CNBC

CNBCAções da Pandora sobem após CEO dizer que empresa quer reduzir dependência da prata

Notícias do Brasil

Investigação revela uso de terras de Ronaldinho para inflar ativos do Banco Master

Publicado 05/02/2026 • 17:16 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Terrenos de Ronaldinho Gaúcho foram usados como garantia para captar R$ 330 milhões em operações suspeitas de inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master.
  • Investigadores indicam que o dinheiro captado não era aplicado em obras, mas circulava entre fundos do próprio grupo para criar uma falsa imagem de solidez financeira.
  • A defesa de Ronaldinho nega conhecimento sobre a emissão dos títulos financeiros e afirma que as negociações imobiliárias envolvendo as áreas citadas foram canceladas.

Terrenos vinculados ao ex-jogador Ronaldinho Gaúcho foram usados como garantia em uma operação que resultou na captação de R$ 330 milhões por meio de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) associados ao Banco Master, dentro de um conjunto de transações agora investigadas por suspeitas de fraude.

Segundo apurações do MPF e do Banco Central, os recursos teriam sido redirecionados a fundos ligados ao próprio grupo financeiro, inflando artificialmente ativos. A defesa do ex-atleta afirma que ele desconhecia a emissão dos títulos e que o negócio imobiliário foi cancelado.

As investigações indicam que o Banco Master atuava por meio do Fundo City 02 — veículo no qual era o único cotista — para conceder empréstimos a empresas. Na sequência, essas companhias transferiam a maior parte dos recursos para fundos geridos pela Reag Investimentos, instituição que, assim como o Master, foi posteriormente liquidada pelo Banco Central.

Leia também: Caso Banco Master: CPI do Crime Organizado quer convocação de mulher de Moraes e irmãos de Toffoli

Uma parte relevante dessas operações tinha início com a emissão de CRIs, títulos bastante utilizados no mercado de capitais. Esses papéis são estruturados a partir de créditos do setor imobiliário, como financiamentos ou receitas futuras de aluguel, que são agrupados e transformados em instrumentos de renda fixa.

Na prática, o mecanismo permite antecipar recursos para projetos imobiliários. As empresas recebem o capital imediatamente para viabilizar obras, enquanto os investidores que compram os CRIs são remunerados com juros ao longo do tempo.

Em agosto de 2023, a Base Securitizadora — citada nas investigações envolvendo o Banco Master — estruturou uma emissão de R$ 330 milhões em CRIs em favor da S&J Consultoria. Como garantia, foram apresentadas notas comerciais vinculadas ao desenvolvimento de áreas em Porto Alegre, entre elas dois terrenos registrados em nome de Ronaldinho Gaúcho.

Tratativas interrompidas

Segundo advogados do ex-jogador e de outros sócios envolvidos no projeto, a operação imobiliária não avançou. A defesa de Ronaldinho afirma que houve tentativas de negociação, iniciadas em 2021, com as empresas União do Lago e Melk, mas que as tratativas foram interrompidas por entraves como ausência de licenças ambientais e débitos de IPTU.

Leia também: Banco Master: CPMI do INSS adia votação sobre quebra de sigilo bancário da instituição

O advogado de Darci Garcia da Rocha, apontado como sócio no empreendimento original, também declarou desconhecer tanto a emissão dos CRIs quanto o destino dos recursos captados. Já Maurício Haeffner, que representa interesses ligados ao grupo do ex-atleta, afirmou que as parcerias não prosperaram por divergências comerciais e que não houve aportes relevantes nos terrenos envolvidos.

Padrão

Relatório do Banco Central indica que diversas empresas adotaram um padrão semelhante de atuação: após captar recursos por meio da emissão de CRIs ou outros instrumentos financeiros, os valores eram realocados em fundos vinculados ao Master e à Reag, em vez de serem aplicados em obras ou projetos imobiliários.

No sistema financeiro, o volume de ativos é um dos principais indicadores de solidez e capacidade de alavancagem. Ao registrar esses títulos como parte do patrimônio de seus fundos, o grupo elevava artificialmente seus números, apresentando ao mercado e aos reguladores uma estrutura patrimonial mais robusta do que a sustentada por ativos reais ou de alta qualidade.

Para os investigadores, o objetivo da estratégia seria fortalecer os indicadores do Banco Master, ampliando sua atratividade junto a investidores e reforçando sua imagem de solidez, ainda que os recursos circulassem internamente, sem impacto concreto na economia. Nesse contexto, os terrenos funcionariam apenas como elemento formal para viabilizar a captação.

Leia também: Caso Master: CPI aponta indícios graves em contrato de R$ 129 milhões ligado à mulher de Alexandre de Moraes

Enquanto os CRIs eram negociados no mercado financeiro e inflavam os balanços da instituição, as áreas permaneciam sem obras ou qualquer tipo de desenvolvimento.

As empresas citadas nas apurações são alvo de investigações da Polícia Federal e foram atingidas por mandados autorizados pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o magistrado, o volume total de CRIs emitidos pela Base Securitizadora sob suspeita alcança aproximadamente R$ 1 bilhão.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Notícias do Brasil

;