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Por André Amadeus
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Publicado 22/05/2026 • 11:00 | Atualizado há 3 semanas
KEY POINTS
Foto: Sabesp
EM EDIÇÃO O que o MP-SP vai analisar no caso que envolve Equatorial, Banco Master e Sabesp
A Promotoria de Justiça do Patrimônio Público do MP-SP analisa uma representação que relaciona o caso do Banco Master às privatizações da Sabesp e da EMAE, realizadas entre abril e junho de 2024. O documento apresentado pelo deputado estadual Antônio Donato (PT) aponta suspeitas sobre a venda da Sabesp para a Equatorial Energia, com deságio estimado em 44% abaixo do preço de mercado.
A representação chegou ao MP no dia 20 de março deste ano e pede a abertura de um inquérito civil, além do compartilhamento de informações com a Polícia Federal e o MPF. O caso também cita possíveis conexões entre executivos envolvidos nas operações financeiras e empresas ligadas ao Banco Master.
Leia também: PF rejeita delação de Daniel Vorcaro; defesa ainda mantém negociação com a PGR
Durante as negociações, em julho de 2024, a Sabesp valia mais de R$ 56,2 bilhões e negociava ações a R$ 82 no mercado. Mesmo assim, o governo paulista vendeu o bloco de controle equivalente a 15% das ações por R$ 67 cada papel em uma operação de R$ 6,9 bilhões.
A Equatorial Energia apareceu como a única interessada na disputa. Especialistas do Observatório Nacional das Águas, da Agência Reguladora dos Serviços Públicos do Estado e da Associação dos Profissionais Universitários da Sabesp calcularam um deságio de aproximadamente 44% em relação ao valor de mercado.
Já em fevereiro de 2026, as ações da Sabesp chegaram a R$ 152,50. A representação também afirma que o BTG Pactual coordenou outra oferta pública de 17% das ações pelo mesmo valor de R$ 67, mesmo com demanda superior a R$ 200 bilhões para uma oferta de apenas R$ 7,9 bilhões.
O documento analisado também aponta o Banco Master como peça importante na estruturação financeira das operações. Segundo a representação, o banco participou de intermediações financeiras ligadas à compra da EMAE por meio do Fundo Phoenix.
O fundo venceu o leilão da EMAE em abril de 2024 com proposta de aproximadamente R$ 1,04 bilhão. Porém, a representação destaca que o Fundo Phoenix surgiu menos de 30 dias antes do leilão.
A denúncia também cita valorização superior a 800% nas ações da Ambipar entre abril e outubro de 2024. De acordo com o documento, fundos ligados ao Banco Master e à gestora Reag participaram das movimentações financeiras investigadas.
O texto entregue ao Ministério Público destaca o nome de Carlos Piani, que presidiu simultaneamente conselhos ligados à Ambipar e à Equatorial e depois assumiu a presidência da Sabesp privatizada em outubro de 2024.
Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e colaborador do Grupo Master, também aparece na representação. Segundo o documento, ele teria atuado na parceria financeira ligada à compra da EMAE.
Zettel, Nelson Tanure, a Trustee DTVM e a gestora Reag são investigados nas operações Carbono Oculto e Compliance Zero por suspeitas de lavagem de dinheiro e fraudes financeiras.
Leia também: Valor, prazo e provas frágeis: o que trava a delação de Daniel Vorcaro no caso Master
Em resposta ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, a Equatorial Energia afirmou que todo o processo envolvendo a Sabesp aconteceu dentro da legalidade e seguindo todos os critérios legais da empresa.
“O Grupo Equatorial esclarece que todo o processo de desestatização da Sabesp ocorreu no âmbito de uma oferta pública estruturada e conduzida com o apoio de assessores e instituições experientes, obedecendo ampla divulgação, legalidade e transparência.”
Até o momento, a Sabesp e Carlos Piani não haviam se manifestado sobre os questionamentos enviados pela reportagem.
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