CNBC

CNBCFedEx registra resultados fortes no último trimestre com operação de cargas ainda incluída

Notícias do Brasil

Eventual liquidação do Digimais pode elevar fatura do FGC para R$ 60 bilhões

Publicado 23/06/2026 • 22:41 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • O Digimais tinha R$ 8,4 bilhões em depósitos a prazo em março, mas ainda não há definição sobre quanto desse valor seria elegível à cobertura do FGC.
  • Segundo a PF, a venda do Digimais ao BTG dependeria de um aporte de R$ 7 bilhões do FGC para cobrir o déficit da instituição.
  • A investigação aponta que o banco manteve ativos inflados nos balanços mesmo após determinação do Banco Central para correção contábil.
FGC

Foto: FGC

FGC

Uma eventual liquidação do Banco Digimais pode elevar a fatura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para até R$ 60 bilhões neste ano, o que aumentaria ainda mais a pressão sobre o sistema após os desembolsos bilionários relacionados ao lconglomerado Master.

O banco ligado ao bispo Edir Macedo é alvo de investigação da Polícia Federal. Segundo a PF, o Digimais teria replicado práticas atribuídas ao Banco Master, com ativos superavaliados, captação de recursos apoiada na garantia do FGC e risco de transferência de prejuízo ao fundo garantidor. O cálculo da estimativa do novo rombo foi divulgado pela colunista Mariana Barbosa, do UOL.

Até maio, o FGC já havia desembolsado cerca de 93% do total de R$ 51,8 bilhões devidos a investidores com títulos de renda fixa dos bancos do conglomerado Master, incluindo Will Bank e Letsbank, além do Banco Pleno, que pertenceu ao Master. O Digimais tinha, em março, R$ 8,4 bilhões em depósitos a prazo, mas ainda não se sabe quanto desse valor é elegível à cobertura do FGC.

A PF afirma que a proposta de venda do controle societário do Digimais ao BTG Pactual estaria condicionada a uma injeção estrutural de recursos do FGC. A necessidade de aporte seria de R$ 7 bilhões, valor destinado a cobrir o déficit da instituição.

Para os investigadores, a estrutura permitiria que administradores e controladores preservassem seus patrimônios enquanto parte relevante do prejuízo seria transferida ao fundo garantidor. A PF classificou esse movimento como uma “terceirização do ônus financeiro” para o FGC.

Caso a transação com o BTG não se concretize, afirmaram os federais, a liquidação do banco poderia ser decretada. Nesse cenário, o FGC teria de ser acionado para ressarcir depositantes cobertos pela garantia, o que aumentaria a pressão sobre o fundo em um ano já marcado pela quebra do Master.

Leia também: Caso Digimais deve ficar restrito, mas pode abalar confiança em bancos médios

PF vê modelo parecido com o Master

Apesar de não pertencer ao conglomerado Master, o Digimais operava, segundo a investigação, de modo semelhante ao banco de Daniel Vorcaro. A PF aponta que a instituição teria inflado patrimônio por meio de uma estrutura de fundos com ativos superavaliados.

Essa sobrevalorização permitiria ao banco captar mais recursos via plataformas de investimento usando a garantia do FGC como atrativo para depositantes. Assim como o Master, o Digimais também atuava no segmento de crédito consignado para servidores públicos.

Segundo a investigação, o banco teria se aproveitado da confiança dos investidores na cobertura oferecida pelo FGC para emitir títulos com rentabilidade desproporcional aos indicadores de mercado.

A PF também aponta que a fraude atribuída ao Digimais teria sido estruturada por meio de fundos ligados à corretora ID, cujos sócios e gestores têm origem no Banco Máxima, nome original do Banco Master.

BC mandou corrigir ativos inflados

A investigação teve como base um processo eletrônico de supervisão bancária encaminhado pelo Banco Central à Polícia Federal. No documento, a fiscalização afirmou ter identificado irregularidades cometidas por gestores do Digimais que poderiam configurar fatos criminosos.

Segundo o Banco Central, o Digimais registrou nos balanços cotas do Hermon Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios Não Padronizados por R$ 741,3 milhões. O fundo detinha direitos de crédito originados de uma ação de indenização ajuizada em 1967 por herdeiros da família Villela contra a União.

A PF afirma que ativos comprados por R$ 71 milhões passaram a aparecer nos registros patrimoniais por R$ 741,3 milhões após sucessivas reavaliações feitas com base em pareceres jurídicos.

Durante auditoria, o Banco Central apontou infração às normas nas reavaliações de patrimônio. Em termo de comparecimento lavrado em 26 de outubro de 2023, a autarquia determinou a reversão das rendas para que os valores das cotas retornassem ao custo de aquisição de R$ 71 milhões.

O Digimais, então, solicitou o parcelamento do impacto da correção na contabilidade do banco ao longo de cinco anos.

Venda à controladora manteve valor no balanço

Times Brasil - CNBC

Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Siga o Times | CNBC

Apesar da determinação do Banco Central, o Digimais celebrou, em 29 de dezembro de 2025, um contrato de compra e venda a prazo das cotas de fundos com sua controladora, a B.A. Empreendimentos e Participações, pelo valor total de R$ 741,3 milhões.

Segundo a Polícia Federal, não houve ingresso de recursos no caixa da instituição financeira. O contrato previa pagamento apenas em 2032 e, de acordo com os investigadores, envolvia a reversão das provisões determinadas pelo Banco Central.

Para a equipe de fiscalização do BC, a alienação das cotas manteve nos demonstrativos contábeis do Digimais os valores gerados pelas reavaliações dos ativos. O registro foi feito na rubrica de valores a receber do controlador, o que teria funcionado como forma de burlar a determinação anterior de correção.

Segundo a investigação, o banco substituiu as cotas superavaliadas por um valor a receber da própria controladora, preservando no balanço a aparência de patrimônio que o Banco Central havia mandado corrigir.

PF vê indícios de gestão fraudulenta

No relatório encaminhado à Polícia Federal, o Banco Central afirmou que a operação superou os limites de exposição de crédito previstos nas normas do Conselho Monetário Nacional.

Segundo o BC, a transação excedeu o teto de 10% do patrimônio líquido ajustado da instituição, gerando extrapolação de limite de R$ 699,6 milhões.

O documento também apontou que a operação previa incidência de IPCA mais 0,5% ao ano. Para o Banco Central, isso caracterizaria remuneração de capital no tempo e transformaria a transação em um financiamento ao controlador, reforçando indícios de operação vedada pela Lei de Crimes do Colarinho Branco.

Segundo a PF, o banco estaria financiando seu próprio controlador ao longo do tempo, assumindo risco de crédito decorrente do prazo. A investigação afirma que esse mecanismo permitia ao Digimais manter aparência de boa saúde financeira nos balanços, induzindo investidores e o Banco Central a erro.

Para os federais, a articulação de fundos de investimento para mascarar a aquisição de direitos creditórios por valores inferiores aos declarados na avaliação, com uso de pareceres para inflar o patrimônio da instituição, configura indícios de crime de gestão fraudulenta.

A PF concluiu ainda que a manutenção de informações em desconformidade com a realidade patrimonial nos demonstrativos contábeis, mesmo após determinação de correção pelo Banco Central, reforça a suspeita de irregularidades.

Os investigadores também apontaram que a venda das cotas em uma estrutura que beneficiaria a controladora, com desrespeito aos limites de crédito e previsão de remuneração por vários anos, pode se enquadrar como operação vedada pela Lei nº 7.492/1986.

Leia também: Digimais já mostrava fragilidade em ativos e liquidez antes de rebaixamento

Novo baque no FGC

A possível liquidação do Digimais recoloca o FGC no centro da crise envolvendo bancos médios. No caso do Master, o fundo já foi chamado a cobrir dezenas de bilhões de reais em garantias a investidores.

No Digimais, a PF sustenta que a confiança dos depositantes na proteção oferecida pelo FGC teria sido usada como parte da estratégia de captação de recursos. Para os investigadores, a instituição emitia títulos com rentabilidade fora dos padrões de mercado, aproveitando a percepção de segurança dada pela cobertura do fundo.

A investigação afirma que, se a venda ao BTG depender de aporte bilionário do FGC ou se a liquidação for decretada, o prejuízo gerado por práticas de gestão questionadas pelo Banco Central poderá acabar transferido ao sistema garantidor.

Para a PF, o uso de instrumentos de assistência em cenários envolvendo delitos atribuídos a controladores ou administradores pode blindar pessoas que operaram à margem da lei e contrariar a finalidade do FGC, criado para proteger poupadores e preservar a confiança no sistema financeiro.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Notícias do Brasil