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Jaques Wagner admite relação com ex-sócio de Vorcaro e diz a Lula que ação da PF foi “patacoada”

Publicado 26/06/2026 • 18:26 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Segundo Jaques Wagner, o contato com Augusto Lima começou na negociação do Credcesta, criado na Bahia em 2018.
  • PF suspeita que o senador tenha recebido um imóvel de R$ 2,5 milhões e R$ 3,5 milhões em propina.
  • Petista negou irregularidades e deixou a liderança do governo no Senado após reunião com Lula.

Foto gerada por IA

O senador Jaques Wagner (PT-BA) admitiu ter conhecido Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, na época da negociação do Credcesta, cartão de benefício consignado criado na Bahia em 2018. O petista também criticou a operação da Polícia Federal (PF) contra ele e chamou a ação de “patacoada”.

Wagner foi alvo, em 18 de junho, da nona fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela PF no âmbito do caso Banco Master. A investigação apura suspeitas de fraudes financeiras e irregularidades ligadas à instituição.

Segundo a PF, o senador é suspeito de ter recebido um imóvel de R$ 2,5 milhões e pagamentos de propina que somariam R$ 3,5 milhões por meio de uma empresa ligada a um de seus familiares. Ele nega irregularidades.

Relação com ex-sócio do Master

Wagner afirmou que conheceu Augusto Lima durante a negociação do Credcesta. O cartão foi operado pelo Banco Master.

“Quando privatizamos a Cesta do Povo, em 2018, o cartão foi junto. Não existia (Daniel) Vorcaro, não existia Master. O banco virou sócio do Augusto Lima em 2019, se não me engano”, disse Wagner, em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada nesta sexta-feira (26).

O senador também voltou a dizer que o Banco Master foi viabilizado durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Porque o outro lado diz o tempo todo: ‘Tudo começou na Bahia’. Eu vou repetir: nada começou na Bahia. Quem viabilizou o Banco Master foi Roberto Campos Neto e seu Banco Central. Se foi errado, se foi certo, só estou dizendo o seguinte: só foi concretizado o Banco Master no governo Bolsonaro”, afirmou.

Leia também: PF cumpre mandados em três estados em nova fase da Operação Compliance Zero; Jaques Wagner é o principal alvo

Wagner diz que houve “espetacularização”

Wagner disse que conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o que chamou de tentativa de criar uma “narrativa” contra ele.

“Falei. ‘Estão tentando fazer uma narrativa para botar no meu colo algo que não existe’”, afirmou.

O senador também criticou a forma como a operação foi conduzida.

“Não quero proteção, quero correção. Seguramente abriram o envelope do Senado onde estavam minhas diárias, botaram lá na caminha e fotografaram. Eu disse para ele (Lula) que era muito ruim que a Polícia Federal transformasse uma investigação em espetacularização”, declarou.

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Em outro momento, ele questionou a divulgação de imagens da ação policial.

“Questiono a exposição absolutamente inconveniente e não determinada pelo magistrado que preside a ação. Para que aquela patacoada de dinheiro em cima da cama com o escudo da PF? Esse processo era comum na Lava Jato. Se a Polícia vai continuar nesse tipo de espetacularização, eu acho que o chefe da Polícia Federal tem que tomar conta”, disse.

O petista afirmou que não se opõe à investigação, mas criticou a exposição pública do caso.

“Eu não estou pedindo que não me investiguem, só estou dizendo para não fazer a patacoada que fazem. Aquela foto foi para tudo que é capa de jornal. Eu acho que isso é condenação a priori”, afirmou.

Sobre as suspeitas, Wagner disse que investigadores “construíram uma tese” e que “não vão provar”.

“Acham que a empresa foi construída para me servir e vão correr atrás de provar essa tese”, declarou.

Leia também: Caso Master: após reunião com Lula, Jaques Wagner se afasta da liderança do Governo no Senado

Saída da liderança do governo

Wagner também comentou a decisão de se afastar da liderança do governo no Senado, anunciada na quarta-feira (24). Segundo ele, a conversa pessoal com Lula foi determinante para a decisão.

“Era importante ter uma conversa pessoal com o presidente. Quando ele me ligou, no dia do episódio, foi primeiro para se solidarizar, e, depois, perguntar se era bom continuar ou não. Eu disse que minha cabeça era não entregar (o cargo), mas ontem (quarta-feira, 24) fui lá conversar”, afirmou.

De acordo com Wagner, Lula ponderou que ele teria de se dedicar à própria defesa.

“Ele [Lula] disse que me conhecia há 48 anos mas que construíram uma história que eu teria que desmontar e questionou se eu teria cabeça para fazer as duas coisas [a defesa e a liderança]. Então, decidi me afastar”, disse.

O petista foi substituído pela senadora Teresa Leitão (PT-PE) na liderança do governo no Senado.

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