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Inflação resistente desafia bancos centrais do Brasil e dos EUA
Publicado 13/07/2026 • 19:41 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 13/07/2026 • 19:41 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
Brasil e Estados Unidos chegam ao segundo semestre com inflação acima da meta e bancos centrais sem espaço claro para aliviar a política monetária. É o que avalia Silvia Ludmer, economista-chefe do Andbank.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Ludmer afirmou que o processo de desinflação tem sido desafiador nos dois países, apesar do ciclo de juros altos conduzido pelo Banco Central brasileiro e pelo Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA).
Nos Estados Unidos, segundo a economista, a inflação segue como ponto de preocupação desde a pandemia. Ela comentou que houve alívio nas pressões de preços nos últimos anos, mas a inflação ainda não voltou à meta de 2% definida pelo Fed.
“Lá já faz cinco anos que a inflação está correndo acima de 2%, que é a meta estabelecida pelo Federal Reserve”, afirmou.
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Ludmer disse que o Fed elevou os juros para tentar esfriar a demanda, mas a medida não foi suficiente para devolver a inflação à meta. Segundo ela, a política fiscal expansionista nos Estados Unidos e sucessivos choques globais dificultaram o trabalho do banco central americano.
Entre esses choques, a economista citou a pandemia, a guerra entre Rússia e Ucrânia, a alta do petróleo, a política tarifária de Donald Trump e as tensões envolvendo Estados Unidos e Irã.
“É uma conjunção de fatores que tem tornado bastante desafiador para os Estados Unidos”, afirmou.
No caso brasileiro, Ludmer disse que a inflação também chegou a níveis elevados durante a pandemia, impulsionada por choques de oferta e desorganização das cadeias globais. Desde então, houve desaceleração, mas não o suficiente para levar o IPCA à meta de 3%.
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Siga o Times | CNBCSegundo a economista, mesmo com a Selic em patamar elevado, a inflação brasileira continua resistente porque a atividade doméstica segue aquecida, o desemprego está perto das mínimas históricas e a política fiscal estimula o consumo.
“O Banco Central está tentando esfriar o consumo para a inflação diminuir, mas tem uma outra política do governo em curso que atrapalha o Banco Central, porque incentiva mais gastos”, disse.
Ludmer afirmou que programas voltados à renda, consumo, financiamento e desonerações aumentam a demanda e reduzem a potência da política monetária. Para ela, isso cria obstáculos nos canais de transmissão dos juros para a economia.
“O Banco Central está com o juro muito alto, tentando cumprir o seu objetivo, mas tem alguns entupimentos nos canais de transmissão da sua política para a economia”, afirmou.
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A economista destacou que o setor de serviços segue relevante para a dinâmica inflacionária no Brasil. Segundo ela, quando a demanda permanece forte, empresas e prestadores de serviço se sentem mais confortáveis para reajustar preços.
“Quando a economia está mais fria, o sujeito não aumenta tanto os preços dos seus negócios”, disse.
Na avaliação de Ludmer, o cenário mostra que Brasil e Estados Unidos enfrentam problemas parecidos: inflação acima da meta, juros elevados, políticas fiscais expansionistas e choques externos que mantêm a tarefa dos bancos centrais mais complexa.
“Os dois países estão com inflação acima da meta há alguns anos, políticas monetárias buscando seus objetivos e políticas fiscais atrapalhando”, concluiu.
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