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Mercado dividido: semana começa com expectativa pelo corte na Selic e preocupação de investidores com a alta do petróleo
Publicado 02/08/2026 • 20:35 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 02/08/2026 • 20:35 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: Freepik
A semana começa com o mercado brasileiro dividido. A inflação perdeu intensidade e a atividade econômica dá sinais mais claros de desaceleração, combinação que abre espaço para o Banco Central continuar reduzindo os juros. Mas a disparada do petróleo e a instabilidade no Oriente Médio voltaram a aumentar os riscos para os preços.
É nesse ambiente que o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne na terça (4) e na quarta-feira (5). A expectativa do mercado é de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic para 14% ao ano.
Se confirmado, será o quarto corte consecutivo de 0,25 ponto. O Banco Central iniciou o atual processo de flexibilização em março, quando reduziu a taxa de 15% para 14,75%. Vieram depois cortes para 14,50%, em abril, e 14,25%, em junho.
Mas os investidores também estão de olho na sinalização da autarquia sobre setembro. O quadro doméstico justifica algum alívio adicional, mas o petróleo torna cada vez mais difícil projetar uma longa sequência de cortes.
Leia também: IPCA-15 abaixo do esperado reforça aposta em corte da Selic e derruba juros futuros
Os últimos dados ajudaram a melhorar o cenário de curto prazo. O IPCA-15 avançou apenas 0,06% em julho, e a inflação acumulada em 12 meses desacelerou para 4,52%. O resultado veio abaixo das expectativas e deixou a taxa ligeiramente acima do intervalo de tolerância da meta, de 4,5%.
A Análise Econômica espera que o IGP-DI registre em julho sua segunda deflação mensal consecutiva, com queda próxima de 1,1%. Em junho, o indicador já havia recuado 0,79%.
O comportamento dos preços no atacado é relevante porque costuma antecipar parte das pressões que podem chegar ao consumidor mais adiante. Além disso, a valorização recente do real também ajuda a conter preços de produtos importados e insumos cotados em dólar.
O conjunto torna mais confortável um novo corte na quarta-feira, mas não significa que a batalha contra a inflação esteja encerrada.
Outro argumento a favor da redução da Selic é a desaceleração da economia. Na terça-feira, o IBGE divulga a produção industrial de junho. A Análise Econômica projeta uma segunda queda mensal consecutiva, depois do desempenho mais forte observado no início do ano.
Indicadores de fluxo de veículos pesados, indústria automotiva, siderurgia e consumo industrial de energia sugerem perda de ritmo, segundo a consultoria.
Juros elevados atuam justamente reduzindo consumo, investimento e crédito. Quanto mais evidentes forem os sinais de desaceleração, menor tende a ser a necessidade de manter a Selic nos níveis atuais.
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Siga o Times | CNBCO próprio BC já reconheceu que o aperto monetário acumulado começou a produzir efeitos sobre a atividade. Mesmo após os três cortes realizados desde março, a autoridade monetária continua considerando a política de juros em território restritivo.
O petróleo Brent encerrou julho cotado a US$ 90,12 por barril, com valorização de aproximadamente 24% no mês. Foi o avanço mensal mais forte desde março.
O movimento está ligado principalmente às interrupções e aos riscos de oferta no Oriente Médio. O tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz continua reduzido, enquanto o conflito envolvendo Estados Unidos e Irã mantém a percepção de risco elevada sobre uma das rotas mais importantes de petróleo do mundo.
Para o BC, petróleo mais caro pode atingir a inflação por vários caminhos: combustíveis, transporte, fretes, petroquímicos e custos de produção.
O efeito não é necessariamente imediato nem integral. A política de preços das distribuidoras e da Petrobras pode suavizar parte da transmissão para o consumidor. Ainda assim, uma alta persistente tende a contaminar expectativas e tornar o trabalho do Copom mais difícil.
Em junho, ao reduzir a Selic para 14,25%, o Comitê citou explicitamente a incerteza gerada pelos conflitos no Oriente Médio e a volatilidade das commodities como razões para manter cautela.
Leia também: Fernanda Rocha: Mercado mantém expectativa de corte da Selic apesar das incertezas no cenário externo
No exterior, o mercado também vai acompanhar uma bateria de indicadores do mercado de trabalho americano.
Na terça-feira, será divulgado o relatório Jolts, com dados de vagas abertas. Na sexta, sai o payroll de julho, principal indicador de emprego dos Estados Unidos.
A Análise Econômica espera criação entre 60 mil e 100 mil postos de trabalho, com desaceleração gradual, mas sem sinal de ruptura brusca no mercado de trabalho americano.
Os números podem alterar as expectativas para os juros dos Estados Unidos e, consequentemente, mexer com o dólar, os juros futuros e os ativos brasileiros.
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