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PF desmantela rede de empresas fantasmas que desviou milhões da saúde pública no Ceará
Publicado 10/10/2026 • 18:44 | Atualizado há 1 dia
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Publicado 10/10/2026 • 18:44 | Atualizado há 1 dia
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Divulgação PF
Uma organização criminosa especializada em fraudes licitatórias e desvios de recursos públicos operava um esquema sofisticado no Ceará utilizando mais de 80 empresas fictícias e um “bunker” financeiro instalado na sede da Cooperativa de Trabalho de Atendimento Pré e Hospitalar (Coaph).
As informações constam na decisão da Justiça Federal referente à Operação Coaptação, deflagrada nesta semana pela Polícia Federal (PF). O inquérito apura crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa.
De acordo com as investigações, a rede criminosa funcionava como uma verdadeira “fábrica de CNPJs”: abria empresas de fachada, utilizava-as para emitir notas fiscais frias de serviços que não podiam ser executados e, posteriormente, as descartava. Dados da Controladoria-Geral da União (CGU) apontam que a gestão da Coaph chegou a solicitar a baixa formal de mais de 70 companhias utilizadas no esquema.
Apenas quatro dessas empresas de fachada foram suficientes para drenar cerca de R$ 20 milhões em um período de apenas 100 dias:
Dado o ritmo das fraudes, os investigadores estimam que o montante total desviado dos cofres públicos nos últimos anos alcance centenas de milhões de reais. Entre 2007 e 2025, a Coaph acumulou cerca de R$ 1,8 bilhão em contratos com o Governo do Ceará e administrações municipais — incluindo a Prefeitura de Fortaleza —, montante que inclui aproximadamente R$ 250 milhões em repasses de verbas federais para a saúde.
Leia também: Mensagens entre Lulinha e Luchsinger citam captação de dinheiro para filme sobre Lula nos estados governados pelo PT
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Siga o Times | CNBCDe acordo com matéria da TV Verdes Mares, para ocultar o rastreamento do dinheiro público e viabilizar o pagamento de propinas a agentes públicos e políticos, a organização priorizou a movimentação de recursos em espécie.
A investigação revelou que a Coaph mantinha um setor interno exclusivo para gerir o dinheiro vivo, equipado com máquinas de contar cédulas. O espaço era operado diretamente pelo funcionário Fernando Antônio Rosa Cavalcante, encarregado de receber as remessas de saques.
O esquema veio à tona com maior clareza quando o contador e operador financeiro César Agamenon Carvalho Barbosa foi interceptado pela PF transportando R$ 345 mil em espécie, sacados da conta de uma empresa fictícia, a caminho da sede da cooperativa. Na mesma diligência, um total de R$ 437,9 mil foi apreendido com ele.
Questionado pelas autoridades, o operador alegou que os valores seriam destinados ao pagamento de médicos cooperados e confessou ter sacado outros R$ 400 mil na véspera sob a mesma justificativa.
Na última quinta-feira (8), cinco pessoas ligadas à Coaph foram presas preventivamente. Entre os indícios descobertos pela PF estão o uso de laranjas — como o suposto sócio da New Consultoria, que se encontrava detido no sistema penitenciário cearense — e uma contabilidade paralela detalhada encontrada nos celulares e notebooks apreendidos com o operador financeiro.
Por se tratar legalmente de uma cooperativa, a Coaph é proibida de gerar lucro. A apuração aponta que o arranjo criminoso utilizava intermediários para burlar essa regra, firmando contratos com prefeituras para desviar verbas essenciais da saúde pública.
Em nota oficial, a defesa da Coaph sustentou que a operação policial atinge também outras empresas do setor e enfatizou a necessidade de preservar uma instituição que presta serviços essenciais à população. As investigações continuam para identificar todos os beneficiários finais e agentes públicos envolvidos nos desvios.
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