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Empresa que pagou consultoria de amiga de Lulinha acumula R$ 81 milhões em contratos federais

Publicado 31/08/2026 • 09:51 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A 3Structure acumula cerca de R$ 81 milhões em seis contratos e aditivos com órgãos federais.
  • Cinco contratos foram assinados a partir de 2023; outro foi fechado em novembro de 2022.
  • A PF investiga a relação entre Cleber Ribas, Roberta Luchsinger e Lulinha e possível atuação na intermediação de negócios.
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, Roberta Luchsinger e Cleber Ribas

Estadão Conteúdo | @Roberta Luchsinger via Instagram | Reprodução/LinkedIn/3Structure

Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, Roberta Luchsinger e Cleber Ribas

A 3Structure, empresa de tecnologia de Cleber Ribas de Oliveira, acumula cerca de R$ 81 milhões em contratos e aditivos com órgãos federais.

A companhia aparece nas investigações da Polícia Federal por ter feito pagamentos à RL Consultoria, de Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

São seis contratos federais. Cinco foram assinados a partir de 2023, já no governo Lula, e um em novembro de 2022. Todos foram firmados por meio de pregão eletrônico ou de ata de registro de preços.

De acordo com o Estadão, os serviços envolvem tecnologia da informação, como soluções de armazenamento de dados, backup, softwares e expansão de infraestrutura.

A PF investiga se Roberta atuava apenas na intermediação legítima de negócios ou se sua relação com Lulinha e outros personagens próximos ao governo era utilizada para obter acesso privilegiado a órgãos públicos.

A 3Structure afirma que participou de licitações em conformidade com as regras aplicáveis às contratações públicas e nega qualquer favorecimento.

Contratos com MDS e Exército

Entre os contratos mais relevantes está um acordo com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.

Em dezembro de 2023, a pasta contratou a 3Structure por cerca de R$ 19,2 milhões. Ao todo, a companhia deve receber R$ 53,1 milhões do ministério até 2031.

A empresa também mantém contrato com o Exército, firmado no fim de 2022, no valor de cerca de R$ 21,8 milhões. Em julho deste ano, foi assinado um termo aditivo no valor de aproximadamente R$ 3,6 milhões.

Há ainda contratos com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), no valor de R$ 2,4 milhões, e com o Instituto Nacional de Educação de Surdos, vinculado ao Ministério da Educação, no valor de R$ 177 mil.

A Telebras também contratou a companhia em 2024 para serviços de armazenamento e gerenciamento de dados na nuvem. O valor não foi informado no extrato disponível.

Leia também: PF rastreia R$ 300 mil em espécie no caso Lulinha

Visitas a órgãos do governo

Roberta também frequentou órgãos federais que, posteriormente, contrataram a 3Structure.

Segundo levantamento do Estadão, ela fez mais de 40 visitas a órgãos do governo desde janeiro de 2023. Desse total, 17 ocorreram no gabinete do ministro Wellington Dias, no Ministério do Desenvolvimento Social.

Meses depois, a pasta assinou um contrato de R$ 19,2 milhões com a 3Structure.

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O ministério afirma que nenhuma reunião entre o ministro e Roberta resultou em ato administrativo e que Wellington Dias mantém com ela uma relação de amizade de longa data.

Não há comprovação, até o momento, de que as visitas tenham interferido nas licitações ou nos contratos firmados pela empresa.

Pagamentos à consultoria da lobista

A relação entre Cleber Ribas e Roberta também era comercial.

A Polícia Federal identificou pelo menos R$ 2,5 milhões em pagamentos de Ribas a Roberta entre março de 2024 e dezembro de 2025. Os investigadores apuram se Lulinha foi destinatário de benefícios ou teve despesas custeadas com recursos ligados a essas operações.

Mensagens analisadas pela PF mostram ainda que Roberta e Ribas discutiram um contrato de intermediação com remuneração vinculada ao sucesso de negócios envolvendo o governo.

Em uma das tratativas, uma minuta previa uma comissão de 15% sobre um eventual contrato com a Dataprev. O negócio não chegou a se concretizar.

A PF investiga se Lulinha e Fernando Bittar, amigo de longa data do filho do presidente, participavam dessas operações ou eram beneficiados por elas. As defesas negam a existência de sociedade oculta ou de favorecimento ilícito.

Contratos também no Maranhão

A 3Structure também firmou contratos com o governo do Maranhão. Os quatro acordos somam cerca de R$ 5,8 milhões e foram assinados entre maio e dezembro de 2024.

Mensagens encontradas pela PF mostram Roberta tratando com Lulinha de uma reunião envolvendo o governador Carlos Brandão e o governo federal.

A defesa do governador nega qualquer articulação por parte de Roberta e afirma que a agenda oficial de Brandão não depende da atuação da lobista.

Também há registro de uma foto em que Roberta, Cleber Ribas e Lulinha aparecem juntos em Barreirinhas, no Maranhão.

PF investiga rede de intermediação

As relações entre Roberta, Cleber Ribas e Lulinha aparecem em uma das frentes abertas pela Polícia Federal sobre a atuação do filho do presidente.

Os investigadores tentam esclarecer se Roberta era contratada apenas para fazer lobby e intermediar negócios ou se empresários também pagavam pela expectativa de acesso a pessoas próximas ao governo.

Roberta nega irregularidades e afirma que sua atuação profissional é legal. A defesa de Lulinha também nega participação em operações ilícitas e contesta a interpretação da PF sobre as mensagens analisadas nos inquéritos.

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