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Dia dos Pais deve impulsionar varejo ao maior faturamento em 12 anos, aponta CNC

Publicado 05/08/2026 • 15:44 | Atualizado há 2 meses

KEY POINTS

  • O comércio varejista deve registrar o melhor desempenho para o Dia dos Pais em mais de uma década.
  • A expectativa é de crescimento nas vendas, impulsionado pelo avanço do emprego e da renda dos brasileiros.
  • Mesmo com a projeção positiva, crédito restrito e elevado endividamento das famílias ainda limitam um avanço mais forte do consumo.

O comércio varejista brasileiro deve faturar R$ 8,52 bilhões no Dia dos Pais de 2026, segundo projeção divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O volume representa crescimento real de 2,9% em comparação com o mesmo período do ano passado, já descontada a inflação, e marca o melhor resultado para a data nos últimos 12 anos.

Com esse desempenho, o Dia dos Pais reforça sua posição como a quarta principal data comemorativa para o varejo brasileiro, atrás apenas de períodos tradicionalmente mais fortes para o setor.

A entidade atribui o cenário favorável, principalmente, ao fortalecimento do mercado de trabalho. A taxa de desemprego caiu para 5,6% no trimestre encerrado em maio, o menor índice para esse período desde 2012. Ao mesmo tempo, a massa real de rendimentos dos trabalhadores avançou 5% em relação ao ano anterior, ampliando o poder de compra das famílias.

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Vestuário lidera expectativa de vendas

Entre os segmentos com maior previsão de faturamento, o destaque fica para vestuário, com expectativa de movimentar R$ 3,34 bilhões. Na sequência aparecem perfumaria e cosméticos, com R$ 1,72 bilhão, e utilidades domésticas e eletroeletrônicos, que devem somar R$ 1,31 bilhão.

Juntos, esses três grupos devem concentrar aproximadamente 83% de todas as vendas previstas para a data.

Apesar da perspectiva positiva, a CNC alerta que os presentes estão mais caros neste ano. A cesta de produtos típica para o Dia dos Pais registra alta média de 5,8%, acima da inflação medida pelo IPCA-15, projetada em 5%.

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Os maiores reajustes foram observados nos preços de computadores, que acumulam alta de 11,9%, e perfumes, com avanço de 9,8%. Em contrapartida, itens como equipamentos de som, televisores e bebidas alcoólicas apresentaram redução de preços.

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Além do impacto nas vendas, a entidade estima que a data comemorativa resulte na criação de 12,07 mil vagas temporárias no comércio varejista. A expectativa é de que 14,8% desses trabalhadores sejam efetivados após o período.

Emprego favorece o consumo, mas crédito ainda preocupa

Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o desempenho esperado confirma a importância do varejo como indicador da atividade econômica, sustentado pela melhora do mercado de trabalho e da renda, mesmo em um cenário de juros elevados.

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“O comércio varejista mostra, mais uma vez, sua força em datas comemorativas fundamentais. O volume de vendas esperado reflete o impacto positivo da melhora na empregabilidade e proporcional consequência na renda média dos brasileiros, apesar do aperto monetário causado pela ainda alta taxa Selic”, afirmou Tadros em nota divulgada nesta quarta-feira (5).

O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, avalia que as condições de crédito continuam sendo um dos principais entraves para uma expansão mais intensa do consumo. Segundo ele, o elevado nível de endividamento das famílias reduz a capacidade de compras, apesar do cenário favorável no mercado de trabalho.

De acordo com a entidade, 81,64% dos lares brasileiros possuem dívidas a vencer, percentual mantido pelo quinto mês consecutivo. Já a inadimplência permanece em 29,9%, próxima do recorde de 30,5% registrado no fim do ano passado.

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“A queda do desemprego e o avanço da massa de rendimentos criaram um ambiente propício para o crescimento das vendas na data, como vimos em outras celebrações do calendário recente. Por outro lado, observamos que o alto nível de endividamento das famílias e a fragilidade das condições de financiamento atuam como fatores limitantes, impedindo uma aceleração ainda mais robusta do consumo”, afirmou o economista.

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