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Ex-presidente do BRB diz à PF que Ibaneis ordenou venda de ações ao Banco Master
Publicado 30/10/2026 • 14:09 | Atualizado há 48 minutos
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Publicado 30/10/2026 • 14:09 | Atualizado há 48 minutos
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Wikimedia Commons
Ibaneis Rocha (MDB), governador do Distrito Federal
O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, afirmou à Polícia Federal (PF) que o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), determinou a estruturação de uma operação para transferir ações da instituição ao Banco Master. Segundo o depoimento, a orientação ocorreu em setembro de 2024 e envolvia uma participação de aproximadamente 16% do BRB, pertencente ao instituto de previdência do Distrito Federal.
A declaração foi apresentada durante as investigações sobre as relações financeiras entre as duas instituições. Costa também relatou a existência de um projeto para criar uma holding financeira que reuniria o banco público e o Master, então controlado pelo empresário Daniel Vorcaro.
O ex-dirigente afirmou ter considerado a proposta semelhante a uma privatização indireta do BRB, instituição responsável por operações financeiras relacionadas à administração pública e a programas sociais do Distrito Federal.
De acordo com o depoimento, Costa participou de um jantar em que estavam presentes Ibaneis Rocha e Daniel Vorcaro. Segundo informações da Folha de S. Paulo, durante o encontro, o então governador teria solicitado que o presidente do BRB organizasse a venda de uma parcela das ações do banco ao Master.
O ex-presidente afirmou que já mantinha contato com Vorcaro naquele período porque o BRB realizava operações de cessão de crédito com a instituição privada. Essas transações envolviam a transferência de carteiras de crédito entre os bancos.
Costa também declarou que, no dia seguinte ao jantar, procurou Ibaneis para tentar convencê-lo a abandonar a proposta. Segundo ele, o BRB apresentava resultados financeiros que não justificavam uma operação dessa natureza, além de desempenhar funções importantes para o funcionamento do governo distrital.
Leia também: Ex-presidente do BRB diz à PF que negócio com Master foi acertado por Ibaneis Rocha e Daniel Vorcaro
Ainda conforme o relato à Polícia Federal, a determinação atribuída a Ibaneis resultou na elaboração de uma minuta de acordo entre acionistas. O documento previa a formação de uma holding financeira envolvendo o BRB e o Banco Master.
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Siga o Times | CNBCNesse modelo, uma empresa controladora deteria participações em ambas as instituições. Paulo Henrique Costa afirmou que assumiria a presidência da nova estrutura, mas precisaria deixar o comando do BRB e se desvincular de outros cargos públicos, em razão da concorrência existente no setor bancário privado.
A proposta não se limitava, portanto, à transferência de ações. Ela também previa mudanças na organização administrativa e na estrutura de controle dos negócios envolvidos.
Uma auditoria realizada no BRB identificou indícios de que a operação de aumento de capital executada em 2024 poderia ter facilitado a entrada indireta de Daniel Vorcaro e de outros sócios na composição acionária do banco público.
Outro ponto examinado pela Polícia Federal envolve a aquisição de carteiras de crédito da instituição privada. Os investigadores identificaram que o Banco Master havia elevado artificialmente o valor de carteiras compostas por créditos de baixa qualidade.
O depoimento de Paulo Henrique Costa aborda ainda o recebimento de imóveis vinculados ao então proprietário do Banco Master.
Segundo a investigação da Polícia Federal, o ex-presidente do BRB teria recebido seis imóveis de alto padrão, localizados em São Paulo e no Distrito Federal. Os bens estariam relacionados à viabilização da compra de carteiras de crédito consideradas fraudulentas no caso envolvendo o Master.
Costa apresentou uma justificativa específica para parte dessas propriedades. Ele afirmou que, caso assumisse a presidência da holding prevista no acordo, precisaria estabelecer residência fixa em São Paulo. De acordo com o ex-dirigente, a necessidade de morar na capital paulista e a possibilidade de continuar exercendo responsabilidades como conselheiro do BRB explicariam a exigência de uma residência na cidade.
A Polícia Federal, por sua vez, trabalha com a hipótese de que os imóveis teriam sido utilizados como contrapartida para facilitar as operações financeiras investigadas. A suspeita ainda integra a apuração.
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