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Relatório da PF usado por Moraes não identifica autoria e chegou ao STF por cópia física

Publicado 09/09/2026 • 08:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Documento de 50 páginas reúne seis relatórios de inteligência da PF sem data, timbre ou assinatura que permitam identificar seus autores.
  • Material foi incluído no sistema do STF por cópia física, o que impede a consulta aos metadados de criação e edição.
  • Relatórios foram usados por Alexandre de Moraes contra André Mendonça e tiveram o uso questionado por entidades ligadas à inteligência e à PF.

Foto: STF

Os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes

Um documento de 50 páginas que reúne seis relatórios de inteligência da Polícia Federal e foi usado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para apontar suspeitas contra André Mendonça não tem data, timbre ou assinatura que permitam identificar seus autores.

O material também foi incluído no sistema do STF por meio de uma cópia física, e não pelo ambiente digital normalmente utilizado. O formato impede a consulta aos metadados que permitiriam verificar quem criou o documento e quem fez alterações posteriores.

Os próprios relatórios afirmam não terem “valor probatório” e classificam as informações como de “baixa ou moderada confiança”. Produzidos entre 3 e 31 de agosto, eles foram usados por Moraes para apontar suposta atuação irregular de Mendonça na condução de investigações, em tratativas de colaboração premiada e no direcionamento de apurações contra o próprio Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Os documentos também embasaram a decisão de Mendonça que afastou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. No despacho, o ministro chamou os relatórios de “estapafúrdios” e de “nada jurídico” e afirmou que eles não seguem os requisitos técnicos previstos na Doutrina Nacional de Inteligência de Segurança Pública (DNISP).

Entre os itens citados estão identificação do órgão e do setor responsável, grau de sigilo, numeração, data, origem, destinatários e autenticação das páginas.

Leia também: Mendonça afirma que PF produziu seis relatórios e investigou sua relação com o chefe da AGU, Jorge Messias

Entidades questionam uso dos relatórios

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A União dos Profissionais de Inteligência de Estado da Abin (Intelis) também criticou o material.

“A Doutrina estabelece a Metodologia de Produção do Conhecimento (MPC), com procedimentos rigorosos de coleta, avaliação, análise, validação e difusão das informações, destinados a assegurar objetividade, consistência e impessoalidade do produto final. Não se trata, portanto, de mera reunião de informações, conjecturas ou opiniões”, escreveu a entidade.

O presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Edvandir Paiva, também questionou a circulação externa dos documentos.

“O relatório poderia, em tese, até existir para o manejo interno. Agora, o conhecimento dele por pessoas de fora da polícia e o uso em um processo criminal é algo totalmente irregular”, afirmou.

Integrantes da PF, ouvidos sob condição de anonimato, também questionaram a forma e o conteúdo dos relatórios. Segundo O Globo, esse tipo de documento costuma ser produzido para análise de cenários e orientação das chefias da corporação, com circulação interna e restrita.

O material também expõe os nomes dos investigadores do caso Master, conflitos na equipe e informações sobre o armazenamento de provas. Procurada pelo jornal, a PF não se manifestou.

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