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Motoristas de aplicativo recebem até R$ 6,69 a menos por hora trabalhada fora das regiões metropolitanas, revela levantamento

Publicado 31/08/2026 • 09:45 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Dados levantados pela GigU indicam que motoristas de cidades do interior podem ter lucro por hora significativamente inferior ao registrado nas capitais e regiões metropolitanas.
  • Um motorista que atua na Região Metropolitana da capital paulista registra lucro médio de R$ 15,57 por hora, equivalente a uma margem líquida de 43,6%
  • No noroeste paulista, onde estão municípios como Barretos, São José do Rio Preto e Votuporanga, o valor médio recua para R$ 10,11 por hora, com margem de 33%.

O avanço dos aplicativos de transporte transformou a mobilidade urbana e abriu uma nova frente de geração de renda no Brasil. Embora o país tenha se tornado o maior mercado da Uber em volume de transações, os ganhos obtidos pelos motoristas apresentam diferenças relevantes conforme a região em que trabalham.

Desde a chegada da plataforma ao Brasil, em 2014, mais de 140 milhões de brasileiros já fizeram pelo menos uma viagem pelo aplicativo, segundo Silvia Penna, CEO da Uber no país. No mesmo período, mais de 2 milhões de motoristas utilizaram a plataforma como fonte de renda.

A dimensão desse mercado, porém, não significa que as condições de trabalho sejam semelhantes em todo o território nacional. Dados levantados pela GigU indicam que motoristas de cidades do interior podem ter lucro por hora significativamente inferior ao registrado nas capitais e regiões metropolitanas.

Leia também: Uber é investigada pelo CADE após denúncia de startup que calcula ganhos reais de motoristas por corrida

Diferença supera R$ 1 mil por mês em São Paulo

No estado de São Paulo, um motorista que atua na Região Metropolitana da capital registra lucro médio de R$ 15,57 por hora, equivalente a uma margem líquida de 43,6%. No noroeste paulista, onde estão municípios como Barretos, São José do Rio Preto e Votuporanga, o valor médio recua para R$ 10,11 por hora, com margem de 33%.

A diferença chega a R$ 5,46 a cada hora trabalhada. Considerando uma jornada de aproximadamente 200 horas mensais, a distância entre os rendimentos ultrapassa R$ 1 mil por mês e pode superar R$ 13 mil em um ano.

Minas Gerais registra maior diferença

Entre as regiões analisadas, Minas Gerais apresenta uma das maiores disparidades. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o lucro médio calculado é de R$ 16,05 por hora. No Triângulo Mineiro, cai para R$ 9,36, diferença de R$ 6,69 por hora.

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O levantamento também identifica variações no Rio de Janeiro e na Bahia. Na capital fluminense, o ganho médio chega a R$ 18,49 por hora, enquanto cidades como Angra dos Reis e Volta Redonda registram R$ 12,24. Já em Salvador, a média é de R$ 14,74, contra R$ 8,88 em municípios como Eunápolis e Porto Seguro.

Demanda e tempo entre corridas afetam resultado

A diferença de rentabilidade está relacionada à dinâmica de cada mercado. Entre os fatores que interferem no resultado estão a quantidade de passageiros disponíveis, o intervalo entre uma corrida e outra, a distância percorrida para buscar o usuário, as tarifas cobradas e os custos necessários para manter o veículo em circulação.

Regiões mais densamente povoadas também tendem a permitir que os motoristas realizem mais viagens em um mesmo período. A oferta de modalidades com tarifas mais altas pode ampliar essa diferença.

Leia também: Uber é alvo de ação de R$ 321 milhões do MPT por programa que cobra taxa de motoristas

“Capitais e regiões metropolitanas concentram maior volume de corridas, maior incidência de tarifas dinâmicas e presença mais forte de categorias premium, como Comfort e Black, que elevam o tíquete médio. Além disso, a densidade urbana reduz o tempo ocioso entre chamadas, permitindo um maior número de viagens por hora”, afirma Luiz Gustavo Neves, CEO e cofundador da GigU.

Os números mostram que a expansão dos aplicativos como alternativa de trabalho não produziu um padrão único de rentabilidade. Mesmo dentro de um mesmo estado, o local onde o motorista atua pode representar uma diferença expressiva no valor que efetivamente permanece com o profissional depois dos custos da atividade.

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