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Mendonça autoriza segundo inquérito sobre Lulinha, agora por suspeita de atuação na Dataprev

Publicado 31/07/2026 • 22:07 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Investigação apura possível tráfico de influência do filho do presidente Lula em contratos envolvendo a Dataprev.
  • PF suspeita que um empresário tenha custeado uma viagem de Lulinha em troca de ajuda para obter negócios no governo federal.
  • Este é o segundo inquérito autorizado por André Mendonça envolvendo o filho do presidente em dois dias.

Juca Varella/AE

Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente Lula

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um segundo inquérito para investigar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula. A decisão foi tomada a pedido da Polícia Federal (PF).

Desta vez, a PF apura uma possível atuação de Lulinha para beneficiar uma empresa interessada em contratos com a Dataprev, estatal responsável pelo processamento de dados de políticas sociais do governo, incluindo informações do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As informações foram publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Leia também: Lulinha jura que é inocente e não vou utilizar meu cargo para protegê-lo, diz Lula

PF investiga possível viagem paga por empresário

A PF suspeita que Cleber Ribas de Oliveira, sócio da empresa de tecnologia 3STRUCTURE IT, tenha buscado contratos junto à Dataprev e a outros órgãos federais e mantido relações com Lulinha nesse contexto. As comunicações também citam o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, ambos já mencionados no primeiro inquérito aberto contra o filho do presidente.

Os investigadores querem saber se Ribas custeou ao menos uma viagem de Lulinha e se, em contrapartida, ele teria ajudado o empresário a buscar negócios com órgãos da administração federal. Um dos elementos que sustentam essa hipótese é uma viagem com o mesmo localizador feita pelos dois a Foz do Iguaçu, em 15 de dezembro de 2024, o que, segundo a PF, indicaria que o empresário arcou com as despesas do filho do presidente.

A PF também deverá analisar comunicações, movimentações financeiras e possíveis contatos mantidos entre os envolvidos para verificar se houve tráfico de influência ou concessão de vantagem indevida.

Segundo inquérito em dois dias

A nova investigação foi autorizada um dia depois de Mendonça permitir a abertura de outro inquérito sobre Lulinha.

Na primeira apuração, a PF investiga se ele teria ajudado o Careca do INSS a buscar contratos no governo para o fornecimento de medicamentos à base de cannabis.

O negócio envolvia a World Cannabis, empresa ligada ao lobista. A tentativa de contratação pelo Ministério da Saúde, contudo, não avançou.

Nesse caso, a suspeita é de que Lulinha tenha usado sua proximidade com integrantes do governo para facilitar reuniões e abrir portas para o empresário.

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Careca do INSS aparece nas duas apurações

Antônio Carlos Camilo Antunes é investigado na Operação Sem Desconto, que apura descontos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS.

A PF considera o lobista uma figura central no esquema e investiga suas relações empresariais e políticas.

Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, também aparece nos materiais analisados pela corporação. Ela teria sido contratada pelo Careca do INSS para prospectar negócios envolvendo cannabis medicinal.

No caso da Dataprev, a PF busca esclarecer se o mesmo grupo tentou utilizar relações pessoais e políticas para obter contratos públicos em outra área do governo.

Leia também: PF tentou evitar distribuição automática de inquérito sobre Lulinha para Mendonça

Decisão ocorre em meio a atrito entre PF e Mendonça

A abertura do novo inquérito ocorre em meio a divergências entre a Polícia Federal e André Mendonça sobre a condução das investigações relacionadas ao caso do INSS.

O ministro determinou que os atos praticados pela equipe policial sejam imediatamente incluídos no processo sob sua relatoria. Também ordenou que eventuais mudanças entre os policiais responsáveis pela apuração sejam previamente comunicadas ao gabinete.

A PF procurou a Advocacia-Geral da União para avaliar uma medida jurídica contra as determinações, que são vistas internamente como uma ampliação do controle do ministro sobre o trabalho investigativo.

Mendonça, por sua vez, sustenta que as providências são necessárias para preservar a supervisão judicial, a regularidade das diligências e o acesso do Supremo às informações produzidas no inquérito.

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