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Operações da PF

O que é ‘smurfing’, técnica de lavagem de dinheiro citada no caso Deolane Bezerra

Publicado 21/05/2026 • 09:15 | Atualizado há 4 semanas

KEY POINTS

  • A repercussão do caso ampliou o debate sobre os mecanismos usados para lavagem de dinheiro.
  • No caso envolvendo Deolane Bezerra, a investigação aponta movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda formal apresentada.
  • Os valores teriam sido pulverizados em diversas transações para dificultar o rastreamento dos recursos.
Deolane Bezerra

Foto: Instagram/ Deolane

Deolane Bezerra

A prisão da influenciadora Deolane Bezerra nesta quinta-feira (21), durante a Operação Vérnix, colocou novamente em evidência uma prática conhecida pelas autoridades financeiras como smurfing.

A técnica é considerada uma das formas mais usadas para ocultar a origem de dinheiro ilícito e aparece com frequência em investigações sobre lavagem de dinheiro ligadas ao crime organizado.

A operação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil investiga um suposto esquema de movimentação financeira associado ao Primeiro Comando da Capital.

Segundo os investigadores, valores teriam sido pulverizados em diversas transações para dificultar o rastreamento dos recursos.

Como funciona o smurfing?

O smurfing, também chamado de fracionamento ou estruturação, consiste em dividir grandes quantias de dinheiro em operações menores.

De acordo com o Jusbrasil, em vez de movimentar altos valores de uma única vez, os envolvidos realizam depósitos, transferências ou pagamentos em pequenas partes, geralmente distribuídas entre várias contas bancárias e diferentes pessoas.

A estratégia busca evitar alertas automáticos das instituições financeiras e impedir que operações sejam identificadas como suspeitas pelos órgãos de controle.

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Na prática, o método cria uma aparência de normalidade. Valores menores tendem a chamar menos atenção dos sistemas bancários, o que dificulta o trabalho de monitoramento e investigação.

Técnica ganhou força em investigações financeiras

Especialistas em direito penal econômico explicam que o fracionamento se tornou uma das ferramentas mais recorrentes em esquemas de ocultação de patrimônio. A prática pode envolver empresas de fachada, laranjas e contas pulverizadas em diferentes instituições financeiras.

O objetivo principal é mascarar a origem do dinheiro, fazendo com que recursos obtidos de forma ilegal pareçam resultado de atividades empresariais legítimas.

Em investigações sobre organizações criminosas, o smurfing costuma aparecer associado à compra de bens de luxo, movimentações incompatíveis com a renda declarada e circulação de grandes quantias em contas de terceiros.

O que diz a legislação brasileira

O Brasil ampliou, nos últimos anos, as regras de controle sobre movimentações financeiras. Antes, operações abaixo de R$ 10 mil tinham menos mecanismos automáticos de comunicação, o que facilitava o uso do fracionamento.

Com a entrada em vigor da Circular nº 3.978/2020 do Banco Central, as exigências ficaram mais rígidas. As instituições financeiras passaram a ter a obrigação de monitorar operações em espécie, identificar clientes, registrar a origem dos recursos e analisar movimentações consideradas atípicas.

As regras também obrigam bancos e instituições financeiras a observarem padrões suspeitos, mesmo quando os valores aparecem divididos em várias operações menores.

Por que o smurfing dificulta investigações?

O principal desafio para as autoridades está justamente na fragmentação das transações. Quando o dinheiro é dividido em diversas movimentações pequenas, o rastreamento se torna mais complexo.

Além disso, criminosos costumam utilizar várias contas, empresas e intermediários para criar múltiplas camadas de circulação financeira. Esse processo dificulta a identificação dos verdadeiros beneficiários dos recursos.

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Segundo investigadores da área financeira, o avanço de sistemas de inteligência bancária e o cruzamento eletrônico de dados aumentaram a capacidade de detectar operações suspeitas nos últimos anos.

Caso Deolane intensifica debate sobre lavagem de dinheiro

No caso envolvendo Deolane Bezerra, a investigação aponta movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda formal apresentada e possíveis conexões com operadores ligados ao PCC.

A Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões atribuídos à influenciadora. As apurações seguem em andamento e a defesa ainda não havia se manifestado até a publicação da operação.

A repercussão do caso ampliou o debate sobre os mecanismos usados para lavagem de dinheiro e sobre como técnicas como o smurfing continuam sendo alvo constante de monitoramento pelas autoridades brasileiras.

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