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Empresa que pagou consultoria de amiga de Lulinha acumula R$ 81 milhões em contratos federais
Publicado 31/08/2026 • 09:51 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 31/08/2026 • 09:51 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A 3Structure, empresa de tecnologia de Cleber Ribas de Oliveira, acumula cerca de R$ 81 milhões em contratos e aditivos com órgãos federais.
A companhia aparece nas investigações da Polícia Federal por ter feito pagamentos à RL Consultoria, de Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
São seis contratos federais. Cinco foram assinados a partir de 2023, já no governo Lula, e um em novembro de 2022. Todos foram firmados por meio de pregão eletrônico ou de ata de registro de preços.
De acordo com o Estadão, os serviços envolvem tecnologia da informação, como soluções de armazenamento de dados, backup, softwares e expansão de infraestrutura.
A PF investiga se Roberta atuava apenas na intermediação legítima de negócios ou se sua relação com Lulinha e outros personagens próximos ao governo era utilizada para obter acesso privilegiado a órgãos públicos.
A 3Structure afirma que participou de licitações em conformidade com as regras aplicáveis às contratações públicas e nega qualquer favorecimento.
Entre os contratos mais relevantes está um acordo com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.
Em dezembro de 2023, a pasta contratou a 3Structure por cerca de R$ 19,2 milhões. Ao todo, a companhia deve receber R$ 53,1 milhões do ministério até 2031.
A empresa também mantém contrato com o Exército, firmado no fim de 2022, no valor de cerca de R$ 21,8 milhões. Em julho deste ano, foi assinado um termo aditivo no valor de aproximadamente R$ 3,6 milhões.
Há ainda contratos com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), no valor de R$ 2,4 milhões, e com o Instituto Nacional de Educação de Surdos, vinculado ao Ministério da Educação, no valor de R$ 177 mil.
A Telebras também contratou a companhia em 2024 para serviços de armazenamento e gerenciamento de dados na nuvem. O valor não foi informado no extrato disponível.
Leia também: PF rastreia R$ 300 mil em espécie no caso Lulinha
Roberta também frequentou órgãos federais que, posteriormente, contrataram a 3Structure.
Segundo levantamento do Estadão, ela fez mais de 40 visitas a órgãos do governo desde janeiro de 2023. Desse total, 17 ocorreram no gabinete do ministro Wellington Dias, no Ministério do Desenvolvimento Social.
Meses depois, a pasta assinou um contrato de R$ 19,2 milhões com a 3Structure.
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Siga o Times | CNBCO ministério afirma que nenhuma reunião entre o ministro e Roberta resultou em ato administrativo e que Wellington Dias mantém com ela uma relação de amizade de longa data.
Não há comprovação, até o momento, de que as visitas tenham interferido nas licitações ou nos contratos firmados pela empresa.
A relação entre Cleber Ribas e Roberta também era comercial.
A Polícia Federal identificou pelo menos R$ 2,5 milhões em pagamentos de Ribas a Roberta entre março de 2024 e dezembro de 2025. Os investigadores apuram se Lulinha foi destinatário de benefícios ou teve despesas custeadas com recursos ligados a essas operações.
Mensagens analisadas pela PF mostram ainda que Roberta e Ribas discutiram um contrato de intermediação com remuneração vinculada ao sucesso de negócios envolvendo o governo.
Em uma das tratativas, uma minuta previa uma comissão de 15% sobre um eventual contrato com a Dataprev. O negócio não chegou a se concretizar.
A PF investiga se Lulinha e Fernando Bittar, amigo de longa data do filho do presidente, participavam dessas operações ou eram beneficiados por elas. As defesas negam a existência de sociedade oculta ou de favorecimento ilícito.
A 3Structure também firmou contratos com o governo do Maranhão. Os quatro acordos somam cerca de R$ 5,8 milhões e foram assinados entre maio e dezembro de 2024.
Mensagens encontradas pela PF mostram Roberta tratando com Lulinha de uma reunião envolvendo o governador Carlos Brandão e o governo federal.
A defesa do governador nega qualquer articulação por parte de Roberta e afirma que a agenda oficial de Brandão não depende da atuação da lobista.
Também há registro de uma foto em que Roberta, Cleber Ribas e Lulinha aparecem juntos em Barreirinhas, no Maranhão.
As relações entre Roberta, Cleber Ribas e Lulinha aparecem em uma das frentes abertas pela Polícia Federal sobre a atuação do filho do presidente.
Os investigadores tentam esclarecer se Roberta era contratada apenas para fazer lobby e intermediar negócios ou se empresários também pagavam pela expectativa de acesso a pessoas próximas ao governo.
Roberta nega irregularidades e afirma que sua atuação profissional é legal. A defesa de Lulinha também nega participação em operações ilícitas e contesta a interpretação da PF sobre as mensagens analisadas nos inquéritos.
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