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Por que o Banco Master está sendo acusado de lavagem de dinheiro? Entenda
Publicado 18/01/2026 • 19:00 | Atualizado há 7 meses
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Publicado 18/01/2026 • 19:00 | Atualizado há 7 meses
KEY POINTS
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil via Fotos Públicas
A investigação identificou transações que exploraram ativos sem liquidez e com preços artificialmente inflados
Após a Polícia Federal realizar no último dia 14 de janeiro a segunda fase da Operação Compliance Zero para investigar, novamente, o Banco Master, acredita-se que o grupo investigado tenha cometido, pelo menos, cinco crimes.
Dentre eles: lavagem de dinheiro. Além de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, induzimento ou manutenção em erro de investidor, uso de informação privilegiada e manipulação de mercado.
De acordo com o Governo Federal, o crime de lavagem de dinheiro, previsto na Lei nº 9.613, de 3 de março de 1998 “caracteriza-se por um conjunto de operações comerciais ou financeiras que buscam a incorporação na economia de cada país, de modo transitório ou permanente, de recursos, bens e valores de origem ilícita e que se desenvolvem por meio de um processo dinâmico que envolve, teoricamente, três fases independentes que, com frequência, ocorrem simultaneamente”.
O processo de lavagem de dinheiro ocorre em três fases: colocação, ocultação e integração, onde o dinheiro é inserido no sistema, disfarçado e reintroduzido como legítimo. As formas mais comuns incluem o uso de empresas ou pessoas de fachada (conhecidas popularmente como “laranjas”), fragmentação de grandes quantias e transações em paraísos fiscais.
O esquema do Banco Master se apoiava em empresas e pessoas que, formalmente, apareciam como clientes, investidores ou contrapartes distintas do banco, mas que, na prática, tinham vínculos societários, familiares ou de influência direta com os controladores ou gestores.
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Siga o Times | CNBCEssas entidades negociavam entre si como se fossem agentes independentes, quando, na verdade, estavam coordenadas. Para o regulador, à primeira vista, eram operações normais; por dentro, eram circulares.
O dinheiro girava entre essas empresas ligadas ao mesmo núcleo de controle. Um recurso saía de uma empresa “A”, passava pelo banco ou por instrumentos financeiros intermediários, e retornava a uma empresa “B” do mesmo grupo ampliado. No papel, parecia captação, investimento ou crédito. Na prática, o risco não saía do mesmo perímetro econômico, apenas mudava de endereço contábil.
Em vez de grandes operações únicas, os fluxos eram quebrados em múltiplas transações menores, distribuídas no tempo e entre diferentes CNPJs e CPFs relacionados. Isso reduz a chance de disparar alertas automáticos de lavagem de dinheiro ou de concentração excessiva de risco, que costumam olhar valor, frequência e recorrência isoladamente.
A investigação identificou transações que exploraram ativos sem liquidez e com preços artificialmente inflados, aproveitando-se de falhas nos mecanismos de precificação e supervisão.
Como afirma o ministro do STF Dias Toffoli, os apontamentos indicam uso de fundos de investimento em uma intrincada rede de entidades conectadas entre si por vínculos societários, familiares ou funcionais para fraudar o sistema financeiro.
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