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Efeito Lula: em cinco dias, Bolsa perde o equivalente a uma Petrobras
Publicado 31/10/2026 • 12:02 | Atualizado há 37 minutos
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Publicado 31/10/2026 • 12:02 | Atualizado há 37 minutos
KEY POINTS
A semana posterior à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou o Ibovespa com a maior queda semanal desde março de 2020, quando a OMS decretou a pandemia de covid-19. O índice fechou a sexta-feira (30) aos 167.921,80 pontos, com perda de 18,12% em cinco pregões, e as empresas listadas na bolsa perderam R$ 963 bilhões em valor de mercado.
Ao mesmo tempo, o dólar subiu 9,04% e encerrou a R$ 5,4443, enquanto os juros futuros avançaram 2,66 pontos percentuais. A reação começou na segunda-feira (26), um dia depois do segundo turno, disputado no domingo (25).
Na segunda-feira, o índice caiu 13,88%, a 176.608 pontos, e a bolsa brasileira acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe as negociações para conter quedas bruscas. Foi a maior queda diária desde 16 de março de 2020.

Desde então, o Ibovespa não interrompeu a sequência de baixas. Saiu de 205.082,56 pontos na sexta-feira (23) e chegou a 167.921,80, uma perda de mais de 37 mil pontos. No mês, a queda é de 9,88%.
Na sexta, o índice recuou 0,75%, com mínima de 167.007,57 pontos, máxima de 169.184,60 pontos e volume financeiro de R$ 31,6 bilhões. Segundo David Martins, diretor de investimentos da Brasil Wealth, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, a Petrobras ajudou a limitar as perdas com a alta do petróleo, e a Vale, depois de divulgar resultados e comentar a possibilidade de recompra de ações.
Mesmo assim, o índice ainda acumula alta de 4,22% em 2026. Em 12 meses, o ganho é de 12,29%, de acordo com a Elos Ayta.
De acordo com levantamento da Elos Ayta com dados da Bolsa, a perda de 18,12% é a quinta maior desde julho de 1994, quando começou o Plano Real. A maior ocorreu em 31 de outubro de 1997, com 22,17%, durante a crise asiática.
Em seguida aparecem 10 de outubro de 2008, com 20,01%, na semana da falência do Lehman Brothers, e 20 de março de 2020, com 18,88%, no início da pandemia. A semana dos atentados de 11 de setembro de 2001, encerrada em 14 de setembro, teve queda de 18,12%, igual à atual com duas casas decimais.
Por sua vez, os quatro episódios anteriores tiveram origem em crises internacionais. A queda de outubro de 2026 teve como catalisador um fato político brasileiro. A reeleição de Lula contrariou investidores que haviam incorporado aos preços a possibilidade de mudança na política econômica.

O índice Small Caps (SMLL) recuou 32,79% na semana, a maior queda semanal de toda a sua série histórica. O recorde anterior era de 23,41%, registrado em 10 de outubro de 2008, o que dá uma diferença de 9,38 pontos percentuais.
Empresas de menor porte tendem a reagir mais às expectativas de juros, crédito e crescimento, e a menor liquidez de parte das ações amplia as oscilações em períodos de venda. A distância para o Ibovespa foi de 14,67 pontos percentuais.
O SMLL também registra a maior perda de outubro entre os indicadores acompanhados pela Elos Ayta, de 17,45%, e a maior do ano, de 18,78%.

O valor de mercado das companhias da Bolsa passou de R$ 5,684 trilhões, em 23 de outubro, para R$ 4,721 trilhões, em 30 de outubro, queda de 16,94%, segundo a Elos Ayta. A perda equivale a 1,31 vez o valor da Petrobras, estimado em R$ 734 bilhões. Pelos dados da Economatica, a perda foi de R$ 996,5 bilhões.
Entre o fim de 2025 e 23 de outubro, o valor de mercado havia subido R$ 972 bilhões, dos quais R$ 378 bilhões depois do primeiro turno, realizado no domingo (4). A queda da última semana consumiu 99,1% dessa valorização e reduziu o ganho de 2026 a R$ 9 bilhões.
Antes da eleição, investidores apostavam na vitória de Flávio Bolsonaro (PL) e em medidas de ajuste fiscal. No pregão seguinte ao primeiro turno, os estrangeiros aportaram R$ 10,6 bilhões na bolsa.
O dólar à vista subiu 1,05% na sexta e fechou a R$ 5,4443, com alta de 9,04% na semana e de 5,20% em outubro. No ano, a moeda ainda tem queda de 0,81%. Na segunda-feira (26), a cotação teve a maior alta diária desde 1999.
A alta semanal foi a maior desde outubro de 2008, quando o dólar subiu 9,76% em sete dias, durante a crise hipotecária americana. Já a taxa do contrato de DI para janeiro de 2031 passou de 12,64%, na sexta-feira (23), para 15,3%.
Lá fora, a pressão foi menor. O índice DXY, que mede o dólar frente a seis moedas, avançou 0,15% na semana, e as bolsas americanas recuaram, com S&P 500 em queda de 0,57%, Nasdaq de 1,99% e Dow Jones de 0,85%.
Segundo Martins, ações de Alphabet, Amazon e Intel pressionaram Nova York, e declarações de dirigentes do Federal Reserve reforçaram o receio de inflação persistente e de novas altas de juros nos Estados Unidos.

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Siga o Times | CNBCNo acumulado do ano, o CDI lidera entre os 13 indicadores da Elos Ayta, com 11,63%, e rende 14,19% em 12 meses. O BDRX, índice de BDRs, tem 10,58% em 2026, e o IMA Geral, de títulos públicos, 10,27%.
Em outubro, o dólar Ptax liderou, com alta de 4,64%, seguido pelo euro Ptax, com 2,97%. O CDI rendeu 1,02%, e a poupança, 0,67%.
Entre os indicadores em queda no mês estão o SMLL, com 17,45%, o Ibovespa, com 9,88%, o IDIV, com 9,87%, o ouro, com 7,20%, o bitcoin, com 3,49%, e o IFIX, com 2,89%. No ano, o bitcoin perde 13,40%, e o ouro, 11,42%.
A expectativa de política fiscal expansionista eleva o prêmio de risco exigido para financiar o governo e pressiona os juros futuros. Taxas mais altas encarecem o crédito para empresas e consumidores e podem reduzir os lucros das companhias.
Segundo o BTG, juros longos mais altos, câmbio desvalorizado e expectativas desancoradas dificultam um ciclo mais agressivo de cortes da taxa básica.
Martins afirma que a manutenção da Selic em patamar elevado por mais tempo pressiona empresas endividadas. Ele cita varejistas, construtoras e companhias de educação e saúde entre as mais expostas a juros e crédito, e associa uma deterioração fiscal a efeitos sobre juros e inflação.
Quedas desse tamanho costumam ser lidas de duas formas. Se a bolsa se recupera rápido, o dinheiro apenas trocou de mãos. Se a recuperação não vem, houve destruição de valor, que acaba se refletindo no restante da economia.
Nos Estados Unidos, a Black Monday, em 19 de outubro de 1987, derrubou o Dow Jones em 22,6% em um dia, a maior queda diária percentual da história. A bolsa americana recuperou parte da perda nos dias seguintes, mas levou cerca de dois anos para voltar ao patamar anterior.
No Brasil, o Ibovespa precisaria agora avançar cerca de 22,1% para retornar aos 205 mil pontos. Levantamento do Times Brasil | CNBC mostra que a recuperação em outros tombos variou de menos de três meses, após o Joesley Day, a mais de nove anos. Os valores são nominais, sem descontar a inflação.
Na pandemia, o índice marcou 119.527,63 pontos em 23 de janeiro de 2020 e caiu a 63.569,62 pontos em 23 de março, perda de cerca de 46,8%. Só voltou a fechar acima do recorde em 7 de janeiro de 2021, a 122.385,92 pontos, 350 dias depois do pico.
Já na crise de 2008, o Ibovespa atingiu 73.516 pontos em 20 de maio e recuou a 29.435 pontos em 27 de outubro, perda de cerca de 60%. O recorde só foi superado em 11 de setembro de 2017, a 74.319 pontos, depois de 3.401 dias, ou nove anos e quatro meses.
O histórico indica que o tamanho da queda não define sozinho o tempo de recuperação. A natureza da crise, o comportamento dos juros e da economia e o efeito sobre os resultados das empresas também pesam.

Para Bruna Sene, analista de renda variável da Rico, o mercado desfez as posições montadas nas últimas semanas e agora refaz o cálculo a partir das informações que virão. Ela afirma que os fundamentos que sustentavam o interesse pela bolsa, como valuation descontado e baixa exposição dos investidores, seguem presentes, e que o “fator decisivo continua sendo a queda dos juros de longo prazo”.
Jayme Simão, sócio-fundador do Hub do Investidor, considera cedo concluir que a bolsa caiu demais. “Ficaremos mais construtivos com um plano fiscal crível para 2027, que abra espaço para a Selic continuar caindo e para os múltiplos se expandirem”, disse.
Já Hugo Queiroz, sócio da L4 Capital, vê valuations baixos, mas afirma que “ainda é cedo porque a gente não tem a certeza do cenário para frente”. Sem um gatilho que reduza a percepção de risco, ele não descarta um Ibovespa lateralizado e pressionado. Artur Horta, head de análise da GTF Capital, diz que “a gente tem que começar a pensar mais em compras do que em vendas”, ao se referir a setores específicos.
A escolha do ministro da Fazenda segue em aberto. Martins cita o governador do Piauí, Rafael Fonteles, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o economista Mansueto Almeida entre os nomes em discussão, e avalia que a recondução de Fernando Haddad teria reação mais negativa do mercado.
Na quinta-feira (29), o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que a proposta de ajuste fiscal defendida por parte dos agentes econômicos não fazia parte do programa vencedor. Na próxima semana, o mercado acompanha a reunião do Copom e possíveis anúncios sobre a equipe econômica.
O BTG projeta o Ibovespa na faixa dos 170 mil pontos nas semanas seguintes à eleição, nível que o índice já deixou para trás, e desvalorização do real entre 10% e 15%.
O Morgan Stanley prevê alta do dólar em etapas, primeiro até R$ 5,50 e depois para a faixa de R$ 5,60 a R$ 5,70, com possibilidade de aproximação de R$ 6 em um cenário mais negativo. O JPMorgan projeta R$ 5,50 nas próximas semanas, e o UBS aponta R$ 5,40 como primeiro nível de referência.
Simão cita BTG Pactual, Itaú e Equatorial entre os papéis que considera penalizados em excesso. Horta destaca as utilities Axia e Engie e a construtora Cyrela. Queiroz aponta small caps como Simpar, Randon e Kepler Weber, além de Bradesco, Sabesp, Sanepar e empresas ligadas a petróleo e exportação, favorecidas pelo câmbio.
Os três alertam para o risco de o preço baixo se tornar armadilha se o lucro também cair. Simão vê maior vulnerabilidade em empresas alavancadas, sobretudo com dívidas atreladas ao CDI, e em varejo e incorporadoras de média renda. Horta e Queiroz também pedem cuidado com varejo, e Horta inclui educação e saúde, enquanto Queiroz cita parte de serviços e a construção civil.
Simão e Queiroz apontam o Banco do Brasil como papel que parece barato, e Simão avalia que dificuldades no agronegócio ainda podem pressionar as provisões do banco.
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