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Problema fiscal pode limitar queda dos juros e pressionar economia em 2027, afirma professor

Publicado 18/08/2026 • 13:15 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • O desequilíbrio das contas públicas pode limitar a queda dos juros e manter elevada a taxa real de juros no Brasil em 2027, pressionando investimentos, consumo e empresas.
  • A avaliação é de Carlos Braga, professor associado da Fundação Dom Cabral e ex-diretor de política econômica e dívida do Banco Mundial, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
  • Segundo Braga, a piora das expectativas para 2027 está relacionada principalmente à perspectiva de um problema fiscal relevante.

O desequilíbrio das contas públicas pode limitar a queda dos juros e manter elevada a taxa real de juros no Brasil em 2027, pressionando investimentos, consumo e empresas. A avaliação é de Carlos Braga, professor associado da Fundação Dom Cabral e ex-diretor de política econômica e dívida do Banco Mundial, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo Braga, a piora das expectativas para 2027 está relacionada principalmente à perspectiva de um problema fiscal relevante. Na avaliação do professor, o próximo governo terá de promover um ajuste significativo das contas públicas para evitar uma deterioração ainda maior do cenário econômico.

“Nós temos um encontro marcado em 2027 com um problema fiscal muito significativo”, afirmou.

Braga argumenta que os juros elevados não são a origem do desequilíbrio das contas públicas, mas uma consequência dele. Sem uma política fiscal considerada crível, o país pode enfrentar, segundo ele, duas alternativas: maior pressão inflacionária ou medidas de contenção dos gastos públicos.

Leia também: Boletim Focus mantém projeção para inflação de 2026 em 5,33% e eleva estimativa para o PIB

Juros reais continuam elevados

O professor destacou que o Brasil mantém uma taxa de juros elevada, uma das maiores do mundo. Segundo ele, descontada a inflação esperada, a taxa está atualmente entre 8% e 9% ao ano.

O cenário tende a continuar restritivo mesmo com a redução esperada da Selic. Considerando uma taxa básica de 12% no fim de 2027 e inflação de 4,24%, conforme as projeções mencionadas na entrevista, Braga estima que o juro real ainda ficaria entre 7% e 8%.

“A menos que nós tenhamos um direcionamento com credibilidade, nós certamente vamos continuar a ter um peso de uma taxa de juros real bastante significativo”, disse.

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Na avaliação do professor, esse ambiente dificulta investimentos e aumenta o custo financeiro para consumidores e empresas. Ele também relaciona os juros elevados ao aumento da inadimplência, embora esse dado precise ser confirmado por indicadores oficiais.

“Se nós não fizermos um esforço muito maior com relação ao controle da situação fiscal, nós vamos ter um problema, não sei se vai ser em 2027, mas certamente nos próximos anos”, afirmou.

Leia também: Inflação sobe e projeção do PIB melhora no Boletim Focus desta semana

Ajuste fiscal pode afetar mercado de trabalho

O desafio, segundo o professor, não está apenas na necessidade de promover o ajuste, mas também em seus efeitos no curto prazo.

Uma redução dos gastos públicos pode provocar impacto significativo sobre o mercado de trabalho durante o processo de ajuste, na avaliação do professor. O cenário ganha relevância porque o mercado de trabalho ainda apresenta taxa de desemprego historicamente baixa.

Para Braga, a dificuldade será conciliar a necessidade de ajuste das contas públicas com os custos econômicos e sociais da medida. Ele ressalta que, sem uma correção fiscal, a alternativa pode ser uma aceleração da inflação. “A inflação é o imposto mais regressivo que uma sociedade pode enfrentar”, disse.

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