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Mudança na jornada deve impactar setores de forma desigual, avalia professor da FGV
Publicado 29/05/2026 • 06:30 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 29/05/2026 • 06:30 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A provável aprovação da proposta que altera a rotina trabalhista deve pressionar de maneira heterogênea o setor produtivo nacional no curto prazo.
Robson Gonçalves, economista e professor da FGV, demonstrou preocupação com o prazo unificado de transição de 14 meses previsto no texto, apontando que a capacidade de adaptação varia muito entre as atividades econômicas.
“Há duas críticas a esse prazo. Ele é curto para a realidade brasileira, mas é curto especialmente para alguns setores que têm maiores níveis de dificuldade de adaptação. Por exemplo, o pequeno comércio, bares e restaurantes não têm muito como avançar em termos de produtividade e são um trabalho intensivo”, avaliou em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
O especialista ressaltou que a transferência do aumento de gastos operacionais para as mercadorias e serviços finais esbarra nas condições atuais da atividade econômica no país. Ele avaliou que nem todos os setores conseguirão repassar esses custos, pois isso depende do padrão de concorrência existente e da reação da demanda.
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Siga o Times | CNBCSegundo Gonçalves, a economia brasileira está em desaceleração neste ano, o que torna qualquer repasse de custos aos preços mais difícil e mais doloroso. Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho apresenta os menores níveis de desemprego dos últimos anos.
Em relação ao mercado de trabalho, o economista alertou que a busca por alternativas contratuais fora da legislação tradicional pode se intensificar, o que poderia gerar um retrocesso nas garantias dos profissionais. Ele advertiu que a principal preocupação não é a automação, pois ela seria uma resposta à pressão no mercado de trabalho.
O maior risco, para ele, é o aumento da informalidade. A pejotização pode surgir como uma alternativa em alguns setores, mas, em geral, vem acompanhada de uma precarização das relações de trabalho.
“O excesso de telas é algo que nos ameaça significativamente, inclusive em termos das pessoas desaprenderem habilidades que são úteis para gerar a produtividade que sustenta a redução da escala. O que nós queremos é as pessoas com uma qualidade de vida melhor e uma saúde mental melhor. Isso sustenta a produtividade e garante a viabilização da redução da escala sem quebrar as empresas”, concluiu.
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