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Maioria dos brasileiros apoia ação dos EUA na Venezuela, mas defende neutralidade do Brasil
Publicado 19/01/2026 • 11:10 | Atualizado há 10 meses
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Publicado 19/01/2026 • 11:10 | Atualizado há 10 meses
KEY POINTS
REUTERS/Adam Gray
O presidente venezuelano capturado, Nicolás Maduro, é escoltado enquanto se dirige ao Tribunal Federal dos Estados Unidos Daniel Patrick Moynihan, em Manhattan, para uma audiência inicial a fim de responder a acusações federais nos EUA, incluindo narco-terrorismo, conspiração, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, entre outras, no heliporto de Downtown Manhattan, na cidade de Nova York, EUA, em 5 de janeiro de 2026.
A maioria dos brasileiros apoia a recente ação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa na madrugada de 3 de janeiro, mas defende que o Brasil mantenha uma postura neutra diante do episódio. É o que revela pesquisa Ipsos-Ipec realizada entre 10 e 14 de janeiro, com 2 mil entrevistados em 130 municípios.
Segundo o levantamento, 51% dos brasileiros concordam total ou parcialmente com a operação. Outros 28% discordam, enquanto 6% se dizem indiferentes e 15% não opinaram.
O apoio à intervenção é mais elevado entre pessoas com renda familiar acima de cinco salários mínimos (62%), evangélicos (61%), jovens de 25 a 34 anos (60%) e homens (58%).
Leia também: Trump posta foto de Maduro capturado e algemado
O recorte político mostra forte polarização: entre eleitores de Jair Bolsonaro em 2022, a concordância chega a 73%, contra 34% entre os que votaram em Lula. Já a discordância é mais expressiva no Nordeste, onde alcança 35%.
Apesar do apoio, não há consenso sobre as motivações do país liderado por Donald Trump. Para 26% dos entrevistados, o principal fator foi o interesse no controle do petróleo e dos recursos naturais venezuelanos. A defesa da democracia e dos direitos humanos aparece em segundo lugar (22%), seguida pelo combate ao narcotráfico (18%). Outros 23% não souberam responder.
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Siga o Times | CNBCA leitura de interesse econômico é mais frequente entre brasileiros com maior escolaridade e renda, enquanto a justificativa ligada à democracia ganha mais peso entre evangélicos e eleitores de Bolsonaro.
Para Marcia Cavallari, head da Ipsos-Ipec, os dados revelam “um apoio pragmático à ação contra um regime visto como autoritário, combinado a uma desconfiança histórica sobre as reais intenções das intervenções geopolíticas na América Latina”.
Quando o foco se volta ao Brasil, prevalece a cautela. Para 29%, a ação dos EUA terá impactos negativos para o país; 23% veem consequências positivas; e 28% avaliam que não haverá efeitos relevantes. Outros 20% não souberam opinar. A percepção negativa é maior entre pessoas com ensino superior, enquanto a visão positiva se concentra entre evangélicos e eleitores de Bolsonaro.
Questionados sobre qual deveria ser a postura do governo brasileiro, dois em cada três entrevistados (66%) defendem a neutralidade. Apenas 17% acham que o Brasil deveria apoiar os Estados Unidos, e 9% defendem uma posição contrária.
A pesquisa também indica que a maioria não teme uma ação semelhante no Brasil: 57% dizem não ter medo algum. Ainda assim, 37% relatam algum grau de preocupação. Embora 53% considerem improvável uma intervenção americana no país, 38% avaliam que há risco médio ou alto de algo semelhante ocorrer.
Para Cavallari, a preferência pela neutralidade “é um recado claro à diplomacia brasileira” e representa um raro consenso em um ambiente político marcado pela polarização.
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