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Escândalo no BRB expõe falhas de fiscalização e exige revisão do sistema financeiro, diz ex-chefe da Febraban

Publicado 16/04/2026 • 13:13 | Atualizado há 36 minutos

KEY POINTS

  • Economista afirma que caso envolvendo BRB e Banco Master revela problemas de governança, falta de auditoria externa e falhas na supervisão bancária.
  • Ex-economista-chefe da Febraban critica ausência de transparência no BRB e questiona modelo de atuação de bancos públicos regionais no Brasil.
  • Troster também defende mudanças estruturais no Banco Central, na CVM e no Conselho Monetário Nacional para evitar novos escândalos.

O escândalo envolvendo o BRB, o Banco Master e suspeitas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro evidencia fragilidades graves no sistema de fiscalização bancária brasileiro e exige uma revisão profunda dos mecanismos de controle, segundo o economista Roberto Troster, sócio da Troster & Associados e ex-economista-chefe da Febraban.

Em entrevista ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta quinta-feira (16), Troster classificou o episódio como uma “vergonha” e apontou três falhas centrais: ausência de auditoria externa robusta, análise superficial dos resultados financeiros e deficiência nos mecanismos internos de conferência.

Todos os sistemas e todos os seres humanos são imperfeitos. Você tem que acompanhar melhor isso”, afirmou. Para ele, auditorias internas não bastam em casos dessa dimensão. “Falaram que vão fazer auditoria interna. Não, precisa de auditoria externa, alguém de fora. Sempre o de dentro tenta ser menos objetivo do que deveria”, declarou.

Segundo Troster, instituições internacionais como FMI, Banco da Inglaterra e Banco do Canadá utilizam revisões independentes para ampliar credibilidade e impedir a perpetuação de vícios internos.

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Lucro atípico deveria ter acendido alerta

O economista também criticou a forma como bancos, agências de rating e auditorias avaliam instituições financeiras.

Na visão dele, o mercado costuma olhar apenas indicadores tradicionais, como liquidez, alavancagem e rentabilidade, sem examinar adequadamente como os lucros são gerados. “Tinha que olhar como o lucro é gerado”, disse.

Troster citou especificamente o Banco Master, afirmando que 83% do lucro da instituição viria de operações atípicas. Segundo ele, havia compras e vendas de ativos com reavaliações que inflavam resultados contábeis. “Esse tipo de engenharia financeira, entre aspas, fez com que o lucro aumentasse muito”, afirmou.

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BRB perdeu transparência

Ao comentar a situação específica do BRB, Troster disse que a falta de divulgação de balanços e atrasos na transparência são sinais clássicos de alerta no setor bancário. “Ninguém esconde um quadro bom, você só esconde um quadro ruim”, declarou.

Embora tenha evitado fazer julgamento direto sobre a reputação do banco no mercado, o economista disse que instituições financeiras precisam transmitir previsibilidade e clareza aos investidores e correntistas.

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Para ele, bancos regionais precisam manter foco em suas missões originais. “Banco de Brasília devia focar em Brasília e atender os cidadãos de Brasília, ponto”, afirmou. Troster questionou a expansão geográfica de bancos públicos estaduais ou regionais para outros mercados sem justificativa clara de interesse público.

Mais bancos não significa crédito melhor

O ex-economista-chefe da Febraban também contestou a ideia de que aumentar o número de bancos automaticamente reduz custos e melhora o sistema financeiro.

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Segundo ele, no setor bancário há riscos específicos, como a chamada diluição de dívidas, em que múltiplas instituições ampliam crédito sem adequada precificação de risco. “Mais bancos não quer dizer mais barato”, afirmou.

Troster citou números preocupantes do mercado brasileiro, com 81 milhões de cidadãos negativados e perdas bancárias de R$ 276 bilhões em crédito no ano passado. “Você tem um modelo que não funciona”, resumiu.

Para ele, ampliar concorrência sem regras adequadas pode gerar uma disputa predatória entre instituições.

Banco Central precisa ser redesenhado

Questionado sobre autonomia financeira do Banco Central, Troster afirmou que a medida, isoladamente, não resolveria problemas como os revelados no caso BRB.

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Na avaliação dele, a autonomia plena deveria se concentrar no Copom (Comitê de Política Monetária), com estrutura técnica independente.

Ele também sugeriu separar o sistema de pagamentos, como o Pix, da estrutura do Banco Central e unificar a supervisão hoje dividida entre Banco Central e CVM. “O que deveria fazer é unir a supervisão”, disse.

Conselho Monetário precisa de mais vozes

Troster defendeu ainda uma reformulação do Conselho Monetário Nacional (CMN), atualmente composto por representantes da Fazenda, Planejamento e Banco Central. Segundo ele, o órgão deveria incorporar representantes do setor financeiro, indústria, comércio e academia.

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“Deveria ser o cérebro do sistema financeiro e da economia”, afirmou. Para o economista, boa parte das estruturas atuais está defasada. “A CVM é de 1976, o Banco Central é de 1964. Você precisa mudar um pouquinho”, concluiu.

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