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Vorcaro completa cinco meses preso; veja como o caso Master se espalhou pelo STF
Publicado 02/08/2026 • 21:23 | Atualizado há 54 minutos
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Publicado 02/08/2026 • 21:23 | Atualizado há 54 minutos
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Reprodução
Daniel Vorcaro preso
Daniel Vorcaro completa nesta terça-feira (4) cinco meses desde que voltou a ser preso pela Polícia Federal no caso Banco Master. Nesse período, a investigação deixou de se concentrar apenas nas suspeitas de fraudes financeiras e passou a alcançar relações políticas, servidores públicos, familiares e pessoas que atuavam no entorno do banqueiro.
Vorcaro foi preso preventivamente em 4 de março, na terceira fase da Operação Compliance Zero, por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a Corte, a medida foi autorizada diante de um “risco concreto de interferência nas investigações”.
Era a segunda prisão do empresário. Ele havia sido detido inicialmente em novembro de 2025, na época em que o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master, mas posteriormente deixou a prisão sob medidas cautelares.
O Banco Central justificou a liquidação pela grave crise de liquidez, pelo comprometimento da situação econômico-financeira do conglomerado e por violações às normas do sistema financeiro.
Ao autorizar a prisão de Vorcaro, Mendonça também determinou medidas contra outros investigados e o bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens.
A PF passou a investigar, entre outros pontos, suspeitas de corrupção de servidores ligados ao Banco Central, obtenção de informações internas sobre a fiscalização e possíveis ações destinadas a dificultar o avanço das apurações.
A investigação atribui a Vorcaro o comando de um suposto esquema de fraudes bilionárias e apura crimes como gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As suspeitas ainda estão sob investigação e não representam condenação.
Pouco depois da prisão, Mendonça abriu ainda um inquérito separado para investigar o vazamento de mensagens retiradas dos celulares de Vorcaro. A medida foi solicitada pela defesa, que alegou que diálogos atribuídos ao banqueiro estavam sendo divulgados sem que os advogados tivessem acesso integral ao material.
Leia também: Mendonça autoriza cooperação internacional em investigação sobre Banco Master
Uma das principais movimentações de Vorcaro depois da prisão foi a tentativa de negociar uma colaboração premiada.
Em março, o banqueiro foi transferido da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal na capital. A mudança facilitava o contato direto com investigadores e advogados durante as negociações.
Em maio, a defesa entregou formalmente uma proposta à PF e à Procuradoria-Geral da República.
As negociações não foram para frente.
A primeira tentativa foi considerada insuficiente. Em junho, a PF também rejeitou uma segunda proposta. Os investigadores avaliaram que o banqueiro não havia apresentado elementos novos em relação às provas já apreendidas e não reconhecia participação em crimes.
Dias depois, a PGR também recusou a nova proposta que encerrou a rodada de negociação.
Depois da segunda recusa, a própria PF pediu a saída de Vorcaro de suas dependências. Em 25 de junho, Mendonça determinou a transferência do banqueiro para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a Papudinha, dentro do Complexo da Papuda, mesma cela que já abrigou o ex-presidente Jair Bolsonaro. Vorcaro segue lá, sob custódia da Polícia Militar, ao lado do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, também preso na Compliance Zero.
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Siga o Times | CNBCHenrique Moura Vorcaro, pai de Daniel, e Felipe Cançado Vorcaro, primo dele, foram presos preventivamente em uma nova fase da Compliance Zero.
Em junho, a Segunda Turma do STF manteve as duas prisões. A maioria dos ministros acompanhou Mendonça na avaliação de que as medidas continuavam necessárias para preservar as investigações.
Os dois são suspeitos de participar de movimentações relacionadas à ocultação de patrimônio e recursos atribuídos ao esquema investigado. As defesas contestam a necessidade das prisões.
Em maio, a investigação chegou aos investimentos feitos pelo RioPrevidência, responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores do Rio de Janeiro.
A PF passou a investigar aplicações bilionárias em ativos ligados ao Master.
Uma operação autorizada por Mendonça teve entre os alvos o então ex-governador Cláudio Castro. Segundo a investigação, os aportes analisados chegaram a aproximadamente R$ 3,6 bilhões.
A PF sustenta que há indícios de que Castro teve participação política na viabilização dos investimentos. O ex-governador nega irregularidades.
Leia também: Compra do Master daria à Fictor ‘um banco na mão’ e abriria caminho para venda de CDBs, disse CEO em reunião
Outro braço do caso chegou ao senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado.
A PF investiga se Wagner recebeu vantagens econômicas ligadas a pessoas do núcleo do antigo Banco Master e se houve atuação política do senador em assuntos de interesse da instituição.
Entre os elementos analisados estão um apartamento em Salvador, viagens, pagamentos a empresa ligada à família e discussões sobre o mercado de crédito consignado.
Wagner nega ter cometido irregularidades e afirma que sua relação com Vorcaro era praticamente inexistente.
Em julho, a Compliance Zero chegou à sua décima fase. A PF realizou buscas contra o empresário Thiago Miranda, que prestou serviços ligados à comunicação de Vorcaro.
Os investigadores apuram suspeitas de contratação de influenciadores para atacar a credibilidade do Banco Central e de ações destinadas a monitorar ou intimidar jornalistas e outras pessoas consideradas adversárias do Master.
Segundo a investigação, mensagens encontradas em aparelhos eletrônicos indicariam que Miranda recebia orientações relacionadas ao monitoramento de críticos do banco. A defesa nega ilegalidades.
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