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Expectativa de corte da Selic desloca atenção do mercado para sinalizações do Banco Central sobre próximos passos

Publicado 05/08/2026 • 11:45 | Atualizado há 59 minutos

KEY POINTS

  • Com a expectativa praticamente unânime de um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, para 14% ao ano, o foco do mercado está menos na decisão do Copom e mais na comunicação que acompanhará o anúncio do BC.
  • Para Gabriel Cecco, sócio da Valor Investimentos, o principal ponto de atenção será identificar se a autoridade monetária deixará espaço para novas reduções dos juros ao longo dos próximos meses.
  • Segundo Gabriel, o corte de 0,25% é praticamente unânime hoje.

Com a expectativa praticamente unânime de um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, para 14% ao ano, o foco do mercado está menos na decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) e mais na comunicação que acompanhará o anúncio do Banco Central. Para Gabriel Cecco, sócio da Valor Investimentos, o principal ponto de atenção será identificar se a autoridade monetária deixará espaço para novas reduções dos juros ao longo dos próximos meses.

Segundo Gabriel, o corte de 0,25% é praticamente unânime hoje. “Então, a gente realmente está muito mais de olho com a comunicação, se vai haver brecha para novos cortes ao longo do ano. O Boletim Focus, por exemplo, precifica mais um corte de 0,25, então com a Selic terminal em 13,75%. Essa ata da reunião pode nos indicar se isso também está nos planos do Banco Central e não só dos agentes de mercado”, afirmou.

Segundo Cecco, a recente desaceleração da inflação contribui para a decisão esperada do Copom, mas está longe de ser o único fator considerado pela autoridade monetária. “Com certeza esse alívio da inflação é um insumo importante na hora dessa tomada de decisão, além de outros vários”, disse. Entre eles, ele cita a desaceleração da atividade industrial, apontada por indicadores recentes, e riscos externos capazes de pressionar novamente os preços.

Leia também: Ata do Copom fala em ajustar próximas decisões da Selic conforme evoluir cenário de inflação

O especialista destaca que parte da queda recente da inflação está relacionada à redução dos preços do petróleo, mas alerta que esse movimento pode ser temporário. “O petróleo vem ajudando a reduzir a inflação, mas infelizmente não é através de um mercado racional de oferta e demanda. É por conta de uma canetada. Da mesma forma que baixou, amanhã os conflitos podem voltar a se desdobrar e esse petróleo voltar a subir.”

Outro fator monitorado pelo Banco Central é a possibilidade de impactos climáticos sobre os preços dos alimentos. Segundo Cecco, esses choques fogem do controle da política monetária, mas precisam ser considerados na definição dos juros.

Ele também ressalta que a Selic, embora seja o principal instrumento de combate à inflação, não resolve sozinha o problema. “A Selic é o principal remédio para conter a inflação, mas não é o único. O ambiente fiscal é super importante e a gente tem o fiscal deteriorado. O mercado enxerga isso como um ambiente muito ruim. Esse fiscal deteriorado pressiona a inflação futura.”

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Na avaliação do especialista, outro desafio enfrentado pelo Copom é o intervalo entre a decisão sobre os juros e seus efeitos na economia. Por isso, o Banco Central trabalha com projeções para os próximos trimestres, e não apenas com os dados atuais. “O BC é um transatlântico, não é um jet ski. As coisas não acontecem do dia para a noite”, afirmou.

Cecco explica que a decisão de política monetária busca influenciar a inflação futura. O Central não toma decisões olhando para a inflação de hoje. Ele olha onde a inflação deve estar no período em que os efeitos dos juros serão sentidos com mais força, explicou Gabriel.

Apesar da melhora recente dos indicadores de inflação, ele avalia que ainda há incertezas relevantes no cenário econômico, o que exige cautela por parte do Copom. Em sua avaliação, a condução da política monetária continuará sendo influenciada por fatores como o mercado de trabalho aquecido, o aumento da circulação de recursos na economia e o cenário fiscal. “O desemprego está muito baixo, então o dinheiro está rodando. Benefícios sociais estão em alta, a gente está em ano eleitoral, então tem muito dinheiro circulando e que ainda vai circular nesses próximos meses. Isso pressiona a inflação”, pontua.

Leia também: Corte de juros deve continuar, mas petróleo preocupa Copom

Na visão do especialista, o ambiente político também adiciona incertezas às expectativas econômicas. “A gente volta para a questão do fiscal. A responsabilidade fiscal tem um papel muito importante. O cenário não está tão confortável assim quanto parece. A inflação está melhor, dá para cortar agora, mas também precisa olhar mais a longo prazo.”

Ele conclui que as decisões do Banco Central precisam ser constantemente reavaliadas diante de um cenário de elevada volatilidade. “É uma decisão viva, que daqui a 45 dias pode precisar ser corrigida, outro rumo ser tomado, justamente por conta desse ambiente de tanta dificuldade.”

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