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‘Quebrar todos os dentes dele num assalto’; veja as mensagens de Vorcaro planejando atentado ao jornalista Lauro Jardim
Publicado 04/03/2026 • 13:50 | Atualizado há 8 meses
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Publicado 04/03/2026 • 13:50 | Atualizado há 8 meses
KEY POINTS
Foto: divulgação PF
A PF deflagrou, nesta sexta-feira (03), a Operação Exchange para desarticular um braço financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).
“Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto.” A mensagem é de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, enviada pelo WhatsApp ao chefe de sua milícia privada, Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”.
Do outro lado, Mourão reagiu com dois sinais positivos e respondeu: “Estamos em cima de todos os links negativos, vamos derrubar todos e vamos soltar positivas.” Vorcaro insistiu: “Quero dar um pau nele. Pode?” Mourão: “Pode? Vou olhar isso…” Vorcaro: “Sim.”
O alvo era o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo, após a publicação de uma reportagem que contrariava os interesses do banqueiro. O plano era forjar um assalto.
Leia também: Quem são os alvos da Compliance Zero: Vorcaro, cunhado pastor, ex-diretor e servidor do BC
Antes da ordem de agressão, Mourão já monitorava o jornalista. Em mensagem anterior, perguntou a Vorcaro se Lauro Jardim “bate cartão todo domingo.” Vorcaro confirmou e ordenou: “Tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele.” Mourão respondeu: “Vou fazer isto.”
A decisão do ministro do STF André Mendonça que autorizou a terceira fase da Operação Compliance Zero apontou haver fortes indícios de que Vorcaro determinou a Mourão que forjasse um assalto contra Lauro Jardim como forma de silenciar a cobertura jornalística contrária ao Banco Master. O episódio integra a fundamentação para a prisão preventiva de ambos.
Para Mendonça, o caso não era isolado, mas parte de um padrão no qual Vorcaro acionava Mourão e “A Turma” contra qualquer pessoa que representasse risco ao grupo: jornalistas, ex-funcionários, concorrentes e até empregados domésticos.
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Siga o Times | CNBCLuiz Phillipi Machado de Moraes Mourão chefiava a estrutura de vigilância e intimidação montada por Vorcaro. Recebia R$ 1 milhão por mês para coordenar “A Turma” – grupo que monitorava adversários, acessava ilegalmente sistemas da PF, do MPF, da Interpol e do FBI e executava ordens de coação. Foi preso nesta quarta-feira.

A Associação Nacional de Jornais manifestou solidariedade ao jornalista Lauro Jardim e classificou os métodos de Vorcaro como “práticas mafiosas incompatíveis com o Estado de Direito.” “A tentativa de intimidar um profissional de imprensa por meio de violência constitui ataque inaceitável à liberdade de expressão”, disse a entidade, que também cumprimentou a PF pela descoberta das ameaças e Mendonça “pelas providências adotadas para salvaguardar o livre exercício da atividade jornalística.”
A Federação Nacional dos Jornalistas e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro também repudiaram o caso. Em nota conjunta, as entidades afirmaram que “qualquer tentativa de intimidação, ameaça ou violência contra jornalistas não é um fato isolado, mas parte de um ambiente de constante hostilidade contra a imprensa no Brasil” e exigiram “a apuração rigorosa dos fatos e a responsabilização exemplar de todos os envolvidos.” As entidades se solidarizaram com Lauro Jardim e encerraram a nota com: “Sem jornalismo livre, não há democracia.”
O caso de Lauro Jardim não é o único episódio de intimidação documentado na decisão. As mensagens revelam que Vorcaro ordenou o monitoramento de ex-funcionários, mandou rastrear o endereço de uma ex-empregada doméstica e determinou que um chefe de cozinha fosse intimidado primeiro – para que “o outro já vá assustar.” Em todos os casos, o executor era Mourão. O método era sempre o mesmo: vigilância, dados pessoais e, quando necessário, coação física.
Para Mendonça, esse conjunto de condutas caracteriza a operação sistemática de uma milícia privada a serviço de um único homem — cujo critério para acionar o grupo era sentir seus interesses ameaçados.
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