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IPCA mais fraco em fevereiro faz inflação de doze meses recuar para 3,81% e ficar mais perto da meta
Publicado 12/03/2026 • 09:47 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 12/03/2026 • 09:47 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Foto: Pixabay,
O índice de preços ao consumidor ampliado (IPCA) registrou alta de 0,70% em fevereiro, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou 0,37 ponto percentual acima da taxa de janeiro, que havia sido de 0,33%, e bem abaixo do 1,31% registrado em fevereiro de 2025.
Nos últimos 12 meses, a inflação oficial do Brasil acumula 3,81%, abaixo dos 4,44% do período anterior e bem mais próximo do centro da meta de inflação, de 3% ao ano. No ano de 2026, a alta chega a 1,03%.
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Dois grupos explicam cerca de dois terços do resultado de fevereiro. O grupo Educação registrou a maior variação do mês, com alta de 5,21%, e respondeu por 0,31 ponto percentual do índice, o equivalente a 44% do total. O movimento reflete os reajustes habitualmente praticados no início do ano letivo: o ensino médio subiu 8,19%, o ensino fundamental avançou 8,11% e a pré-escola registrou alta de 7,48%.
Na sequência, Transportes subiram 0,74% e contribuíram com 0,15 ponto percentual. O principal responsável foi a passagem aérea, com alta de 11,40%. Também pressionaram o grupo o seguro voluntário de veículos (5,62%), o conserto de automóvel (1,22%) e o ônibus urbano (1,14%), este último refletindo reajustes tarifários em diversas capitais, entre elas Fortaleza (20%), Belo Horizonte (8,70%) e São Paulo (6%).
Em sentido contrário, os combustíveis recuaram 0,47% no mês, com queda da gasolina (-0,61%) e do gás veicular (-3,10%), parcialmente compensadas pela alta do etanol (0,55%) e do óleo diesel (0,23%).
O grupo Alimentação e bebidas registrou variação modesta de 0,26%, levemente acima dos 0,23% de janeiro. Na alimentação dentro de casa, pressionaram o açaí (25,29%), o feijão-carioca (11,73%), o ovo de galinha (4,55%) e as carnes (0,58%). No lado oposto, recuaram as frutas (-2,78%), o óleo de soja (-2,62%), o arroz (-2,36%) e o café moído (-1,20%).
Para Maykon Douglas, economista, o resultado de fevereiro, apesar de acima do esperado, traz sinais mistos. “O IPCA de fevereiro é o menor para o mês desde 2020, mostrando o impacto do aperto monetário sobre os preços”, avalia.
Um ponto de alívio identificado por Douglas está nos serviços intensivos em trabalho. “Parecem ter chegado a um pico. A métrica desacelerou pelo segundo mês seguido”, diz. A ressalva, porém, é que o indicador ainda opera bem acima da meta, com alta anualizada e dessazonalizada de 7,2%.
Nos núcleos de inflação, o economista aponta que os números vieram próximos ao projetado pelo mercado. A inflação de serviços subjacentes, contudo, acelerou na média anualizada dos últimos três meses, passando de 4,6% para 5,2%.
O principal alerta de Douglas para os próximos meses vem de fora do país. “No curto prazo, o risco central é o conflito no Irã e seu impacto sobre o preço dos combustíveis”, afirma. A questão, segundo ele, é por quanto tempo a Petrobras conseguirá sustentar a defasagem entre os preços domésticos e os internacionais caso a guerra se prolongue.
Sobre a Selic, Douglas mantém a aposta em corte na reunião do Copom da próxima semana, mas projeta um movimento de apenas 25 pontos-base. “É o cenário que mantenho há alguns meses”, diz.
Fortaleza registrou a maior variação regional do mês (0,98%), influenciada pelos cursos regulares e pela gasolina. Rio Branco teve o menor resultado (0,07%), com queda na energia elétrica residencial e no preço de automóvel novo.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor, que mede a inflação para famílias de menor renda, ficou em 0,56% em fevereiro, acima dos 0,39% de janeiro. Nos últimos 12 meses, o INPC acumula 3,36%, também abaixo dos 4,30% do período anterior.
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