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Possível entrada do Irã no banco dos Brics amplia risco geopolítico para o Brasil, avalia professor
Publicado 14/08/2026 • 11:00 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 14/08/2026 • 11:00 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A possível entrada do Irã no Novo Banco de Desenvolvimento, o banco dos Brics, amplia a exposição geopolítica do Brasil em um cenário de disputa entre Estados Unidos e China. A avaliação é de Gunther Rudzit, professor de Relações Internacionais da ESPM, em entrevista ao Pré-Market, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Segundo Rudzit, a aproximação favorece especialmente o Irã, que precisará de recursos para a reconstrução do país, e a China, que busca ampliar as alternativas ao sistema financeiro ocidental.
Para o professor, o movimento faz parte de uma fragmentação mais ampla da ordem internacional, que já alcança o sistema financeiro e começa a afetar também a organização da produção global.
“Estamos indo para um mundo que a gente não sabe direito como vai ser, um mundo muito mais fragmentado e, portanto, muito mais instável”, afirmou.
Na avaliação dele, essa mudança também altera o cálculo do risco para empresas e investidores. Produtividade e competitividade continuam relevantes, mas fatores geopolíticos passam a pesar mais nas decisões de investimento.
Leia também: EUA acusam Brasil de integrar rede usada pela China para driblar tarifas americanas
Rudzit afirma que o Brasil já está inserido nessa disputa por integrar os Brics e participar de discussões sobre alternativas ao dólar.
Com a possível entrada do Irã no banco do bloco, essa exposição tende a aumentar, segundo ele, em um momento no qual Washington busca limitar a influência de potências externas no Hemisfério Ocidental, especialmente a China.
“A entrada do Irã e todas essas alternativas colocam o Brasil nesse risco”, afirmou.
Para Rudzit, o país precisa rever sua estratégia diante da nova configuração internacional. A tentativa de manter equidistância entre as grandes potências, na avaliação dele, torna-se mais difícil com o aumento da rivalidade entre Estados Unidos e China.
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Siga o Times | CNBCUma alternativa, segundo o professor, seria ampliar os vínculos do Brasil com outras potências médias, como a Índia, para reduzir a dependência dos dois principais polos.
“A gente tem que atualizar o nosso software de como enxergar o mundo, como entender essa nova realidade geopolítica”, disse.
Rudzit defende a criação de relações econômicas e diplomáticas sobrepostas com diferentes países, de forma que o Brasil tenha alternativas tanto à dependência chinesa quanto à americana.
Ele avalia ainda que iniciativas dos Brics para ampliar alternativas financeiras ao sistema dominado pelo dólar tendem a elevar a atenção de Washington sobre o bloco.
Apesar dessas iniciativas, Rudzit não vê uma perda rápida da predominância do dólar no sistema financeiro internacional.
Segundo ele, moedas como o yuan ainda enfrentam limitações para uma utilização internacional mais ampla, inclusive porque a moeda chinesa não tem o mesmo grau de conversibilidade que o dólar.
Para o professor, outras opções de pagamento e financiamento devem ganhar espaço gradualmente, mas empresários brasileiros ainda precisam considerar quais moedas oferecem maior facilidade para transações internacionais.
Nesse cenário, Rudzit avalia que a posição geográfica e geopolítica do Brasil deve pesar mais nas decisões sobre sua inserção econômica internacional.
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