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Mendonça autoriza PF a abrir inquérito para investigar suspeita de tráfico de influência de Lulinha no governo

Publicado 30/07/2026 • 18:54 | Atualizado há 53 minutos

KEY POINTS

  • Investigação vai apurar suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo filho do presidente Lula.
  • PF busca esclarecer se Fábio Luís Lula da Silva oferecia acesso a setores do governo em benefício de negócios ligados ao Careca do INSS.
  • A corporação também solicitou autorização para compartilhar provas já reunidas na Operação Sem Desconto.
Luis Fábio Lulinha

Reprodução

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a abrir um inquérito para investigar suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A informação foi confirmada pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

A apuração vai buscar esclarecer se Lulinha atuou para favorecer o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, em negócios ligados ao mercado de cannabis medicinal no governo federal.

A PF pretende verificar se o filho do presidente ofereceu acesso a autoridades e servidores do Ministério da Saúde e do Palácio do Planalto e se houve pagamentos em troca dessa possível atuação.

Investigação foi separada do caso do INSS

O nome de Lulinha surgiu inicialmente na investigação da Operação Sem Desconto, que apura fraudes em cobranças feitas sobre aposentadorias e pensões do INSS.

Antunes é apontado como uma das figuras centrais do esquema investigado. Durante a apuração, a PF identificou contatos e negócios envolvendo o empresário, Lulinha e Roberta Luchsinger, amiga do filho do presidente.

Os investigadores, porém, concluíram que as suspeitas relacionadas à atuação no Ministério da Saúde e no Palácio do Planalto não têm ligação direta com os descontos indevidos do INSS.

Por isso, a PF pediu a abertura de um inquérito autônomo para apurar especificamente uma possível venda de influência dentro do governo. A corporação também solicitou autorização para compartilhar provas já reunidas na Operação Sem Desconto.

Negócio envolvia cannabis medicinal

Uma das linhas da investigação envolve a World Cannabis, empresa ligada ao Careca do INSS que buscava oportunidades no mercado de medicamentos à base de canabidiol.

Roberta Luchsinger foi contratada para prospectar negócios para a empresa junto ao governo federal. Documentos analisados durante as investigações apontam que uma empresa de Roberta recebeu R$ 1,5 milhão de uma companhia ligada a Antunes.

A empresária afirma que os pagamentos eram referentes a serviços de consultoria para a regulação do mercado de cannabis medicinal. Sua defesa nega irregularidades e sustenta que nenhum valor foi repassado a Lulinha.

A PF vai investigar se o filho do presidente atuou ao lado de Roberta para facilitar contatos da World Cannabis com autoridades e servidores da área da saúde.

A tentativa de fechar um contrato para fornecer medicamentos ao governo não avançou.

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Viagem a Portugal foi paga por Antunes

Em documento apresentado ao STF, a defesa de Lulinha reconheceu que Antunes pagou as passagens e a hospedagem do empresário em uma viagem a Portugal, realizada em 2024.

Segundo a versão apresentada pela defesa, o objetivo era conhecer uma fábrica de produtos de cannabis medicinal e avaliar uma possível oportunidade de negócio.

Lulinha afirma que não entrou na sociedade, não investiu recursos no projeto e não recebeu pagamentos. A viagem não teria resultado em contrato ou parceria comercial.

A PF também apura a hipótese de que Lulinha tenha sido sócio oculto do Careca do INSS no empreendimento. A suspeita ainda não foi comprovada.

Defesa diz receber investigação com “tranquilidade”

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa Lulinha, afirmou que a defesa recebeu a notícia da abertura do inquérito com “estranheza, mas com tranquilidade”.

Segundo Carvalho, a Polícia Federal não encontrou elementos que ligassem o filho do presidente às fraudes nos benefícios do INSS e abriu uma nova investigação para apurar fatos relacionados a outra área.

“É estranha a notícia sobre a instauração de um novo inquérito. A impressão que passa é que a Polícia Federal está promovendo uma espécie de pesca probatória. Não achei nada aqui, eu vou procurar ali. Isso é muito grave”, afirmou.

O advogado sustentou que a principal conclusão da investigação previdenciária deveria ser a ausência de elementos contra seu cliente.

“A notícia deveria ser que não achou absolutamente nada que tenha relação direta ou indireta com o Fábio no bojo das investigações do INSS”, disse.

Carvalho também afirmou que Lulinha não mantém relação com os negócios conduzidos por Roberta e que terá a oportunidade de apresentar esclarecimentos no novo inquérito.

“O Fábio vai ter oportunidade agora, no bojo desse inquérito, de confirmar que não tem nenhuma relação com os negócios empresariais da sua amiga Roberta Luchsinger”, declarou.

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