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Lula 4 começa com sete recordes negativos no mercado; como a conta vai chegar ao bolso dos brasileiros
Publicado 31/10/2026 • 12:59 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 31/10/2026 • 12:59 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A primeira semana depois da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou sete recordes negativos no mercado financeiro. Bolsa, câmbio e títulos públicos registraram movimentos que não eram vistos desde a pandemia e, em alguns casos, em mais de duas décadas.
O economista Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central e um dos formuladores do Plano Real, comentou o tamanho da perda na Bolsa numa publicação no X. Segundo ele, o valor de mercado das empresas do Ibovespa era de R$ 5,811 trilhões no fechamento da sexta-feira anterior à eleição e caiu para R$ 4,832 trilhões na quarta-feira seguinte. “Cerca de 1 trilhão foi embora e não voltou. Um trilhão”, escreveu.

Leia também: Efeito Lula: em cinco dias, Bolsa perde o equivalente a uma Petrobras
Os recordes do mercado vieram na mesma semana em que o Banco Central e o Tesouro divulgaram os números fiscais de setembro. Os dados não são consequência da eleição, mas mostram uma herança indigesta: a que Lula 3 vai deixar para Lula 4.
Dívida em alta. A dívida bruta do governo chegou a R$ 11,1 trilhões, o equivalente a 82,9% de tudo o que o país produz em um ano. A dívida líquida, que desconta o que o setor público tem a receber, como as reservas internacionais, chegou a 70% do PIB, cerca de R$ 9,4 trilhões. Ela subiu 0,7 ponto percentual só em setembro e 4,7 pontos desde janeiro.
Juros mais pesados. Em 12 meses, o setor público gastou R$ 1,205 trilhão com juros da dívida, ou 8,99% do PIB. Um ano antes, a conta era de R$ 984,8 bilhões, ou 7,86% do PIB.
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Siga o Times | CNBCRombo de R$ 1,3 trilhão. O déficit nominal, que soma o resultado das contas e os juros, chegou a R$ 1,275 trilhão em 12 meses, ou 9,51% do PIB, alta de 0,04 ponto percentual.
Gasto acima da inflação. As despesas do Governo Central somaram R$ 1,965 trilhão de janeiro a setembro, alta real de 5,4%. Fora do Governo Central, as estatais tiveram déficit de R$ 3,4 bilhões em setembro, e estados e municípios, de R$ 5,6 bilhões.
Os únicos números positivos. O Governo Central teve superávit em setembro, e o desemprego caiu a 5,2%, o menor nível para um terceiro trimestre.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tentou acalmar o mercado. Na segunda (26), disse que pretende mudar a lei ou, se necessário, a Constituição para que o governo persiga formalmente o centro da meta fiscal, e não apenas o piso da margem de tolerância. Ao longo da semana, repetiu o compromisso.
“Nós vamos dizer e dar todos os instrumentos para que a gente não tenha dúvida jurídica que a gente vai perseguir o centro da meta [fiscal]. Mas existem outras medidas que estão sendo avaliadas, então agora nós temos uma etapa”, afirmou.
O ministro também citou onde o governo pode mexer: “Vamos fazer todas discussões alocativas necessárias, para, por exemplo, rever alguns aspectos como emenda parlamentar ou supersalário, ou aposentadorias especiais, de modo que a gente abra espaço fiscal para que o presidente quer fazer para o povo”.
O mercado recebeu mal a sinalização. Até sexta-feira, nenhuma medida concreta havia sido anunciada. A promessa também perde força porque há especulações de que Durigan não deve seguir à frente da Fazenda no quarto mandato. Se isso acontecer, a equipe que vai apresentar o ajuste pode não ser a dele. O nome mais cotado para o cargo é o de Rafael Fonteles, governador reeleito do Piauí, que teve participação ativa na campanha de Lula.
Integrantes do governo e parlamentares da base, por sua vez, criticaram publicamente as cobranças por corte de gastos. O ministro José Guimarães, da Secretaria de Relações Institucionais, disse que enviar uma proposta de ajuste “não está em discussão”. O ministro Guilherme Boulos foi mais direto: “Quem está defendendo que Lula faça ajuste fiscal, cortando gastos em políticas sociais, não entendeu nada do que foi essa eleição”, declarou.
O caminho mais direto passa pelo dólar. Um estudo do Banco Central publicado em março estima que cada alta permanente de 10% na moeda americana acrescenta cerca de 1 ponto percentual à inflação em 12 meses. Na semana, o dólar subiu 9%. Se a alta se mantiver, o repasse aparece primeiro em produtos atrelados ao câmbio, como combustíveis, pão e massas (que dependem do trigo importado), remédios e eletrônicos.
O segundo caminho é o crédito. Com os juros futuros em disparada, bancos tendem a encarecer financiamentos e empréstimos, e uma dívida pública que já custa mais de R$ 1,2 trilhão por ano em juros fica ainda mais cara de rolar. Analistas avaliam que o salto do dólar pode levar o Copom a interromper os cortes da Selic, hoje em 13,75% ao ano. O comitê se reúne na semana que vem, nos dias 3 e 4 de novembro.
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