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Meta de inflação não depende da trajetória do câmbio, diz diretor do BC
Publicado 15/04/2026 • 21:08 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 15/04/2026 • 21:08 | Atualizado há 5 meses
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Foto: Pixabay,
O diretor de Política Monetária do Banco Central do Brasil, Nilton David, afirmou nesta quarta-feira(15) que o comportamento recente do real tem surpreendido em meio ao cenário externo adverso, mas deixou claro que a autoridade monetária não depende do câmbio para cumprir a meta de inflação.
Durante um evento do JPMorgan Chase, realizado paralelamente às reuniões do Fundo Monetário Internacional, em Washington, o diretor adotou tom cauteloso ao tratar da trajetória da moeda.
“Não contamos com esses efeitos para fazer o trabalho de trazer a inflação para a meta. Eu até brinco que, quando eu era operador de câmbio no passado, eu acertava 50% das vezes, e aqui não é diferente. Então, eu não ousaria adivinhar o que vai acontecer”, disse.
Segundo ele, apesar da resistência do real mesmo diante das tensões no Oriente Médio, esse tipo de movimento não pode ser incorporado à estratégia de política monetária. A imprevisibilidade do câmbio, disse, continua sendo a regra. “Por isso, não é algo com que eu possa contar, porque eu sei que, em algum momento, o dólar vai subir, e isso não vai ser uma situação confortável para a inflação”, afirmou .
Nilton observou que a moeda brasileira tem oscilado menos do que o habitual em momentos de turbulência global, o que acaba contribuindo, ainda que de forma indireta, para um ambiente inflacionário mais controlado. Ainda assim, fez uma ressalva importante: o efeito do câmbio sobre as expectativas é assimétrico.
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Siga o Times | CNBCNa prática, períodos de desvalorização tendem a pressionar a inflação com mais intensidade do que momentos de apreciação ajudam a aliviá-la — o que limita o papel do real como aliado confiável no combate aos preços.
O diretor também classificou o desempenho recente como fruto de fatores pontuais, e não de mudanças estruturais na economia brasileira. Por isso, evitou qualquer sinalização de continuidade desse cenário.
Ao comentar a atuação da autoridade monetária, reforçou que o Brasil opera sob regime de câmbio flutuante e que intervenções só ocorrem em situações excepcionais, quando há disfuncionalidade no mercado.
Por fim, Nilton destacou que a convergência da inflação à meta depende, sobretudo, de fundamentos domésticos. Entre eles, a necessidade de que a atividade econômica se mantenha próxima do seu nível potencial, condição considerada essencial para a estabilidade de preços no médio prazo.
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