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Fraudes no RioPrevidência e no Banco Master expõem falhas graves de fiscalização; ‘sistema de controle analógico’, diz economista
Publicado 26/05/2026 • 11:48 | Atualizado há 24 minutos
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Publicado 26/05/2026 • 11:48 | Atualizado há 24 minutos
KEY POINTS
A nova fase da Operação Compliance Zero reacendeu o debate sobre a fragilidade dos mecanismos de fiscalização no sistema financeiro brasileiro e os riscos envolvendo fundos previdenciários públicos, segundo avaliação do economista e professor de mercado financeiro da Universidade de Brasília, César Bergo.
Em entrevista nesta terça-feira (26) ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ele afirmou que os aportes bilionários do Rioprevidência em operações ligadas ao Banco Master revelam um cenário de falhas regulatórias e gestão temerária de recursos destinados à aposentadoria de servidores públicos.
Segundo o especialista, os desvios investigados pela Polícia Federal somam cerca de US$ 3 bilhões (R$ 15,1 bilhões), considerando as apurações da Operação Compliance Zero e da Operação Barco de Papel. Para ele, o principal impacto recai justamente sobre os beneficiários dos fundos de pensão.
“Quem sai perdendo nisso tudo é o beneficiário”, afirmou Bergo. Ele comparou o caso atual a episódios anteriores envolvendo fundos como Funcef, Postalis e Petros, nos quais trabalhadores acabaram obrigados a contribuir para cobrir rombos financeiros provocados por má gestão e fraudes.
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O professor afirmou que o Rioprevidência teria desrespeitado regras básicas de compliance e de investimentos ao direcionar volumes considerados excessivos para operações investigadas como fraudulentas. “É uma gestão totalmente fora do padrão”, disse.
Um dos pontos mais criticados por César Bergo foi a atuação dos órgãos reguladores responsáveis pela supervisão dos fundos previdenciários e do sistema financeiro. Segundo ele, estruturas como Previc, Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e até o próprio Banco Central falharam ao não detectar irregularidades em operações bilionárias.
“Como que um fundo de previdência pode fazer um investimento desse montante e ninguém vê?”, questionou. Para o economista, o fato de a investigação ter avançado principalmente por meio da Polícia Federal – e não por auditorias regulares – evidencia uma deficiência estrutural dos mecanismos de supervisão.
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Bergo também demonstrou preocupação com relatos de envolvimento de servidores ligados ao Banco Central nas investigações. Na avaliação dele, episódios desse tipo afetam diretamente a credibilidade institucional do sistema financeiro brasileiro.
Embora o Banco Central tenha sustentado que o caso do Banco Master não gerou risco sistêmico, o professor afirmou discordar dessa interpretação. Segundo ele, o problema não se limita à eventual quebra de instituições financeiras, mas atinge a confiança do mercado como um todo.
“O risco sistêmico não está ligado apenas à quebra de um banco, está também na confiança e fidúcia do sistema”, afirmou. O economista citou estimativas de prejuízo de cerca de R$ 50 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e classificou o cenário como extremamente delicado.
Segundo Bergo, a utilização fraudulenta de instrumentos financeiros importantes, como fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) e certificados de operações estruturadas (COEs), tende a ampliar a insegurança dos investidores. Ele afirmou que a situação também prejudica a atração de capital estrangeiro para projetos produtivos no Brasil.
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Seguir no GoogleNa avaliação do professor, o avanço das fraudes financeiras exige respostas mais rápidas dos órgãos de regulação e autorregulação do mercado. Ele criticou a demora na implementação de novas normas para bancos médios e afirmou que os mecanismos atuais de fiscalização operam em velocidade inferior à das fraudes digitais.
“O sistema de fraude anda em termos virtuais e o nosso sistema de controle é analógico”, disse. Para ele, entidades como Anbima e Ancord também deveriam exercer atuação mais rigorosa no acompanhamento das operações financeiras do mercado.
Bergo defendeu ainda uma postura mais independente e firme do Banco Central diante das instituições financeiras. Segundo ele, o mercado precisa recuperar a sensação de segurança e previsibilidade para evitar novos episódios de perda de confiança.
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