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Presidente do TCE-MT fez 150 saques em dinheiro que somam R$ 15,6 milhões em dez meses, diz PF
Publicado 31/10/2026 • 11:45 | Atualizado há 44 minutos
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Publicado 31/10/2026 • 11:45 | Atualizado há 44 minutos
KEY POINTS
Divulgação: TCE-MT
Sérgio Ricardo de Almeida, presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT)
Os 150 saques em espécie feitos pelo conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida, presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), somam R$ 15,6 milhões em dez meses, entre 1.º de janeiro e 22 de outubro de 2025, segundo relatório da Polícia Federal (PF).
Do total, 64 saques foram feitos no guichê do banco e somam R$ 15,47 milhões, e outros 86 ocorreram em terminal de autoatendimento. As informações constam de relatório da PF no âmbito da Operação Tomada de Conta, investigação que põe o conselheiro sob suspeita de liderar uma estrutura de operadores financeiros “destinada à conversão, em dinheiro vivo, de valores retirados dos cofres da instituição”.
Almeida foi preso na quinta-feira (29), por ordem do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A defesa não havia respondido ao pedido de manifestação até a publicação do texto original, segundo o Estadão. Em nota, a Corte de Contas informou que seguirá atuando “com responsabilidade e serenidade”, em observância à legalidade e à sua missão de controle externo.
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A PF afirma que a análise bancária, limitada a 294 dias, identificou movimentação financeira suspeita de R$ 75,85 milhões, “sem prejuízo da possível participação de outras pessoas ainda não totalmente identificadas”.
Relatórios de Inteligência Financeira apontaram saques recorrentes e de valor elevado em contas do conselheiro, inclusive com provisionamento prévio de dinheiro.
Segundo a investigação, o suposto esquema envolveria o favorecimento de empresas contratadas pelo TCE em troca de propinas. A PF suspeita que o conselheiro usava o poder do cargo para suspender contratos e bloquear pagamentos, sob a justificativa de cortes no orçamento, a fim de pressionar fornecedores.
De acordo com a PF, diligências preliminares, relatórios de inteligência financeira, imagens de circuito interno bancário e afastamento pontual de sigilo revelam pagamentos extraordinários do TCE-MT a agentes públicos e particulares. Os valores seriam incompatíveis com os limites legais e sem correspondência com a remuneração oficial divulgada.
Em seguida, vieram saques em espécie, pulverização de recursos entre contas e aquisição de patrimônio supostamente incompatível com a renda declarada. A investigação aponta que a saída dos valores foi oficial, diretamente da conta do TCE-MT, mas que houve tentativa de ocultação nas fases seguintes, por saques ou transferências pulverizadas.
A PF verificou 101 lançamentos em menos de dez meses destinados ao conselheiro, num total de R$ 15,44 milhões. Desse valor, R$ 10,78 milhões são ordens bancárias avulsas, R$ 4,35 milhões vieram sob rubricas de fornecedores e R$ 304.960,02 a título de salário.
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Siga o Times | CNBCSegundo a PF, apenas R$ 288.501,05 foram publicados em relação a Almeida, enquanto R$ 15,44 milhões foram de fato creditados.
Imagens do circuito interno da agência do Sicoob nas dependências do TCE-MT mostraram operações reiteradas de retirada e entrega de dinheiro, com participação de servidores do Tribunal. O laudo nº 10306/2026 indica que a maioria foi feita por Roseli Loss, chefe de gabinete do presidente desde 1.º de janeiro de 2024, que também é alvo da operação.
Os Relatórios de Inteligência Financeira apontam que, em diversas ocasiões, os saques foram feitos em valores imediatamente abaixo dos limites de comunicação automática ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
A PF informou ao ministro do STJ que, após uma diligência policial em 14 de outubro de 2025, o sistema de controle de acesso do TCE-MT identificou a presença dos policiais, e o serviço de segurança abordou um agente que fazia observação. Depois do episódio, os saques em espécie diminuíram temporariamente e o padrão financeiro foi alterado. As movimentações consideradas suspeitas voltaram a ocorrer mais tarde.
Em parecer ao STJ, o Ministério Público Federal sustentou que os delitos investigados “apresentam natureza permanente, especialmente os crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro” e que a estrutura permanece ativa.
A Procuradoria afirma que os fatos são contemporâneos. O inquérito traz registros de saques e operações em 2026, pagamentos feitos pelo Tribunal de Contas nos primeiros meses do ano, aquisições patrimoniais posteriores, edição de atos administrativos pelo presidente do TCE-MT e ampliação de dotações orçamentárias ligadas às verbas investigadas.
Ao defender a prisão do conselheiro e de outros investigados, a Procuradoria apontou indícios de materialidade e autoria, além de risco à ordem pública, à instrução criminal e à aplicação da lei penal.
“Sérgio Ricardo de Almeida, na condição de presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, ocupa posição de comando da estrutura criminosa investigada”, afirma a PF. Segundo os investigadores, ele “capitaneia uma estrutura de operadores financeiros”.
A PF diz que o conselheiro dirige os atos de gestão do Tribunal, autoriza contratos, expede portarias, nomeia ocupantes de cargos e controla setores envolvidos na emissão dos pagamentos investigados. Por isso, a estrutura, em tese criminosa, dependeria diretamente de seu poder de comando.
Ao pedir a prisão, a PF destacou que a função, a contemporaneidade dos fatos e a permanência da estrutura administrativa sob sua influência “evidencia risco concreto de continuação delitiva e de interferência na produção probatória”.
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