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Operações da PF

Jaques Wagner se reuniu com Andre Mendonça dias antes de busca da PF em sua casa

Publicado 30/06/2026 • 09:31 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Wagner procurou o ministro André Mendonça uma semana antes de operação da Polícia Federal contra ele
  • Encontro ocorreu enquanto investigadores já preparavam buscas e apreensões autorizadas pelo relator do caso Master
  • PF apreendeu dólares, euros, celular e documentos na casa do senador e no hotel onde ele se hospeda em Brasília
Jaques Wagner e André Mendonça

Montagem

Encontro ocorreu enquanto investigadores já preparavam buscas e apreensões autorizadas pelo relator do caso Master

O senador Jaques Wagner (PT-BA) procurou o ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), para prestar explicações sobre sua relação com o ex-sócio do banco Augusto Lima e com Daniel Vorcaro. O encontro aconteceu no dia 10 de junho, uma semana antes da operação que resultou em buscas e apreensões na casa do parlamentar na Bahia e no hotel onde ele mora em Brasília.

A iniciativa causou estranhamento entre investigadores. Na ocasião da audiência, a Polícia Federal (PF) já preparava a 9ª etapa da Operação Compliance Zero, que tinha justamente o petista como alvo. A representação policial pedindo autorização para as buscas já havia sido assinada quando Wagner foi ao Supremo. As informações são da coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo.

Leia também: Jaques Wagner admite relação com ex-sócio de Vorcaro e diz a Lula que ação da PF foi “patacoada”

Objetivo era justificar relação com ecossistema Vorcaro

Na reunião com Mendonça, Wagner buscou apresentar argumentos para sustentar que não havia irregularidade em sua relação pessoal com os donos do Banco Master nem nos contratos firmados entre a empresa de sua nora, Bonnie de Bonilha, e o ecossistema de Vorcaro.

O senador também explicou ao ministro a implantação do Credcesta na Bahia, produto de crédito consignado oferecido pelo Master, repetindo a mesma versão que já vinha apresentando em entrevistas.

Operação ocorreu em 18 de junho

As buscas da PF aconteceram na quinta-feira (18). Durante a ação, foram apreendidos 55 mil dólares e 33 mil euros no quarto de hotel onde Wagner se hospedava em Brasília, além de documentos e do celular dele no apartamento em Salvador. Na semana seguinte, o senador deixou a liderança do governo no Senado Federal após conversa com o presidente Lula.

Wagner afirmou em entrevista à Folha de S. Paulo que o dinheiro encontrado havia sido recebido ao longo dos anos em diárias de viagens ao exterior pelo Senado e estava guardado em envelopes da Casa. A PF, porém, não encontrou envelopes do Senado em nenhum dos endereços visitados. A quantia apreendida também supera o valor total recebido pelo senador em diárias desde 2019.

Decisão de Mendonça cita Augusto Lima como interlocutor

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Na decisão que autorizou a operação, Mendonça escreveu que Augusto Lima atuou como canal de interlocução com Wagner sobre temas prioritários para o Banco Master, repassando ao senador informações sobre rating da instituição, estrutura acionária, a CPI do Master e a tentativa de venda do banco ao BRB, barrada pelo Banco Central em setembro do ano passado.

Segundo a Polícia Federal, a relação entre Wagner e Lima seria marcada por elevado grau de confiança pessoal, circunstância que teria criado ambiente propício para tratativas reservadas em defesa de interesses privados do Banco Master.

Caso remonta a privatização de estatal baiana

A relação entre os dois remonta a 2018, quando Wagner era secretário da Fazenda da Bahia e Lima articulou a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), rede estatal de supermercados do governo estadual. Como o primeiro leilão não atraiu interessados, o empresário sugeriu a inclusão de um cartão de benefícios no modelo consignado no edital, projeto que deu origem ao Credcesta, posteriormente absorvido pelo Master.

A investigação aponta ainda que o senador recebeu pagamentos do banco por anos através da empresa da nora, viajava com frequência em jatos particulares de Daniel Vorcaro e ganhou um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,45 milhões. Após a operação, Wagner admitiu que Lima comprou o imóvel, disse que ele seria destinado à filha do senador e afirmou que pagaria o empresário posteriormente.

Lima também presenteou familiares do senador com ingressos para shows da cantora Taylor Swift nos Estados Unidos e em São Paulo, em 2023. Em uma das ocasiões, segundo a Polícia Federal, os ingressos custaram R$ 63,3 mil.

Na entrevista à Folha, Wagner confirmou ter recebido os ingressos de presente, mas minimizou o episódio. “Estão achando que ele me comprou porque arrumou dois ingressos. Eu poderia pedir coisa mais importante, né”, disse o senador, completando que, se Lima esperava obter vantagens com o gesto, “se enganou do freguês”.

Sobre a negociação do apartamento, Wagner argumentou que a compra de um imóvel em construção contraria a lógica de um esquema de corrupção. “Por que você pediria para reservar um apartamento num prédio em construção se fosse para corrupção? Por que eu não ia pegar um apartamento novo pronto”, questionou, afirmando não ter condições de arcar com o valor total e que pretendia financiar parte da compra.

O senador classificou a operação como “patacoada” e criticou o que chamou de espetacularização da ação policial, em referência à divulgação de fotos do dinheiro e dos relógios apreendidos durante as buscas.

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