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Possível entrada do Irã no banco dos Brics amplia risco geopolítico para o Brasil, avalia professor

Publicado 14/08/2026 • 11:00 | Atualizado há 37 minutos

KEY POINTS

  • A possível entrada do Irã no banco dos Brics pode ampliar a exposição geopolítica do Brasil, avalia Gunther Rudzit.
  • Para o professor, o país precisa diversificar relações e reduzir a dependência tanto da China quanto dos Estados Unidos.
  • Rudzit afirma que o dólar deve manter a predominância global, enquanto o yuan ainda enfrenta limitações de conversibilidade e uso internacional.

A possível entrada do Irã no Novo Banco de Desenvolvimento, o banco dos Brics, amplia a exposição geopolítica do Brasil em um cenário de disputa entre Estados Unidos e China. A avaliação é de Gunther Rudzit, professor de Relações Internacionais da ESPM, em entrevista ao Pré-Market, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo Rudzit, a aproximação favorece especialmente o Irã, que precisará de recursos para a reconstrução do país, e a China, que busca ampliar as alternativas ao sistema financeiro ocidental.

Para o professor, o movimento faz parte de uma fragmentação mais ampla da ordem internacional, que já alcança o sistema financeiro e começa a afetar também a organização da produção global.

“Estamos indo para um mundo que a gente não sabe direito como vai ser, um mundo muito mais fragmentado e, portanto, muito mais instável”, afirmou.

Na avaliação dele, essa mudança também altera o cálculo do risco para empresas e investidores. Produtividade e competitividade continuam relevantes, mas fatores geopolíticos passam a pesar mais nas decisões de investimento.

Leia também: EUA acusam Brasil de integrar rede usada pela China para driblar tarifas americanas

Brasil fica mais exposto

Rudzit afirma que o Brasil já está inserido nessa disputa por integrar os Brics e participar de discussões sobre alternativas ao dólar.

Com a possível entrada do Irã no banco do bloco, essa exposição tende a aumentar, segundo ele, em um momento no qual Washington busca limitar a influência de potências externas no Hemisfério Ocidental, especialmente a China.

“A entrada do Irã e todas essas alternativas colocam o Brasil nesse risco”, afirmou.

Para Rudzit, o país precisa rever sua estratégia diante da nova configuração internacional. A tentativa de manter equidistância entre as grandes potências, na avaliação dele, torna-se mais difícil com o aumento da rivalidade entre Estados Unidos e China.

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Relações precisam ser diversificadas

Uma alternativa, segundo o professor, seria ampliar os vínculos do Brasil com outras potências médias, como a Índia, para reduzir a dependência dos dois principais polos.

“A gente tem que atualizar o nosso software de como enxergar o mundo, como entender essa nova realidade geopolítica”, disse.

Rudzit defende a criação de relações econômicas e diplomáticas sobrepostas com diferentes países, de forma que o Brasil tenha alternativas tanto à dependência chinesa quanto à americana.

Ele avalia ainda que iniciativas dos Brics para ampliar alternativas financeiras ao sistema dominado pelo dólar tendem a elevar a atenção de Washington sobre o bloco.

Dólar ainda mantém vantagem

Apesar dessas iniciativas, Rudzit não vê uma perda rápida da predominância do dólar no sistema financeiro internacional.

Segundo ele, moedas como o yuan ainda enfrentam limitações para uma utilização internacional mais ampla, inclusive porque a moeda chinesa não tem o mesmo grau de conversibilidade que o dólar.

Para o professor, outras opções de pagamento e financiamento devem ganhar espaço gradualmente, mas empresários brasileiros ainda precisam considerar quais moedas oferecem maior facilidade para transações internacionais.

Nesse cenário, Rudzit avalia que a posição geográfica e geopolítica do Brasil deve pesar mais nas decisões sobre sua inserção econômica internacional.

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