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Master Capixaba: Executivo publica mensagens sobre “queda” e “resistência” após afastamento da Apex Partners

Publicado 24/08/2026 • 18:54 | Atualizado há 15 minutos

KEY POINTS

  • Fernando Cinelli publicou duas mensagens de teor motivacional no fim de semana, mas não mencionou a Apex Partners nem as disputas judiciais envolvendo a companhia.
  • Justiça determinou bloqueio inicial de R$ 5 milhões em bens do empresário e quebra de seu sigilo bancário; Apex pediu depois ampliação da restrição em R$ 23,25 milhões.
  • Gestora informou à Justiça obrigações preliminares de R$ 985,6 milhões e está sob proteção temporária contra cobranças enquanto prepara uma possível recuperação judicial.
Fernando Antonio Kulnig Cinelli, fundador da Apex Partners

Foto: Apex Partners

Fernando Antonio Kulnig Cinelli

Afastado do comando da Apex Partners há pouco mais de duas semanas, Fernando Antonio Kulnig Cinelli voltou às redes sociais neste fim de semana com mensagens sobre queda, resistência e superação, em meio à disputa judicial após a crise financeira da gestora capixaba.

Em uma das publicações, feita nos stories do Instagram, Cinelli compartilhou uma frase em inglês que, em tradução livre, diz: “Deixe-me cair, se for preciso. Aquele em quem estou me tornando irá me amparar.” Em outra, a mensagem afirma que a disciplina pode “quebrar” uma pessoa, mas levá-la a patamares mais altos caso ela resista.

Cinelli não mencionou a Apex, as acusações feitas pela companhia ou as decisões judiciais em nenhuma das duas publicações.

Foto: Reprodução/Portal Sim Notícias

Leia também: Master Capixaba: CEO afastado diz que transferências que bloquearam seus bens eram rotina e que também colocou recursos na ApexPartners

Justiça bloqueou R$ 5 milhões em bens

Em 18 de agosto, a Justiça do Espírito Santo determinou o bloqueio de bens de Cinelli, limitado inicialmente a R$ 5 milhões, e autorizou a quebra de sigilo bancário dos últimos três anos do empresário.

A medida foi tomada após a Apex apresentar documentos sobre transferências entre a ABM Partnership Investimentos e Participações, empresa do grupo, e contas de Cinelli.

O pedido inicial envolvia quatro movimentações que somavam R$ 5,9 milhões. Três transferências, no total de R$ 5 milhões, partiram da ABM para Cinelli. Uma quarta, de R$ 900 mil, ocorreu no sentido contrário. Posteriormente, a Apex pediu à Justiça que o bloqueio fosse ampliado em R$ 23,25 milhões, alegando ter identificado outras movimentações sem documentação contábil suficiente.

O Ministério Público do Espírito Santo adotou posição cautelosa sobre os repasses. Segundo manifestação citada no processo, os documentos comprovam a movimentação dos recursos, mas não são suficientes, isoladamente, para estabelecer a causa jurídica das operações ou atribuir responsabilidade definitiva a Cinelli.

Cinelli contesta versão da Apex

Cinelli nega que os repasses representem movimentações irregulares. Ele afirmou que a circulação de dinheiro entre contas fazia parte da rotina operacional do grupo e era usada para viabilizar operações da própria companhia. Ele também sustenta ter feito aportes pessoais na Apex.

Ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Cinelli afirmou que “o trânsito de recursos entre diferentes contas era um modus operandi na Apex” e defendeu uma apuração documental sobre as decisões tomadas dentro do grupo.

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A defesa também pediu a reversão das restrições patrimoniais e argumentou que Cinelli perdeu acesso aos sistemas, e-mails e documentos corporativos depois de deixar o comando da empresa, dificultando a reconstrução das operações questionadas.

Como começou a crise da Apex

Cinelli foi afastado da presidência da Apex em 6 de agosto, depois que uma apuração interna apontou “inconsistências financeiras”. O então diretor financeiro Eduardo Siqueira também deixou o cargo. Marcelo Murad assumiu a presidência de forma interina.

A dimensão do problema ficou mais clara quando a própria Apex recorreu à Justiça e informou R$ 985,6 milhões em obrigações financeiras, valor ainda tratado como preliminar.

A dívida líquida consolidada apresentada no processo passou de cerca de R$ 413 milhões em janeiro de 2025 para R$ 975 milhões em junho de 2026. Entre as obrigações estão R$ 452,1 milhões em debêntures emitidas por meio da Rhino Securitizadora e R$ 309,8 milhões relacionados a mecanismos de cashback de aproximadamente 1.600 posições de clientes.

Parte da crise está ligada à estratégia usada pela Apex para acumular uma participação de aproximadamente 15,5% na CVC Corp. A estrutura envolveu fundos ligados ao grupo e produtos que previam remuneração vinculada à valorização das ações da CVC ou um retorno mínimo equivalente a 100% do CDI. O episódio passou a ser conhecido como “Master Capixaba”.

A queda das ações da CVC pressionou essa estrutura e aumentou as necessidades de caixa e garantias, enquanto pedidos de resgate e outras obrigações financeiras se acumulavam.

Leia também: Master Capixaba: Apex Partners – sócia da CVC – consegue proteção judicial para não pagar R$ 985 milhões em dívidas

Apex tenta reorganizar operação

A companhia obteve na Justiça uma tutela cautelar antecedente que suspende determinadas cobranças e execuções por 60 dias. A proteção não significa que a Apex já esteja em recuperação judicial. O grupo precisa apresentar o pedido formal de recuperação em até 30 dias para manter os efeitos da medida.

O processo também expôs dificuldades para dimensionar a estrutura do conglomerado. A Laspro, responsável pela constatação judicial, apontou pendências de documentos e informações em 123 das 178 sociedades incluídas no pedido de proteção.

Enquanto a análise financeira avança, a Apex iniciou uma reestruturação interna. Em comunicado enviado ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, a companhia confirmou que funcionários e associados foram demitidos recentemente, em um processo que inclui revisão de equipes, estruturas, produtos e serviços. A empresa não informou o número de desligamentos.

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