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“Insuficiente”: CNI critica decisão do Copom e alerta para o aperto financeiro no setor produtivo

Publicado 17/06/2026 • 19:38 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A CNI afirma que o corte de 0,25 ponto percentual na Selic foi insuficiente para aliviar o custo do crédito e estimular investimentos, produção e consumo.
  • Segundo a entidade, a taxa básica de juros permanece 3,1 pontos percentuais acima do nível considerado adequado para equilibrar crescimento econômico e controle da inflação.
  • A confederação avalia que a redução das tensões no Oriente Médio pode abrir espaço para um ritmo mais intenso de cortes da Selic nas próximas reuniões do Copom.

Miguel Ângelo / CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou que a redução de 0,25 ponto percentual da taxa Selic para 14,25% ao ano é “insuficiente” para estimular a atividade econômica nem aliviar as dificuldades financeiras enfrentadas por empresas e famílias. Segundo a entidade, o atual nível dos juros permanece 3,1 pontos percentuais acima da taxa considerada neutra, estimada em 11,1% ao ano.

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o elevado custo do crédito continua limitando investimentos, expansão da produção e consumo.

“Enquanto os juros reais continuarem tão elevados, beneficiando diretamente o capital especulativo, o custo do crédito vai seguir inviabilizando os planos de produção e expansão da indústria. Da mesma forma, a medida se mostra ineficaz em aliviar o orçamento das famílias, das empresas e do próprio governo, que seguirão estrangulados pelo serviço da dívida, adiando a retomada do consumo e do investimento e a superação do fantasma da inadimplência”

A entidade argumenta que o recente acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio pode abrir espaço para uma aceleração do ciclo de cortes da Selic.

“O provável fim do conflito já impacta na queda do preço do petróleo — elemento que vinha pressionando os custos das cadeias produtivas globais. Ao retirar o principal componente de pressão sobre a expectativa de preços e juros, há um ambiente mais favorável para uma flexibilização monetária”, disse Alban.

A CNI também destaca que a política monetária possui eficácia limitada diante de choques de oferta, como oscilações nos preços de commodities e eventos climáticos que afetam safras. Nesses casos, juros elevados ajudam a conter efeitos indiretos sobre a inflação, mas têm pouca capacidade de atuar sobre a origem do problema.

De acordo com a entidade, o atual cenário de juros elevados mantém o Brasil entre os países com as maiores taxas reais do mundo, ampliando o endividamento de famílias, empresas e governo. A dívida bruta do setor público alcançou 80,4% do PIB em abril, enquanto o crédito mais caro segue restringindo investimentos e consumo.

Os efeitos também aparecem nos indicadores empresariais. Dados da Serasa Experian mostram que o país registrou 9 milhões de empresas negativadas em abril, somando R$ 221 bilhões em dívidas. Além disso, levantamento da CNI aponta que a maioria das indústrias espera queda nas margens de lucro e aumento do custo de financiamento nos próximos meses.

Entre as famílias, o endividamento permanece próximo de metade da renda acumulada, enquanto a inadimplência atingiu 7,2% em abril, segundo dados do Banco Central. Para a CNI, esse ambiente reduz a capacidade de consumo e dificulta a formação de patrimônio pelos brasileiros.

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