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Próximo governo terá de rever estrutura de gastos para conter dívida, diz professor da Fipecafi Humberto Aillon
Publicado 09/10/2026 • 18:13 | Atualizado há 41 minutos
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Publicado 09/10/2026 • 18:13 | Atualizado há 41 minutos
KEY POINTS
O próximo governo terá de promover uma revisão mais ampla da estrutura de gastos públicos para conter o avanço da dívida em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), avaliou Humberto Aillon, professor de Finanças da Fipecafi, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
Segundo Aillon, a relação entre dívida e PIB, atualmente acima de 80%, é um dos principais pontos de atenção para a economia brasileira e deve ser prioridade na agenda de quem vencer o segundo turno presidencial.
“O principal é realmente a dívida/PIB no Brasil. Hoje a gente está ali acima de 80%. Então esse é o principal ponto que qualquer um dos candidatos tem que atuar”, afirmou.
Para o professor, não há espaço para tratar o problema apenas com medidas pontuais.
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“Matematicamente, não tem mágica. Não tem muito para onde correr. O Brasil já está contratado para um determinado nível de crescimento, e onde a gente tem alguma margem de manobra é realmente mexer em toda a estrutura de gastos”, disse.
Ao analisar as propostas colocadas até agora pelas campanhas, Aillon afirmou que ainda há mais intenções do que planos formalizados.
No caso de Flávio Bolsonaro (PL), ele destacou sinalizações de redução da máquina pública e de revisão das regras de indexação de despesas.
Segundo o professor, a estratégia apresentada até aqui tem características de uma “reestruturação”, com foco em redução de custos e alterações na dinâmica dos gastos.
Aillon ponderou, porém, que as propostas ainda não estão formalizadas e, portanto, não permitem medir com precisão o impacto fiscal.
Já em relação a Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o economista apontou uma estratégia mais concentrada em aumento de arrecadação e estímulo à atividade econômica.
“Especialmente uma revisão da carga tributária. E nisso você traz um aumento de arrecadação para alívio da dívida/PIB”, afirmou.
Ele também mencionou políticas de investimento na indústria como parte da estratégia de elevar atividade, vendas e, consequentemente, arrecadação.
Questionado sobre propostas de redução da estrutura do governo, Aillon afirmou que experiências anteriores mostram que cortes administrativos isolados têm impacto limitado sobre o equilíbrio fiscal.
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Siga o Times | CNBCAo comentar uma eventual redução de ministérios em um governo Flávio Bolsonaro, disse que o mercado vem dando um “voto de confiança” à possibilidade de execução de um ajuste mais amplo.
O professor afirmou, porém, que será necessário enfrentar despesas de maior peso no orçamento.
“A alocação de capital para os nossos benefícios sociais é muito expressiva. Isso faz com que realmente tenha uma pressão”, afirmou.
Na avaliação de Aillon, independentemente de quem seja eleito, a estrutura dessas despesas deverá entrar no debate fiscal.
“Em algum momento vai ter que ser repensada ali uma estratégia de alocação”, disse.
Aillon reconheceu que o patamar elevado da Selic tem participação relevante na dinâmica da dívida pública.
Segundo ele, juros altos encarecem o financiamento do governo e também reduzem a capacidade de investimento das empresas.
“Realmente, uma composição muito relevante disso são os juros”, afirmou.
O economista ressaltou, contudo, que uma eventual queda da taxa básica não produz efeitos imediatos sobre o crescimento.
“Essa curva de juros já contratados demora para trazer um efeito no PIB”, disse.
Segundo Aillon, taxas menores tendem a melhorar o caixa das empresas, liberar recursos para investimentos e, posteriormente, estimular vendas, produção e arrecadação.
O efeito, porém, ocorre com defasagem.
“Você tem a curva de juros caindo, mas esse efeito para voltar a investir e ter uma aceleração no PIB demora”, afirmou.
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