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Pequenos negócios dedicam nove horas por semana com burocracia financeira e adiam planos de crescimento, aponta estudo
Publicado 08/10/2026 • 13:00 | Atualizado há 58 minutos
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Publicado 08/10/2026 • 13:00 | Atualizado há 58 minutos
KEY POINTS
Os donos de pequenos negócios no Brasil dedicam, em média, nove horas por semana a atividades financeiras e burocráticas, como pagamento de contas, emissão de notas fiscais, controle de receitas e despesas e conferência de recebimentos. Em um ano, são aproximadamente 468 horas destinadas a essas tarefas, o equivalente a quase três meses de expediente.
Os dados fazem parte da pesquisa “Tempo é dinheiro: quanto a burocracia financeira custa ao pequeno negócio brasileiro”, encomendada pelo Nu Empresas à Bridge Research. O levantamento ouviu 1.200 empreendedores de diferentes regiões do país, entre clientes e não clientes do Nubank, em julho de 2026.
A pesquisa indica que o tempo necessário para administrar as finanças pode comprometer outras atividades da empresa. Entre os entrevistados, 85% afirmaram ter deixado de realizar ações importantes para o negócio nos três meses anteriores ao levantamento devido à sobrecarga burocrática. Além disso, 68% acreditam que suas empresas poderiam ser mais lucrativas caso precisassem lidar com menos obrigações administrativas.
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O tempo destinado à burocracia varia conforme o porte e o segmento de atuação das empresas. Entre os microempreendedores individuais (MEIs), a média é de oito horas semanais. Nas micro e pequenas empresas, o número aumenta para dez horas.
O comércio varejista apresenta a maior carga, com 11 horas por semana. Já os empreendedores que trabalham em escritórios e consultórios dedicam, em média, oito horas às mesmas atividades.
As obrigações fiscais e tributárias aparecem entre as tarefas que mais consomem tempo, mencionadas por 43% dos participantes. Em seguida estão o controle de entradas e saídas de dinheiro (41%), a emissão de notas fiscais (40%) e a conciliação de recebimentos (30%), procedimento utilizado para verificar se os valores pagos pelos clientes foram efetivamente creditados nas contas das empresas.
A rotina administrativa também inclui o acompanhamento de pagamentos a fornecedores, a organização do fluxo de caixa e outras atividades necessárias para manter o funcionamento dos negócios.
Além do tempo consumido, o levantamento identificou consequências para a organização e o desenvolvimento das empresas. Entre os entrevistados, 37% disseram ter deixado de planejar o crescimento do negócio para o ano seguinte. Outros 35% adiaram investimentos em divulgação e marketing, enquanto a mesma proporção reduziu o tempo dedicado aos clientes atuais.
A participação em cursos, treinamentos e eventos profissionais foi prejudicada para 33% dos empresários. A busca por fornecedores e parceiros ficou em segundo plano para 23%, e 21% deixaram de lançar novos produtos ou serviços.
A pesquisa também aponta efeitos sobre o bem-estar dos empreendedores. Para 53%, as atividades financeiras e burocráticas provocam estresse e ansiedade. Outros 45% relataram já ter perdido oportunidades comerciais enquanto resolviam questões administrativas.
Questionados sobre como utilizariam o tempo caso as rotinas de pagamentos e cobranças fossem totalmente automatizadas pelos bancos, 50% afirmaram que priorizariam estratégias de vendas e crescimento. A busca por novos clientes e mercados foi mencionada por 49%, enquanto 46% investiriam na melhoria de produtos e serviços e outros 46% planejariam a expansão da empresa.
Embora a inteligência artificial (IA) já esteja presente na rotina de parte dos pequenos negócios, seu uso permanece concentrado nas atividades de comunicação e de produção de conteúdo.
Segundo o estudo, 66% dos empresários já utilizaram alguma ferramenta de IA em suas empresas. Dentro desse grupo, 68% recorrem à tecnologia para produzir textos e publicações, enquanto 63% a utilizam na criação de imagens e vídeos.
A aplicação em tarefas financeiras ou administrativas, por outro lado, foi citada por apenas 30% dos usuários da tecnologia. Outros 36% informaram utilizar inteligência artificial para automatizar atividades repetitivas.
Essa diferença também aparece nos métodos empregados para organizar as contas. Apesar da disponibilidade de recursos digitais, 53% dos entrevistados ainda controlam o fluxo de caixa por meio de planilhas, enquanto 23% utilizam registros manuais em papel ou cadernetas.
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Siga o Times | CNBCAs plataformas oferecidas pelas instituições financeiras são utilizadas por 29% dos participantes, e apenas 19% recorrem a softwares de gestão empresarial.
O levantamento também identificou que o Pix se tornou o principal meio de recebimento entre os pequenos negócios pesquisados, sendo utilizado por 85% dos entrevistados. O dinheiro em espécie aparece em 49% das respostas, seguido pelas máquinas de cartão para pagamentos à vista (45%) e a prazo (37%).
Em média, os estabelecimentos trabalham com três formas diferentes de recebimento. No comércio, esse número se aproxima de quatro.
A diversidade exige que os responsáveis acompanhem movimentações realizadas em diferentes canais, com prazos e registros próprios, o que pode aumentar o trabalho de conferência e organização financeira.
Outro dado apresentado pela pesquisa diz respeito à utilização de recursos pessoais nas empresas. Segundo o levantamento, 45% dos empreendedores recorrem a alternativas financeiras vinculadas à pessoa física para suprir necessidades do caixa empresarial, incluindo reservas pessoais e modalidades de crédito.
Além da pesquisa com empreendedores, o Nu Empresas divulgou informações referentes ao uso das Caixinhas PJ, ferramenta disponível nas contas empresariais para separar dinheiro conforme diferentes finalidades.
Os dados internos, referentes a setembro de 2026, mostram que 77% dos negócios que utilizam o recurso possuem ao menos uma reserva associada a uma finalidade específica.
Entre as classificações identificadas pela instituição, 63% estão relacionadas ao planejamento, incluindo despesas imprevistas e melhorias no negócio. Outras 18% estão ligadas à rotina financeira, como capital de giro, pagamentos e fluxo de caixa.
O levantamento interno também aponta que 86% dos clientes que utilizam as Caixinhas PJ mantêm algum valor reservado por mais de 30 dias.
De acordo com o Nubank, a modalidade oferece rendimento de 100% do CDI, indicador de referência para investimentos de renda fixa, com disponibilidade imediata dos recursos. Para valores mantidos por períodos de seis meses ou mais, a instituição informa rendimento a partir de 102,5% do CDI.
Os percentuais apresentados sobre o uso das Caixinhas se referem à base de clientes da instituição e não ao conjunto de empreendedores entrevistados na pesquisa nacional.
O Nu Empresas também anunciou a expansão de uma funcionalidade que permite aos titulares de contas empresariais estabelecer limites para as transações realizadas por funcionários autorizados.
Chamado de limite transacional, o recurso está sendo ampliado para toda a base de clientes elegíveis, segundo a instituição.
A ferramenta permite definir valores máximos para operações como pagamentos a fornecedores e transferências. Dessa forma, funcionários podem executar determinadas atividades financeiras sem receber autorização irrestrita para movimentar o dinheiro da empresa.
O mecanismo não está associado à concessão de crédito. Sua finalidade é estabelecer controles sobre operações realizadas na conta empresarial.
Para Maximiliano Damian, vice-presidente de Nu Empresas, o aumento da complexidade administrativa acompanha o crescimento dos negócios. Segundo o executivo, a possibilidade de delegar pagamentos e transferências com limites definidos busca atender empresas que precisam distribuir responsabilidades sem perder o acompanhamento das movimentações financeiras.
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