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Rebaixamento do Digimais aponta falta de transparência, mas não indica crise sistêmica

Publicado 24/06/2026 • 00:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Roberto Luis Troster afirma que a falta de informações foi o principal fator citado pela Fitch no corte da nota do Digimais.
  • Economista diz que agências de rating funcionam como “os olhos dos investidores” na análise de bancos.
  • Para ele, o sistema financeiro brasileiro é sólido, mas Banco Central, CVM e agências deveriam passar por avaliações externas.

O rebaixamento da classificação de risco do Banco Digimais pela Fitch acendeu alerta por apontar falta de transparência e informações insuficientes sobre a instituição, avaliou Roberto Luis Troster, economista e sócio da Troster & Associados.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Troster afirmou que cortes de rating em bancos geralmente estão ligados a informações incompletas, balanços pouco claros ou operações fora do padrão do sistema financeiro.

“Neste caso específico, foi transparência. A nota da Fitch fala que não divulgou informações necessárias”, disse.

Segundo ele, falhas de informação costumam ser um dos principais sinais de preocupação para agências de classificação de risco.

“Em 99% dos casos que eu vejo, é sempre isso: falta de informações, informações difusas, operações pouco ortodoxas nos balanços”, afirmou.

Leia também: Caso Digimais deve ficar restrito, mas pode abalar confiança em bancos médios

Rating como alerta ao investidor

Troster disse que o rebaixamento de rating costuma indicar problemas mais profundos, ainda que não represente, por si só, uma conclusão definitiva sobre a situação da instituição.

“As agências de rating são os olhos dos investidores”, afirmou.

Segundo o economista, investidores não têm como analisar em profundidade todos os balanços bancários. Por isso, dependem de agências especializadas para avaliar risco de crédito, liquidez, governança e transparência.

“A agência de rating rebaixou um dia antes da intervenção da Polícia Federal, de a Polícia Federal bloquear os recursos. Nesse sentido, a agência cumpriu bem seu papel”, disse.

Banco exige conhecimento especializado

Troster afirmou que operar um banco exige conhecimento técnico específico, especialmente na concessão de crédito e na administração da liquidez.

Segundo ele, a entrada no negócio pode parecer simples, mas o desafio central está em fazer o dinheiro emprestado voltar.

“Emprestar dinheiro é a coisa mais fácil do mundo. Todo cliente acha bacana. A questão é fazer o dinheiro voltar”, afirmou.

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O economista disse não ter analisado em detalhes o balanço do Digimais, mas afirmou que casos desse tipo costumam envolver problemas na qualidade das informações ou na estrutura dos ativos.

“Pode ser que estejam todos enganados, mas normalmente é isso que acontece. Quando tem fumaça, tem fogo”, disse.

Sem risco sistêmico

Apesar dos casos recentes envolvendo bancos médios, como Banco Master, Will Bank e Digimais, Troster afirmou não ver motivo para perda generalizada de confiança no sistema bancário.

Para ele, o Brasil tem mecanismos de proteção relevantes, como o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que já funcionou em episódios anteriores de quebra de instituições financeiras.

“O sistema é sólido, funciona bem e não há motivo de preocupação”, afirmou.

Troster disse que, em um sistema com cerca de 150 bancos, sempre pode haver problemas pontuais. Segundo ele, o papel do Banco Central e das agências de rating é justamente identificar riscos e atuar para conter impactos.

Leia também: Digimais já mostrava fragilidade em ativos e liquidez antes de rebaixamento

Supervisão do sistema financeiro

O economista afirmou que há espaço para aprimoramento na supervisão do sistema financeiro. Para ele, Banco Central, CVM e agências de rating deveriam passar por auditorias externas e avaliações periódicas.

“Tem um ditado que diz: quem avalia os avaliadores?”, afirmou.

Troster disse que instituições reguladoras e classificadoras precisam ser avaliadas por outros órgãos para evitar acomodação e acompanhar mudanças rápidas no mercado financeiro.

Segundo ele, uma alternativa seria discutir mudanças estruturais, como um comitê de política monetária mais independente do Banco Central, a possível fusão entre Banco Central e CVM na supervisão e a criação de uma instituição focada na proteção ao pequeno depositante.

“O sistema muda muito. As pessoas às vezes se acomodam e acabam não vendo”, disse.

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