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Operações da PF

Ciro Nogueira nega acusações no caso Master e se diz vítima de perseguição por ser da oposição

Publicado 12/05/2026 • 10:05 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Nogueira nega ter recebido valores ilícitos do grupo Vorcaro citados na Operação Compliance Zero.
  • Senador acusa PF de perseguição política e diz que investigação mira líder da oposição em ano eleitoral.
  • Nogueira defende emenda do FGC e aponta Banco Central como responsável por falha na fiscalização do Master.
Senador Ciro Nogueira (PP-PI) citado na operação compliance zero

Em um vídeo gravado e publicado em sua conta no Instagram, na manhã desta terça-feira (12), o senador Ciro Nogueira (PP-PI) fez sua primeira manifestação pública desde que foi alvo da 5ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (7). Nogueira negou todas as acusações, classificou a operação como perseguição e disse ter a consciência tranquila.

A investigação apura suspeitas de que o senador colocou seu mandato a serviço dos interesses do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em troca de vantagens econômicas. Entre as suspeitas levantadas pela PF estão pagamentos mensais de até R$ 500 mil, a aquisição de participação societária com deságio de R$ 12 milhões e a apresentação de emenda ao Senado com texto elaborado pela própria assessoria do Master.

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Nogueira nega valores ilícitos e cita faturamento da família

Sobre as suspeitas de repasse de recursos por meio de empresas ligadas ao grupo Vorcaro, Nogueira afirmou em discurso que nunca recebeu qualquer valor ilícito. Segundo ele, os depósitos investigados representariam menos de 0,5% do faturamento das empresas da família em dois anos.

“Nós temos uma rede concessionária de motocicletas que fatura em torno de R$ 400 milhões por ano. E me acusam de depósito de R$ 3 milhões nessa empresa. Isso é absolutamente comum em uma empresa dessas. Muitas peças, serviços, são pagos em dinheiro. Tudo com nota fiscal. Tudo descrito em contabilidade, que uma auditoria pode ser feita por quem quiser”, declarou o senador.

A PF, por sua vez, apontou que a estrutura BRGD/CNLF, suspeita de intermediar os repasses, era administrada pelo irmão do senador e não possuía funcionários registrados. Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro mostraram registros de pagamentos mensais de R$ 300 mil que evoluíram para R$ 500 mil, descritos pelo próprio banqueiro como algo “muito importante”.

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Perseguição política em ano eleitoral, diz senador

Nogueira também questionou por que a operação teria como alvo um líder da oposição. Para ele, a iniciativa faz parte de um roteiro de ataques que se repetiria em períodos eleitorais. Segundo o vídeo, o senador disse: “Não é a primeira vez que sou vítima de ataques em ano eleitoral. Mas essa tática não funcionou em 2018 e não vai funcionar agora.”

O parlamentar lembrou que, nas eleições anteriores, também foi alvo de investigação da PF, com acusações que incluíam recebimento de malas de dinheiro e atuação parlamentar em benefício de construtoras. Segundo ele, o inquérito foi encerrado sem indiciamento. Nogueira foi reeleito senador mais votado do Piauí naquele ciclo eleitoral.

A Operação Compliance Zero, no entanto, está sob relatoria do ministro André Mendonça, do STF, e tem como base o inquérito INQ 5026. O ministro considerou suficientes as restrições impostas ao parlamentar sem necessidade de prisão, mas proibiu qualquer contato com investigados ou testemunhas.

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Nogueira defende emenda do FGC e mira Banco Central

Um dos pontos mais sensíveis da investigação envolve a Emenda 11 à PEC 65/2023, apresentada por Nogueira para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. A PF apura suspeita de que o texto foi elaborado pela assessoria do Banco Master e entregue ao senador para apresentação no Senado. Interlocutores do Master chegaram a registrar que a medida “sextuplicaria” o negócio.

Nogueira negou a versão e apresentou defesa da proposta no mérito. Segundo ele, o FGC é um fundo privado, financiado pelos próprios bancos, sem recursos públicos, e que o limite de R$ 250 mil não é corrigido há 13 anos. Afirmou que, pela Selic acumulada, o valor deveria estar acima de R$ 840 mil.

Para o senador, a verdadeira responsabilidade pelo caso Master recai sobre o Banco Central. “O que causa escândalo em um banco não é o FGC. É a falta de fiscalização. Quem tem que fiscalizar é o Banco Central. E quem indica os diretores do Banco Central é o Presidente da República”, disse, segundo o vídeo publicado em seu Instagram.

Após as investigações, o Banco Master deixou de existir na forma original. O senador anunciou que reapresentará a emenda para correção do limite do FGC.

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“Com os fatos, vamos desmascarar as mentiras”

Ao encerrar o vídeo, Nogueira adotou tom de campanha. Afirmou que o povo do Piauí o conhece e que as acusações não passam de “roteiro de ficção”. Segundo o parlamentar, o objetivo seria impedi-lo de atuar politicamente.

“Quero que a polícia investigue com rigor, pois sei que não cometi nenhuma irregularidade e isso ficará provado novamente. Com o tempo e os fatos, nós vamos desmascarar mais essas mentiras de quem tenta me parar”, declarou, no vídeo publicado pelo senador.

A investigação segue aberta. O STF determinou o bloqueio de R$ 18,85 milhões em bens ligados ao esquema e a suspensão de quatro empresas apontadas como instrumentos de ocultação de recursos, entre elas a CNLF Empreendimentos Imobiliários, administrada pelo irmão do senador.

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