extensa lista de exceções detalhada em um anexo técnico com centenas de produtos excluídos da medida.

Leia também: EUA propõem tarifa de 25% sobre produtos do Brasil após concluir investigação

Segundo o documento, a iniciativa é resultado de uma investigação sobre práticas brasileiras consideradas prejudiciais ao comércio americano em áreas como serviços digitais, pagamentos eletrônicos, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e fiscalização do desmatamento ilegal.

Entre os setores citados pelo USTR estão o de etanol e cadeias ligadas a produtos associados ao desmatamento, como soja, milho, madeira e pecuária. O órgão americano argumenta que falhas na fiscalização ambiental gerariam vantagens competitivas para parte da produção brasileira.

O etanol aparece como um dos principais pontos da disputa comercial. O USTR afirma que o Brasil abandonou iniciativas de cooperação bilateral para ampliar o comércio do produto e manteve tarifas sobre o etanol americano. O combustível não está entre os produtos excluídos da proposta divulgada.

Embora a tarifa recaia sobre bens importados, o documento também menciona críticas às regras brasileiras para plataformas digitais, decisões judiciais envolvendo redes sociais, ao sistema de pagamentos Pix e à proteção da propriedade intelectual como justificativas para a ação comercial.

Leia também: Pix, etanol e corrupção aparecem entre críticas dos EUA ao novo tarifaço

75 páginas de exceções

Por outro lado, a lista de exceções preserva alguns dos principais produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos.

Entre os itens excluídos da tarifa estão diversos cortes de carne bovina, frescos ou congelados, além de miúdos e outros derivados. O café também foi poupado da medida, incluindo versões torradas, não torradas e descafeinadas.

A relação de produtos isentos inclui ainda frutas e alimentos tropicais, como banana, manga, abacaxi, abacate, coco, mandioca, castanha-do-pará e suco de laranja.

O anexo também exclui uma série de matérias-primas e produtos estratégicos para a economia americana, entre eles minério de ferro, cobre, níquel, alumínio, zinco, grafite natural, caulim, carvão, petróleo bruto, gás natural e energia elétrica.

Aeronaves e peças de aeronaves brasileiras, terras raras, produtos químicos orgânicos, produtos farmacêuticos e fertilizantes também estariam isentos.

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Além desses produtos, a proposta prevê isenção para materiais informativos, doações, bagagens acompanhadas e mercadorias já sujeitas às tarifas da Seção 232 dos Estados Unidos.

De acordo com o USTR, as exclusões foram definidas para evitar riscos de desabastecimento, preservar o acesso a matérias-primas consideradas essenciais e reduzir possíveis impactos sobre cadeias produtivas da economia americana.

A proposta está em consulta pública e poderá receber contribuições até julho, antes da decisão final sobre a implementação das tarifas.

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