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Kátia Abreu: Acordos entre Índia, EUA e União Europeia criam oportunidades para o Brasil
Publicado 06/02/2026 • 12:46 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 06/02/2026 • 12:46 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
Após ameaças de aumento de tarifas pela Casa Branca, os Estados Unidos fecharam um acordo comercial com a Índia, poucos dias depois de Nova Délhi concluir um pacto com a União Europeia. Os dois megaacordos são vistos como estratégicos para a Índia e reacendem o debate sobre os efeitos desse novo arranjo para o Brasil. Para analisar o tema, o Real Time conversou com Kátia Abreu, notável do canal.
“Temos uma grande novidade global. As grandes potências estão correndo atrás do prejuízo e voltando a fechar acordos bilaterais”, afirmou Kátia Abreu, ao comentar a sucessão de pactos assinados pela Índia com EUA e União Europeia.
Segundo a senadora, o acordo entre Mercosul e União Europeia avançou institucionalmente, mas ainda enfrenta entraves jurídicos dentro do bloco europeu. Ela explicou que a Comissão Europeia e o Conselho Europeu já autorizaram o acordo, mas houve uma votação apertada no Parlamento Europeu para discutir se o tratado deve ser considerado um acordo “only” ou misto.
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“Nós perdemos por dez votos a discussão sobre o tipo de acordo. Se for considerado misto, teria que passar por cada parlamento nacional, o que pode atrasar tudo”, disse.
Kátia destacou, porém, que a Comissão Europeia decidiu não esperar o julgamento do Tribunal de Justiça da União Europeia, que poderia levar até dois anos, e sinalizou que pretende colocar o acordo em funcionamento de forma provisória.
“A Comissão Europeia tem tanta confiança de que fez a escolha correta que decidiu colocar o acordo para funcionar sem esperar o tribunal”, afirmou.
Ao analisar os pactos firmados pela Índia, a senadora ressaltou que o acordo com a União Europeia foi amplamente favorável aos indianos, com a eliminação de 99% das tarifas, enquanto a agricultura ficou fora por conta do forte protecionismo do país asiático.
“No acordo com a União Europeia, o agro ficou fora porque a Índia tem milhões de pequenos agricultores. Para o Brasil, isso foi ótimo”, disse.
Já no acordo com os Estados Unidos, segundo Kátia, a agricultura também ficou de fora, mas o petróleo ganhou destaque, o que cria um desafio adicional para a Índia diante das exigências ambientais europeias.
“A Índia vai ter que dançar duas músicas diferentes ao mesmo tempo: o pragmatismo americano, focado em comércio e petróleo, e a pressão europeia por descarbonização”, afirmou.
A senadora ressaltou que a União Europeia impôs à Índia as mesmas exigências ambientais feitas ao Brasil, incluindo o cumprimento do Acordo de Paris, o que demonstra que as condicionantes ambientais não são direcionadas apenas ao Mercosul.
“Muita gente acha que é implicância com o Brasil, mas a Europa exigiu da Índia exatamente a mesma coisa”, disse.
Para Kátia Abreu, esse novo cenário internacional abre uma oportunidade clara para o Brasil avançar em negociações com a Índia, inclusive com um acordo que preserve setores sensíveis.
“Não vejo dificuldade em deixar de fora produtos da agricultura familiar e incluir apenas commodities que a Índia não produz, como soja, milho e carne bovina”, afirmou.
Ela concluiu que o Brasil precisa aproveitar o momento para sair do isolamento comercial e ampliar sua inserção global.
“É o momento do Brasil fechar grandes acordos bilaterais, principalmente com a Índia, que sempre foi protecionista e agora está com as portas abertas”, disse.
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