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‘Trump precisa de Lula e Lula precisa de Trump’: o que o mercado e o setor empresarial esperam do encontro dos presidentes
Publicado 24/10/2025 • 22:08 | Atualizado há 7 meses
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Publicado 24/10/2025 • 22:08 | Atualizado há 7 meses
KEY POINTS
O evento ainda não consta nas agendas oficiais, mas a expectativa é grande: os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos EUA, Donald Trump, podem se reunir neste domingo (26), em Kuala Lumpur, na Malásia, onde acontece a cúpula da Association of Southeast Asian Nations (ASEAN). O tema principal deve ser o tarifaço imposto pelo norte-americano às exportações brasileiras desde agosto, mas o mercado financeiro e o setor empresarial sabem que há mais em jogo, um passo político para reabrir o diálogo entre Brasil e Estados Unidos, ainda que sem expectativa de acordo imediato.
Segundo o economista André Perfeito, sócio da APCE, e o diplomata José Luiz Pimenta, diretor de Relações Governamentais e Comércio Internacional da BMJ, a reunião deve funcionar como marco simbólico de reaproximação, em meio a tensões comerciais globais e a uma disputa crescente de influência entre Washington, Pequim e os países sul-americanos.
Para Perfeito, o foco deve ser a reconstrução do canal diplomático. “Os EUA muito provavelmente não vão retirar as tarifas. Washington pode até dar isenções adicionais, mas o valor de 40% ficará como referência. A verdadeira questão é retomar a normalidade diplomática num momento em que os EUA mostram interesse renovado pela América do Sul”, afirmou.
Pimenta reforça que há complementaridade econômica real entre os dois países e que o diálogo pode destravar pautas estratégicas. “O Brasil quer derrubar o tarifaço, e os Estados Unidos buscam novas fontes de minerais críticos e terras raras fora da China. Esse ponto pode abrir uma frente de cooperação concreta entre as duas economias”, disse ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
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A reunião acontece em meio a tensões comerciais crescentes dos Estados Unidos com países como China e Canadá, além do impasse com o Brasil. Washington busca rever políticas tarifárias e reforçar cadeias estratégicas em setores de alta tecnologia e energia, enquanto tenta reduzir dependência da indústria chinesa.
Antes de deixar a Indonésia, onde começou sua visita ao Sudeste Asiático, Lula reafirmou “todo interesse” em ter a reunião e disse estar disposto a “defender os interesses do Brasil” e “mostrar que houve equívoco nas taxações ao país”. O presidente também afirmou que quer discutir as sanções impostas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), classificadas como “sem explicação e sem entendimento”.
“Não existe veto a nenhum assunto. Vai ser uma reunião livre, em que a gente vai poder dizer o que quiser, como quiser — e ouvir o que quiser também”, declarou Lula. “O acordo certamente não será feito amanhã ou depois de amanhã. Ele será construído pelos negociadores.”
Tarifas comerciais:
O Brasil contesta a sobretaxa de 50% imposta por Washington à maioria dos produtos nacionais. Lula argumenta que a medida “não tem sustentação em nenhuma verdade” e cita um superávit de US$ 410 bilhões dos EUA no comércio bilateral nos últimos quinze anos.
Sanções a autoridades brasileiras:
Sete ministros do STF foram alvo de punições americanas em agosto.
Minerais críticos e terras raras. Os EUA buscam fornecedores fora da China, e o Brasil — detentor da segunda maior reserva mundial — surge como parceiro estratégico.
Outros tópicos possíveis. Questões internacionais como Gaza, Ucrânia e Venezuela podem ser mencionadas conforme a dinâmica da conversa.
De acordo com o Itamaraty, o encontro deve abrir uma rodada mais longa de negociações, conduzida pelos ministros Geraldo Alckmin (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Fernando Haddad (Fazenda), em coordenação com a equipe econômica americana.
A avaliação no governo é que o encontro tem caráter político e simbólico, servindo para reabrir o canal bilateral após meses de atrito.
Perfeito resume o espírito da reunião: “Trump precisa de Lula e Lula precisa de Trump. O Brasil é o maior país da região, ocidental e BRICS ao mesmo tempo — e tem algo que os EUA querem desesperadamente: terras raras.”
Segundo Pimenta, o encontro pode “marcar o início de um novo ciclo de cooperação prática”, especialmente em cadeias de energia limpa, semicondutores e biocombustíveis. “O Brasil é peça-chave nesse xadrez regional.”
A reunião ocorre também sob o pano de fundo de movimentos militares americanos no Caribe e da ameaça de ações contra a Venezuela, o que adiciona tensão diplomática ao ambiente. Analistas apontam que, mesmo se o tema não for abordado diretamente, o contexto pode influenciar o clima das conversas.
Lula e Trump chegam à Malásia com estilos distintos e discursos firmes, mas com um objetivo em comum: retomar o diálogo político e comercial entre as duas maiores economias do hemisfério ocidental.
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