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Guerra paralisa fluxo de petróleo no Golfo; retomada da produção pode levar semanas ou meses
Publicado 14/03/2026 • 00:17 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 14/03/2026 • 00:17 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
Refinaria nos Emirados Árabes
A guerra no Oriente Médio provocou uma paralisação generalizada da indústria petrolífera no Golfo, após ataques a infraestruturas energéticas e um bloqueio nas exportações de petróleo. O conflito obrigou empresas a reduzir drasticamente ou até interromper a produção, e especialistas alertam que retomar plenamente as operações não será simples, mesmo após o fim da guerra.
Desde o início da guerra, desencadeada por ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, ao menos 33 ataques ou tentativas de ataque atingiram infraestruturas energéticas no Oriente Médio, segundo levantamento da AFP.
Desse total, 13 ataques foram realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã, enquanto outros 20, que atingiram sete países do Golfo, foram atribuídos ao próprio Irã.
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A maioria dos ataques atingiu campos de petróleo e gás ou grandes complexos energéticos, incluindo a refinaria de Ras Tanura, na Arábia Saudita, a base de processamento de gás Ras Laffan, no Catar, e o complexo que abriga a refinaria de Ruwais, nos Emirados Árabes Unidos.
Além disso, o Irã bloqueou na prática o estratégico Estreito de Ormuz, principal rota marítima utilizada para o transporte de cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito.
Parte das infraestruturas energéticas foi diretamente danificada pelos ataques, enquanto outras instalações reduziram atividades ou fecharam preventivamente, como ocorreu no complexo de Ruwais.
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O quase fechamento do Estreito de Ormuz também teve impacto significativo na logística de exportação da região.
De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA), a produção de petróleo e derivados nos países do Golfo caiu de cerca de 30 milhões de barris por dia no ano passado para aproximadamente 20 milhões atualmente, desconsiderando Omã.
A agência também informou que o volume de petróleo que passa pelo Estreito de Ormuz caiu para menos de 10% do nível registrado antes da guerra.
Embora Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos possuam oleodutos capazes de transportar parte do petróleo para fora da região, a capacidade desses sistemas é limitada, o que agravou o problema logístico.
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Siga o Times | CNBCCom isso, instalações de armazenamento estão operando no limite máximo.
“Esse é o principal problema no momento”, disse uma fonte do setor à AFP.
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“Como não há navios suficientes para retirar o petróleo armazenado e exportar o produto, os fornecedores acabam sendo obrigados a interromper a produção”, acrescentou.
O especialista em commodities Pankaj Srivastava, da consultoria Rystad Energy, afirmou que não existe solução rápida para a crise atual.
“Com o petróleo bruto cada vez mais preso no Golfo, as refinarias podem em breve ser obrigadas a ajustar suas operações, reduzindo o processamento à medida que as exportações travam e direcionando a produção apenas para os mercados domésticos”, explicou.
Segundo uma fonte da indústria ouvida pela AFP, o reinício de refinarias pode levar de uma a duas semanas para atingir novamente a capacidade máxima, dependendo da forma como as operações foram interrompidas.
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No caso dos poços de petróleo, o processo é mais simples: “Basta reabrir a válvula”, explicou.
Ainda assim, a Agência Internacional de Energia (IEA) estima que a produção nas etapas iniciais da cadeia de exploração pode levar semanas – e em alguns casos meses – para retornar aos níveis anteriores à crise, dependendo da infraestrutura afetada.
Além disso, sem um cessar-fogo completo, será necessário garantir fortes medidas de segurança para o retorno do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, incluindo escoltas armadas para navios, seguros e tripulações. A IEA também alerta que poderá ser necessário criar um sistema de gestão do tráfego marítimo para lidar com o enorme acúmulo de navios aguardando passagem, estimando que levará de vários dias a semanas para normalizar o fluxo após a reabertura do estreito.
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